Inflação: A Revanche

17 de fevereiro de 2017

Crescendo no grito


Normalmente eu passo meu dia de trabalho com a TV ligada no canal da Bloomberg. Para não me atrapalhar, deixo sem som e dependendo de quem está no ar eu acabo ligando o som. Essa rotina já existe algum tempo e diria que raramente interrompo meu trabalho para acompanhar alguma entrevista. Porém, isso mudou, desde a posse do Presidente Trump, não me recordo ter passado nenhum um dia que ele não aparece na TV ao vivo.

Tenho imaginado qual seria seu objetivo ao querer mostrar tanta transparência. Certamente tem um objetivo de marketing, algo que ele é muito bom, basta ver o sucesso de sua marca ao redor do mundo. Mas será só isso? Outro fator que também se pode perceber é que trabalha muito, transformou a rotina da Casa Branca num escritório de negócios. É desta forma que os EUA está sendo governado, se vai dar certo ou não, somente o tempo dirá.

Ontem foi um desses dias, onde ficou quase 80 minutos numa aparição ao vivo com jornalistas. O principal motivo seria justificar que não teve relação com o governo Russo na época das eleições. Seu estilo é sui generis para dizer pouco. Desvaloriza a mídia dizendo que transmitem notícias falsas e aponta o governo anterior como desastroso. Mas o melhor vem quando abre a secção de perguntas aos jornalistas. De imediato uma avalanche fica afoita para fazer suas perguntas, consegue-se ouvir uma agitação de vozes.

Ele vai escolhendo os repórteres segundo algum critério.  Depois de apontar para o escolhido, inicia perguntando de qual veículo ele pertence, dependo da resposta já faz uma qualificação do tipo “ vocês noticiam muitas mentiras” e coisas assim. Naturalmente esse funcionário se sente constrangido e indiretamente o Presidente faz um ante marketing desse jornal. Ontem por exemplo, a Times Magazine foi hostilizada por Trump e em seguida as cotações dessa empresa começaram a cair.

Mas não é só troca de farpas, existem momentos de descontração, onde ele faz uma piadinha. Também existem os casos em que ele elogia, veja essa situação:

Trump: This is a nice question, what is your Channel?
Jornalista: “Xpto”
Trump: Very good, I´ll star watching you.

Realmente é uma mudança radical da comunicação entre a Casa Branca e a mídia, normalmente essas situações eram bastante formais e as perguntas mais delicadas eram feitas de forma polida, bem como as respostas, que nem eram rebatidas a contento. Agora vale tudo, se a pergunta não é do interesse de Trump ele busca desqualificar quem pergunta (o veículo), e se é de seu agrado responde com prazer. Diria que agora é mais autêntico, cada um fala o que quer sem milongas.

Hoje ele está na Boeing e a Bloomberg está lá. Ele convenceu essa empresa a diminuir o preço que cobraria para o avião que o governo encomendou. Ao desembarcar, iniciou seu discurso enaltecendo o estado da Carolina do Norte, bem como, a grandiosidade da Boeing. Foi muito ovacionado pelos empregados. Enfatizou “products made in América! ” Falou por 20 minutos sem consultar nenhum papel! Ah, um detalhe, as ações da Boeing estavam subindo.

Depois de pousar, em 40 minutos estava levantando voo, o homem não para!

Não sou americano, mas conforme o tempo passa, me parece que ele vai conquistar o povo. Ele coloca o Obama no bolso!

Ontem foi publicado um indicador de perspectiva de negócios – Philadelphia Fed Business Outlook, e o resultado foi um recorde desde 1984.


Um outro indicador onde se pode notar a melhora da atividade manufatureira pode ser visto no gráfico abaixo, onde de um lado foi compilado a média de vários indicadores regionais contra o índice oficial ISM. Em nenhum momento no passado, depois da recessão de 2008, se pode verificar um movimento tão consistente.


Entretanto essa melhora ainda não foi percebida nos salários, abrindo uma disparidade entre o otimismo do consumidor com essa variável. Espero que em algum momento haja uma elevação dos rendimentos dos trabalhadores para que o aumento de vendas não se dê por queda na poupança e/ou aumento do crédito.


