Inflação: A Revanche

9 de fevereiro de 2017

BCB em festa


Todos os jornais noticiaram a queda expressiva da inflação no Brasil. Depois de ser duramente criticado ao final de 2016, hoje o Banco Central Brasileiro é elogiado. A razão do descontentamento se origina numa aposta feita na taxa SELIC pelo mercado, onde a autoridade monetária agiu diferentemente do que havia preconizado. Será que eles foram conservadores demais? A resposta não é simples, pois é totalmente subjetiva, tendo um caráter mais acadêmico que prático.

Manter os juros elevados quando não é necessário tem implicações econômicas importantes, pois poderá afetar o lado real da economia, empresas podem sucumbir por esse motivo. Não sei se compartilho com esse pensamento, na situação atual, mas o que certamente aconteceu foi uma transferência de renda maior do devedor para o poupador.

Porém existe um ganho, do qual não vi nenhum comentário, a credibilidade do BC foi recuperada. Hoje o mercado enxerga seus dirigentes como profissionais competentes que estão agindo conforme se espera de um órgão tão importante. Esse efeito pode ser observado na queda vertiginosa do risco Brasil, bem como da taxa de câmbio. Os juros futuros também apontam na mesma direção, por exemplo, a taxa da LTN, título do governo de taxa pré-fixada e vencimento para 2020, está cotado a 10,23% a.a., muito inferior à taxa SELIC atual. Vejam como evoluiu a curva de juros no último mês.


Porém o BCB tem um desfio que não depende dele. No quesito de política monetária não tenho dúvidas, estamos bem representados, na verdade nunca tive suspeitas, sempre enalteci a sua competência, entretanto, na parte fiscal, muito se tem a fazer. Sem uma reforma da Previdência extensa, necessária para estancar os déficits crescentes da ordem de R$ 200 bilhões, nada estará resolvido. A dívida pública entrará num movimento ascendente de forma exponencial, que em algum momento questionará a solvência do país.

Hoje foi publicado a primeira prévia do IGPM, que apontou uma desaceleração de 0,86% em janeiro, para 0,10% em fevereiro. Nesse resultado, os mesmos itens que influenciaram a queda do IPCA foram aqui observados, principalmente os alimentos.

Como comentei ontem, eu não descarto a aceleração do corte na taxa SELIC, dos atuais 0,75% para 1,0%. Isso não deve acontecer na próxima reunião. Sobre esse assunto, o jornal Valor publicou hoje a seguinte matéria ...” Os membros do Copom têm dito aos economistas” ... ...” depois de um surpreendente corte de 0,75 % nos juros básicos em janeiro, as chances de outra surpresa nas próximas reuniões do colegiado são bem menores” .... Isso parece em desacordo com minhas afirmações, mas não é, pois nada impede que na próxima reunião, o Copom sinalize quedas mais profundas.

Já nos mercados internacionais, eu nunca notei tantos artigos sobre a balança comercial americana. O motivo é claro, Trump vai ou não romper com seus principais parceiros. Será que tudo que estamos observando é um jogo de cena para melhores negociações? Nem eu, nem ninguém consegue ter certeza sobre que caminho o Presidente americano irá seguir. O gráfico abaixo busca comparar o impacto das importações americanas e chinesas em alguns países chave. Essa informação é apresentada em 3 níveis: direto, nível subsequente e indireto.


Já o próximo gráfico, apresenta uma análise do déficit comercial nos EUA por segmento econômico. Também aponta os setores onde registra superávit. À primeira vista, o movimento inicial de Trump, em repudiar as empresas americanas que fabricam seus produtos no exterior, os acordos de comércio, ou mesmo numa guerra cambial, aparenta que os americanos têm pouco a perder. A possível retaliação dos outros países não deveria afetar muito a balança comercial dos itens superavitários. Por exemplo, não é do dia para a noite que se consegue achar outro fornecedor de aviões e motores. Na área de serviços menos ainda.


No post o-exterminador-do-presente, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” mencionei no post acima, que existem 2 possibilidades para os juros: uma nova mini queda até 2,20%; ou o início de um novo movimento de alta, que ultrapassaria os 2,65%. Por enquanto, não trabalho com a possibilidade que ocorreu em 2015, onde os juros voltariam a cair” ...


Ontem, em discussão com os membros do Comitê da Rosenberg, notei que ainda existe uma inercia em relação a alta de juros. Eu argumentei que independente das ações que o Trump possa tomar, os juros estão muito baixos. Com uma inflação na casa dos 2% e a economia caminhando no sentido da recuperação, como os juros de 10 anos podem estar em 2,4%?

O mercado raciocina de acordo com meus argumentos, porém, está muito posicionado nos mercados futuros, apostando na alta dos juros de 10 anos. Veja a seguir a evolução dessas posições.


 A taxa vem se aproximando do nível que sugeri uma posição, vou aproveitar para fazer um pequeno ajuste. Abaixo se encontra o gráfico atualizado com minhas expectativas. Ao redor de 2,22% a.a. os juros deveriam reverter a queda, para começar um novo ciclo de alta. Como stoploss vou fixar 1,95%. Na planilha de trades semanal, considerei como se fosse um novo trade proposto.


Venho enfatizando que o mercado de juros de 10 anos é “o mercado” a se acompanhar esse ano. E continuo com a mesma opinião. Por enquanto ele está em banho maria, mas já, já vai ser servido.

O SP500 fechou a 2.307, com alta de 0,58%; o USDBRL a R$ 3,1299, com alta de 0,41%; o EURUSD a 1,0654, com queda de 0,35%; e o ouro a US$ 1.230, com queda de 0,89%.
Fique ligado!

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