Inflação: A Revanche

7 de fevereiro de 2017

Contágio de direita


Por mais que a democracia é um regime político com apelo incontestável, não está na moda. O radicalismo, principalmente de direita, vem pouco a pouco contagiando os países. Outros tipos de radicalismo como os de esquerda e outros de cunho religioso também vem ganhado espaço. Todos eles têm algo em comum, quem se alinha as suas crenças é “amigo”, quem não, sofre as consequências sem direito a contestar.

Presenciamos o Brexit, em seguida a vitória de Trump e agora vem contagiando alguns países da Europa. Talvez o mais premente seja a França com eleições marcadas para julho próximo. O candidato François Fillon, de centro direta republicano perdeu boa parte de sua vantagem, para Marine Le Pen, candidata que advoga a saída do euro. Uma versão feminina de Trump. O motivo foi a revelação de um escândalo envolvendo sua esposa em corrupção.


O mercado já começa a reagir a essa possibilidade através da elevação do diferencial de juros entre os títulos franceses comparados aos títulos alemães, conforme gráfico abaixo.


Mas esse movimento não se restringe somente a França, situação semelhante vem ocorrendo com os títulos italianos. Com eleições marcadas para início de 2018 e um sistema bancário extremamente fragilizado, os investidores começam a se preocupar. Como resultado, o diferencial de juros sobre os títulos desse país comparados com os títulos alemães, vem subindo.


Mario Draghi respondeu a essas ameaças dos políticos, ontem no Parlamento Europeu disse em francês “Léuro est irrevocable” deixando claro a quem ele se dirigia. O membro do Board executivo do ECB, Benoit Couere, disse em uma entrevista “a saída do euro irá ocasionar um empobrecimento, através da alta dos juros e ameaça aos empregos”. Draghi complementou, com algumas palavras em italiano “Questo e il trattato”, cujo destino é claro.

Mas de que adianta todos esses argumentos para manter a situação atual se a classe média vem sendo a grande perdedora? Assim como nos EUA, a Europa vive do mesmo fenômeno de empobrecimento da população, em detrimento da aristocracia. O gráfico a seguir mostra como o ECB vem errando na projeção dos ganhos provenientes dos salários. Também se nota uma quase estagnação dos salários, que se comparados com a alta dos ativos financeiros, explicam a revolta.  


Os últimos acontecimentos mostraram que as pesquisa de opinião tem errado muito. Melhor não confiar nesses resultados quando tomar sua decisão de investimentos, principalmente quando a outra opção indicaria decisões muito diferentes, ou melhor, imprevisíveis. Veja no caso do Trump, que ao anunciar sua vitória, imediatamente o mercado de ações caiu. Em menos de 24 horas reverteu a queda, subindo logo em seguida.

Vejo muitas pessoas lamentando essa mudança dos eleitores de um sistema democrático para um de direita. Eu concordo que o apelo do primeiro é substancialmente melhor, afinal, quem gosta de radicalismo? Mas, quando a população fica dividida entre dois regimes de forma muito equilibrada, ninguém fica feliz. Nesses momentos, surge uma tendência de radicalização. Não quero que meus leitores pensem que sou partidário da direita, prefiro a democracia.

Mas como nos mercados, o que vale não é aquilo que desejamos mais aquilo que o mercado nos aponta. Concordo que não é a mesma coisa em política, no mercado, se compramos ou vendemos euro, só incomoda quem está na outra ponta, além do mais, ninguém fica sabendo.

Entretanto, é melhor todos estarem preparados para as mudanças que ocorrerão ao redor do mundo e seus impactos nos mercados. Let´s the Political speak”!

Hoje o assunto não poderia ser diferente, o euro. No post nunca-dependa-muito-de-um-cliente, fiz os seguintes comentários: ...” Eu destaquei esse último movimento de alta que é típico de uma correção “chata”, dá 2 passos para frente e 1 a 1 ½ passo para trás, ficando difícil qualquer estratégia ganhadora. Os níveis apontados no gráfico merecem uma tentativa de trade. Proponho a venda de ½ a 1,0825 e a outra metade a 1,0935, com um stoploss a 1,105” ...

 
No mesmo post acrescentei: ...” é uma tentativa sem um alto grau de convicção, principalmente no stoploss, que deveria ser colocado no nível de 1,13. Mas, não estou disposto a arriscar tanto” ...

- E David, de novo com essa se não cair pode subir?
Você gostou que ultimamente estou me antecipando e fazendo as perguntas antes de você? 

Pensei que já tinha se acostumado com minhas colocações. Mas parece que não! Quando tenho menos convicção, é melhor avisar antes do que pode dar errado.


A primeira parte do trade foi executada na semana passada e desde então, o euro recuou levemente encontrando-se ao redor de 1,067. Mas não tire a champanhe da geladeira, aliás nunca tire antes de um trade ser liquidado, a moeda única pode voltar a subir e nossa segunda tranche ser executada. Eu calculo que abaixo de 1,06 colocará nosso trade em melhores condições.


Tenho notado que os mercados vêm atuando com muita cautela e os ativos não tem mostrado nenhuma tendência. Mas isso poderá mudar a qualquer momento. Num mundo repleto de transformações, quem quer se antecipar?

O SP500 fechou a 2.293, sem variação; o USDBRL a R$ 3,12, com alta de 0,14%; o EURUSD a 1,068, com baixa de 0,64%; e o ouro a 1.233, com queda de 0,16%.
Fique ligado!

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