Inflação: A Revanche

13 de fevereiro de 2017

Impasse Alemão


Talvez seja pouco percebido pela imprensa que a Alemanha se tornou em 2016, o país com o maior superávit em conta corrente. Enquanto a China obteve um montante de US$ 210 bilhões os germânicos alcançaram US$ 281 bilhões. Como o país com maior déficit é os EUA, a temperatura deverá esquentar entre Washington e Berlin. Considere os principais pontos:

·         Peter Navarro acusou a Alemanha de usar o euro “grosseiramente desvalorizado” para obter vantagens de seus parceiros europeus, bem como dos EUA. Seu raciocínio leva em consideração que o superávit passou de 15 bilhões de euros em 2009 para 50 bilhões.

·         O Reino Unido tem um déficit com a Alemanha de 50 bilhões de libras. Se os alemães convencerem os franceses por uma retaliação punitiva contra a saída do Brexit, poderá fazer com que a Inglaterra decida retaliar a indústria automotiva daquele país.

·         O déficit com o restante da Europa é da ordem de 80 bilhões de euros. O problema é que se esperava uma diminuição dessa cifra através do aumento de consumo por parte dos alemães o que acabou não acontecendo.

·         O resto do mundo também tem um crescente déficit com a Alemanha. Isso explica o seu superávit ultrapassar o da China.

Esse superávit abissal está exercendo uma enorme influência recessiva no resto do mundo. E em nenhum local é maior que na própria Europa.

Os bancos alemães estão acumulando superávits gigantes com o resto da Europa. Esses títulos nunca serão pagos, como afirma a Gavekal. ...“ A Alemanha está emprestando um caminhão de dinheiro para um pessoal na Europa que nunca pagará a dívida” ...

É possível que a Alemanha sofra pressão dos americanos e britânicos em relação a esse superávit. Além disso, o nível de inflação na Alemanha encontra-se em ascensão, boa parte causada pela desvalorização do euro nos últimos tempos. Isso poderá enfurecer a população, e a Primeira Ministra, Angela Merkel, perder as eleições do 2º semestre deste ano.

Está chegando um ponto onde o euro é o maior obstáculo nas relações entre a Alemanha, os EUA, Grã-Bretanha, e o resto do mundo fora da zona do euro. E não se pode deixar de considerar que, mesmo dentro da Europa, ela não é nada popular entre os italianos e gregos.

Os EUA bancam todo o custo da proteção militar Alemã, esse foi um acordo assinado depois da 2ª guerra e permanece até hoje. E Trump já disse que não está mais disposto a bancar esse custo.

A Alemanha teria duas opções: Assumir toda a responsabilidade de sua defesa. Essa opção deixaria a Polônia, Hungria e a Rússia, ou mesmo a França e Itália, muito felizes. Como consequência, o superávit em conta corrente encolheria substancialmente. Alternativamente, poderia optar em continuar sob a proteção americana, e isso acarretaria o final do euro.

A alternativa de valorizar o euro simplesmente não existe, pois isso quebraria todos os membros da zona do euro. A ideia da criação de uma moeda única, com países tão heterogêneos está chegando a um ponto decisivo. Com a crise vivenviada pelos seus membros, o BCE optou por uma política monetária frouxa que teve como consequência uma vantagem enorme para a Alemanha. Naturalmente, essa opção tem como pano de fundo, que só deveriam ficar os países “fracos”. Os “fortes” precisariam abandonar.

Nenhuma dessas opções é tão simples como parece, porém, nesse momento de radicalização vivida no mundo, pode ser a gota da água para essa mudança. Entretanto, surge uma dúvida: Se a Alemanha sair do euro para onde iria sua cotação?  Melhor acompanhar os gráficos!

No post cada-macaco-no-seu-galho, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” na última semana o dólar vem flertando muito próximo ao nível que indiquei para começar o trade em R$ 3,11. Antes mesmo que meu amigo pergunte por que não vendo logo, ou que já devia tê-lo feito a muito tempo, do ponto de vista técnico, esse ponto tem mostrado ser muito importante. Não vou vender antes” ... ...” A hora da decisão parece estar muito próxima, senão nas próximas horas. Em fechando abaixo dos R$ 3,11 iniciamos o trade de venda de dólar. Ficarei de olho observando se não será um false break” .... Na semana passada, o dólar tentou algumas vezes negociar abaixo desse nível, porém em nenhum dia fechou aquém de R$ 3,11.


Hoje não podia ser diferente, lá está a cotação flertando com o R$ 3,11, como se tivesses “alguém”, que ao chegar nesse nível, compra. Esse alguém só poderia ser o BC, porém não soube de nenhuma notícia que comprovasse essa hipótese. O instrumento que a autoridade tem para intervir de forma indireta são os contratos de swap, que ainda não foram totalmente liquidados. A última estatística indica algo em torno de US$ 25 bilhões.

Do ponto de vista técnico tudo indica novas quedas do dólar, porém ao ficar polarizado num intervalo tão contido, tudo pode acontecer, até o dólar voltar a subir. Quem está vendido pode perder a paciência e decidir zerar sua posição empurrando as cotações para cima.

Normalmente eu comento sobre o dólar no início da semana. Ficarei muito surpreso se o dólar continuar da mesma forma até lá. Alguém vai jogar a toalha!

O SP500 fechou a 2.328, com alta de 0,52%; o USDBRL a R$ 3,1110, com baixa de 0,11%; o EURUSD a 1,0597, com queda de 0,38%; e o ouro a US$ 1.225, com baixa de 0,67%.
Fique ligado!

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