Inflação: A Revanche

2 de fevereiro de 2017

Em cartaz: Inflação a Revanche


Por qualquer ângulo que se observe, é nítido que as economias globais estão numa fase expansionista. Embora vários modelos econômicos pudessem indicar o término de um ciclo de crescimento nos EUA, que deveria ser sucedido por um período de retração, não parece ser o caso. É bem verdade que esse conceito não estabelece um prazo fixo entre essas fases, os economistas tendem a correlacionar com os ciclos anteriores. Será o efeito Trump desafiando os ciclos econômicos?  Hahaha ...

Amanhã será publicado os dados de emprego nos EUA e, como de costume, ontem foi publicado o ADP, que é um balizador desse número. O resultado surpreendeu positivamente, pois eram esperados 168 mil e o resultado foi de 246 mil, quase 80 mil a mais.


Embora esse indicador mostre uma divergência com o dado oficial, e recentemente tem superestimado esse último, não deixa de ser animador. No resultado publicado pelo ISM da manufatura, referente ao emprego, também se pode observar uma melhora, mesmo nesse setor que vem sofrendo queda de empregos estruturalmente.


Fui verificar as projeções de PIB feitas pelo FED de Atlanta e me surpreendi ao notar que esse banco central está com um crescimento apontando para 3,4%. O que mais chama a atenção é que, diferentemente do passado, a projeção oficial é superior à previsão dos economistas – 2,3%. Num passado recente ocorria o contrário, a previsão desses últimos era inferior à do FED de Atlanta.


O resultado do PMI global publicado pelo JP Morgan fornece uma dimensão do que mencionei no primeiro parágrafo, a recuperação é sólida, porém ainda em ritmo lento.


Um raciocínio simples de economia me leva a recear sobre a evolução da inflação americana. Como o mercado de trabalho já se encontra próximo do pleno emprego, a economia ganhando tração e o Trump ameaçando os empresários que pretendem produzir fora dos EUA, parece lógico que os salários tendam a subir. E esse é o principal indicador da inflação. O índice de surpresas, referente a inflação, publicado pelo Citibank, não deixa dúvidas desse movimento.


O Deutsche Bank também vem insistindo sobre a possibilidade do FED ficar behind the curve e demorarem para reagir aos dados de inflação. A teoria diz que qualquer movimento de política monetária tarda de 9 -12 meses para ter algum efeito, essa é a razão que deve fazer qualquer banco central não esperar para subir os juros quando os indicadores apontam para a alta da inflação. O quadro abaixo elenca os 10 motivos pelos quais esse banco aponta os riscos de alta na inflação, acima da desejada pelo FED.

Para visualizar a dimensão do que poderia acontecer, O Deutsche Bank fez um paralelo entre o PCE – indicador de inflação usado pelo FED para sua política monetária – e o indicador de preços coletado na pesquisa do Philly FED.


Parece que 2017 começa muito diferente de 2016, e não estou falando do Trump. No quesito inflação, enquanto no ano passado se discutia quantas vezes os principais BCs ao redor do mundo teriam que baixar os juros abaixo de zero, agora a dúvida é se esses mesmos bancos centrais não estão demorando a reagir aos resultados inflacionários. O tema do Mosca para o ano em curso, “Inflação: A Revanche”, parece bem adequado.

Ao percorrer os mercados que acompanho, não observei nada de muito interessante acontecendo. Com exceção do dólar, que está fraquejando e se aproxima de dois trades que o Mosca propôs: do euro e do real. O primeiro foi realizado a primeira parcela durante o dia. Notem que esses trades têm posições opostas em relação ao dólar. No primeiro caso, refere-se à venda de euro; no segundo, a compra de real. Interessante! Uma fundamentalista teria dificuldades de explicar.

O ativo escolhido hoje foi o SP500, no post a-farra-dos-bancos-centrais, fiz os seguintes comentários: ...”  Já no curto prazo, parece que a bolsa está consolidando para uma nova alta. No gráfico a seguir aponto as 2 possibilidades que imagino” ... ...” Caso ocorra a hipótese 1 – azul –, desejo boa sorte aos comprados e vou esperar uma outra ocasião; caso ocorra a hipótese 2 - verde –, posso me envolver mais adiante” ...
 
Esse é um caso sui generis, pois aconteceram as duas hipóteses, o SP550 depois de romper 2.280 indicando que novas altas estariam no plano, subitamente reverteu e voltou ao nível que se encontrava antes.

 

Nada disso é suficiente para que eu possa sugerir algo de interessante nesse ativo. Ainda continuo com a previsão que novas altas deverão ocorrer. Para efeitos de trade,indiquei acima o nível ao redor de 2.230 que, caso ocorra, devo sugerir um trade de compra. Mas, aguarde minha sugestão se tornar firme, que por enquanto é apenas uma ideia. 

O SP500 fechou a 2.280, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1199, com queda de 0,27%; o EURUSD a 1,0761, sem variação; e o ouro a US$ 1.215, com alta de 0,55%.
Fique ligado!

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