Inflação: A Revanche

15 de fevereiro de 2017

Inflação por toda parte


Parece brincadeira, há um ano o mundo morria de medo da deflação, e somente 12 meses depois, parece que o receio virou de lado. Mas é bastante compreensivo, não se pode ironizar atitudes esquizofrênicas do mercado, pelo menos neste caso. O motivo são os US$ 14,0 trilhões injetados pelo conjunto de vários bancos centrais e que em algum momento deverão ser retirados do sistema. A autoridade monetária mais próxima desse momento é o FED.

Não existe nenhum modelo passado para se basear, afim de saber qual seria o momento certo, ou melhor dizendo adequado. Na introdução das injeções de liquidez, bons tempos dos helicópteros, o receio era se esses recursos poderiam induzir uma espiral inflacionária, o que não ocorreu em nenhum país. Depois veio o pavor de entrar num ambiente deflacionário onde as armas dos BCs eram limitadas, a Europa e o Japão flertaram com essa possibilidade. E agora a inflação.

Vejamos as últimas observações nesse campo. Ontem foi publicado a inflação na China, tanto no atacado como ao consumidor. A primeira atingiu o nível de 6,9% em bases anuais, muito acima de qualquer previsão. Mesmo em bases mensais o número foi robusto de 0,8%. O principal motivo para essa alta expressiva foram os preços das commodities. Já nos preços ao consumidor, a inflação atingiu 2,5% em bases anuais, também acima da expectativa do mercado.

 
Tanto a inflação de alimentos – 2,7%, como a inflação dos outros itens – 2,5%, justificam o receio dos analistas, indicando que as pressões nitidamente estão se acelerando para a toda economia, o que seria esperado em função das condições frouxas de política monetária adotadas pelo BC Chinês, além da retomada econômica vista no final de 2016.

O economista chefe, Larry Hu, da Macquire Securities, acredita que essas altas não preocupam ...” Haverá uma leve inflação este ano ... ... o PPI poderá subir no primeiro trimestre, essa é uma inflação “boa”, e provavelmente não afetará a postura do PBOC” ...

Outro dado que está preocupando as autoridades chinesas e o volume de empréstimos. O PBOC tem feito um trabalho no sentido de conter o crédito, uma das grandes preocupações da comunidade internacional. No mês de janeiro os empréstimos subiram o equivalente a US$ 300 bilhões.


Segundo a opinião do Deutsche Bank, o banco central Chinês será impelido a elevar os juros a fim de diminuir a demanda por crédito. Aliado a esse fator, a inflação também vai no mesmo sentido.

Nos EUA não foi diferente, a publicação do CPI hoje, apontou uma alta de 0,6% no mês – padrão brasileiro! Hahaha ... – Esse resultado, colocou o índice em 2,5%, em termos anuais. Mesmo a inflação core que exclui alimentos e combustíveis subiu 0,3% no mês e 2,3 % ao ano. É bem verdade que a alta do preço da gasolina foi responsável por metade da inflação de janeiro. Porém outros produtos e serviços também subiram.

 
Só para vocês terem uma ideia da mudança de rumo pelo mercado, ontem eu havia publicado um gráfico que apontava como 30% a chance de alta dos juros agora em março. Hoje, depois da publicação deste dado, passou para 42%.

Inflação: A Revanche! Será que o título de 2017 acertou na Mosca? Menos aqui no Brasil, que está literalmente na contramão.

No post fiz contagio-de-direita, os seguintes comentários sobre o euro: ...” é uma tentativa sem um alto grau de convicção, principalmente no stoploss, que deveria ser colocado no nível de 1,13. Mas, não estou disposto a arriscar tanto” ... ...” o euro recuou levemente encontrando-se ao redor de 1,067. Mas não tire a champanhe da geladeira, aliás nunca tire antes de um trade ser liquidado, a moeda única pode voltar a subir e nossa segunda tranche ser executada. Eu calculo que abaixo de 1,06 colocará nosso trade em melhores condições” ...


Vou zerar essa posição agora a 1,0585.

- Como assim? Você não projeta que o euro irá no mínimo a 1,00?
Continuo acreditando nisso, mas eu grifei um ponto que considero importante acima. Mas mesmo assim, não gostei muito da forma como o euro caiu de 1,0828 para a mínima atingida hoje de 1,0520. Não tenho como explicar o significado que quero dar com o “não gostei muito”. Mas não gostei muito!

Consigo achar diversos argumentos para ter continuado e outros tantos para ter saído do trade. Só vou saber se estava certo ou não com o tempo.

Eu tenho reforçado que o euro se encontra num movimento terminal de longo prazo e nesses momentos as oscilações ficam “cansadas”. O significado é que ao invés de ser de uma forma direcional clara a cotação é levada por uma força que domina no presente (para baixo) e por outra que está se formando (para cima), dando um aspecto de queda mais lento.

Eu não tenho a menor pretensão de encontrar o preço mínimo que o euro atingirá, ou já atingiu, o que não parece ser o caso por enquanto. Prefiro que o mercado me diga. Isso é o trabalho de um analista técnico, interpretar o movimento e buscar encontrar como ele se encaixa em seu pensamento.

Se não encaixa então tem algo errado, ou com o que esperava ou com sua análise. Embora essas duas situações parecem semelhantes são bem distintas: No primeiro caso, você imagina um movimento e o mercado traça um outro, mas ambos no mesmo sentido. Isso acontece tipicamente em correções; o segundo existe um erro de análise, aí fica mais perigoso, principalmente se você teimar.

Bom, no caso do euro agora, na pior das hipóteses botamos um lucro no bolso, e na melhor teremos uma nova oportunidade de venda. Comprar, nem a pau!

Ontem foi concretizado o tão esperado trade de venda do dólar. Hoje o mercado negocia ao redor de R$ 3,06. Vamos atualizar o stoploss para R$ 3,20.


O SP500 fechou a 2.349, com alta de 0,50%; o USDBRL a R$ 3,0565, com queda de 0,89%; o EURUSD a 1,0602, com alta de 0,25%; e o ouro a US$ 1.233, com alta de 0,39%.
Fique ligado!

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