No aspecto crédito, o Deutsche Bank considera um dos riscos da recuperação a deterioração na sua qualidade, observada através do crédito em liquidação das pessoas físicas. Geralmente numa expansão que perdura por muito tempo, o dinheiro tende a ser alocado para devedores de pior qualidade, fazendo com que o risco de não pagamento pelos mesmos aumente.

 
Ainda nos riscos apontados por esse banco, questiona se a elevação dos juros poderá ser suportada pela economia. O gráfico a seguir mostra que desde as eleições o volume de crédito retrocedeu.

O Deutsche Bank conclui que uma expansão “envelhecida” com recursos abundantes por um longo período resulta em mais empréstimos para consumidores e empresas de menor qualidade. Quando os juros começam a subir, esses devedores, podem não conseguir pagar esses empréstimos. A dúvida é saber se esse grupo de devedores é grande o suficiente para enfraquecer a expansão de toda a economia.

A intenção anunciada por Trump na redução dos impostos, deverá dar um alento no curto prazo na economia, jogando essa preocupação mais para o futuro.

A incansável preocupação de Trump em criar empregos e trazer as fábricas de volta aos EUA, já está surtindo efeitos, pelo menos nos índices de intenção captados pelas pesquisas. Agora se os CEO estão com medo de retaliações por parte do governo ou por que a economia já está dando sinais de recuperação não sabemos. O resultado é que um novo período de investimentos nos EUA parece estar nascendo. Se foi no grito, funcionou!

Eu deveria fazer uma atualização do mercado de ouro, mas ao verificar os gráficos não teria nada de interessante a acrescentar o que foi postado o-ceu-é-o-limite: ...” estou ficando com um viés um pouco mais baixista, pelo menos no curto prazo, mas não quero me arriscar numa venda. Se atingir a cotação de US$ 1.280 vou arriscar. Ainda não é uma recomendação firme. Para quem quer se envolver, siga o post” .... Neste momento o metal se encontra US$ 1.238, muito próximo de onde estava naquela data.

Preferi focar sobre o petróleo, um mercado raramente analisado pelo Mosca. Minha visão de longo prazo é de queda, porém no curto prazo acredito numa rodada de alta, o que vem contra a grande maioria dos analistas que cobrem essa commoditie. Só para fazer um breve histórico, o petróleo caiu de US$ 112 em agosto de 2014 para mínima de US$ 26 em fevereiro de 2016, uma queda estupenda de 76%. Depois disso vem lentamente recuperando e se encontra hoje em US$ 53.

A matemática é interessante, pois se computamos a variação dessa última alta, se chega a 100%, o que poderia aparentar que isso já é suficiente para que os preços tivessem sido recompostos. Mas isso não é verdade, a base é muito pequena, e para que isso fosse verdade – a recuperação até os US$ 112, o petróleo teria que subir 330% em relação a mínima. A famosa frase, que os empresários conhecem bem quando definem seus preços de venda “ de baixo para cima e de cima para baixo”.

No gráfico a seguir aponto meus objetivos para o petróleo nos próximos meses, no primeiro caso US$ 60/62 (+15%), depois US$ 70/72 (+ 34%), e por último US$ 85/87 (+ 62%).


Não é bater é morto. Para falar a verdade o que poderíamos classificar como bater em morto, ou como diz um colega “ bater um pênalti sem goleiro? ” Acho que nada! O petróleo tem que romper a faixa entre US$ 50 – US$ 54, que prevalece desde dezembro último e não cair abaixo de US$ 49. Não quero dar nenhuma recomendação de trade nesse ativo, dado sua alta volatilidade além de ser mais difícil de implementar, mas fica aqui minha visão. No futuro volto a fazer comentários esporádicos.


O SP500 fechou a 2.351, com alta de 0,17%; o USDBRL a R$ 3,1035, com alta de 0,47%; o EURUSD a 1,0607, com queda de 0,61%; e o ouro a US$ 1.235, com baixa de 0,29%.

Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário