2018: Vestibular Político

24 de outubro de 2017

Xooo recessão


Se existe um cenário com repercussão inesperada e indesejada seria uma recessão. Com uma recuperação em andamento nos principais países do mundo, depois de quase uma década de estagnação, essa situação mereceria uma exclamação em linguagem coloquial: vire essa boca para lá! Na verdade, não existe nenhum sinal neste front, mas não custa nada revistar os dados que forneceriam alguma indicação.

O Credit Suisse elaborou alguns gráficos para basear sua conclusão. Incialmente comparou o ímpeto desta recuperação em relação as anteriores, uma vez que, diversos analistas vêm apontando a duração desse ciclo como indicador de uma recessão em futuro próximo. Através do gráfico abaixo, esse banco credita a fraca recuperação, como elemento que justificaria sua expectativa de um ciclo mais longo que os observados no passado. Sendo assim, não há o que temer.


Outro parâmetro que sinaliza uma desaceleração da economia é expresso através do diferencial de juros entre os títulos mais longos comprados com os mais curtos – a chamada curva de juros invertida. Quando esse diferencial se torna negativo, na grande maioria das vezes, uma recessão acontece mais à frente. Para quem gostaria de rever este conceito sugiro a releitura do post profundezas-em-finanças.

O gráfico a seguir que mede o diferencial entre os juros de 10 anos contra o de 3 meses, não aponta sinais de recessão, pois o resultado não é negativo. Nesse quesito, acredito que o analista forçou um pouco a barra, pois a maneira clássica de se avaliar esse conceito e feita com os títulos de 10 e 2 anos. O diferencial nesse caso encontra-se em 38 pontos, bastante próximo de zero.


E por último, de maneira qualitativa, apresenta um Tableau du Bord, com avaliações de indicadores utilizados na identificação de um período recessivo. Como se pode verificar, atualmente não existe nenhuma preocupação.


Uma outra fonte de preocupação são os riscos Geopolíticos que acabaram preocupando os mercados mais recentemente. A gestora de fundos Blackrock listou 10 itens de risco que se encontram apontados no mapa abaixo.  


Então, quais são os mais preocupantes? Os três principais nesse momento são: negociações comerciais norte-americanas, um conflito da Coréia do Norte e tensões entre os EUA e a China, com o segundo e o terceiro particularmente inter-relacionados.

Veja a seguir as observações da Blackrock

Negociações comerciais norte-americanas

A quarta rodada de renegociações do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) terminou esta semana, com o México e o Canadá rejeitando o que consideram as duras propostas dos EUA. Ainda assim, os relatórios de notícias sugeriram progressos aparentes em partes menos controversas do acordo, e as negociações não acabaram. A próxima rodada de negociações está prevista para o próximo mês no México.

Nosso caso base é que as negociações bem-sucedidas serão concluídas no início de 2018. No entanto, nossas esperanças para esse resultado diminuíram recentemente devido a posições difíceis dos negociadores dos EUA e uma retórica ameaçadora do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que resultou em maior incerteza. Os riscos para o mercado são negativos, dado que o bom resultado já está expresso nos mercados.

Coreia do Norte

Consideramos o programa de armas nucleares e mísseis da Coréia do Norte como uma grande ameaça para a estabilidade regional, segurança dos Estados Unidos e a não proliferação nuclear. A possibilidade de conflito armado aumentou, com os lançamentos de mísseis da Coréia do Norte sobre o Japão, um teste nuclear e uma intensa guerra de palavras. Isso aumentou a chance de erros ou erros de cálculo, e podemos ver ações limitadas, como o abate de mísseis.

No entanto, atualmente vemos uma baixa probabilidade de guerra total, os custos são muito elevados em todos os lados. Em vez disso, esperamos que os EUA intensifiquem sua campanha de "pressão pacífica", evidente em impor sanções unilaterais, e se inclinar para a China participar.

Deterioração das relações EUA-China

As fricções entre os EUA e a China estão esquentando ao longo do tempo, as disputas de comércio e de acesso ao mercado apontam para um relacionamento cada vez mais competitivo entre os EUA e a China no longo prazo. Acreditamos que os mercados ainda não têm observado esta deterioração gradual.

No curto prazo, as tensões poderiam aumentar se o presidente chinês, Xi Jinping, prosseguir uma agenda ainda mais nacionalista na sequência do Congresso Nacional do Povo

A ação militar dos EUA contra a Coréia do Norte e / ou um choque acidental no Mar da China Meridional afetaria o relacionamento, em nossa opinião, e prejudicaria os ativos de risco. Mas nosso caso básico é que os EUA e a China evitam essas minas terrestres no curto prazo e tentam usar a próxima visita do presidente Trump para enfatizar a cooperação.

Com uma recuperação ainda bastante fraca e até certo ponto questionável, a projeção aponta para um PIB ligeiramente superior a 2% com pouca margem de manobra. Qualquer fator acima, se deflagrado, teria impacto imediato na economia. Como são de caráter imprevisível, só nos resta torcer para que não aconteça. Xooo recessão!

No post devemos-confiar-na-intuição, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” A área em preto, no intervalo contido de € 1,16 - € 1,15 seria o meu “sonho de desejo”, se isso acontecer vamos comprar” ... ...” não sou mais um comprador do euro “de olhos fechados”. E ainda mais, os níveis de compra podem ser bem diferentes do que eu imaginava antes”...


Passados duas semanas muito pouca coisa aconteceu em termos de preços. No gráfico a seguir sugiro um trade oportunista em dois níveis diferentes.


Minha preferência natural seria pela primeira opção com venda a € 1,1920 e stoploss a € 1,21 – vermelha. Alternativamente, no rompimento do nível de € 1,1670 (fechamento) com stoploss a € 1, 185, nesse segundo caso, deve-se alocar metade do volume.

- David, veja se entendi bem, você está apostando na baixa, não sabe bem o nível que deve entrar. Para não correr o risco de vender mais baixo que agora - € 1,1760, porque não vende de imediato e acaba com essa complicação?
Acredito que já comentei essa forma de operar em alguma situação semelhante, mas não custa repetir. O problema de vender agora seria estabelecer o stoploss - € 1,185 ou € 1,21? O primeiro seria ótimo, mas não tem nenhuma indicação técnica, o correto seria € 1,21. Então, o risco de perda é de 2,90% (€ 1,176 para € 1,21) com um resultado esperado de 3,1% (€ 1,176 para € 1,14). Além de não me parecer um bom risco retorno, caso o mercado suba, iria sofrer bastante até sua reversão.

Melhor aguardar um melhor momento, como sempre enfatizo, Let’s the market speak!

O Sp500 fechou a 2.569, com alta de 0,16%; o USDBRL a R$ 3,2432, com alta de 0,17%; o EURUSD a € 1,1759, com alta de 0,10%; e o ouro a U$ 1.276, com queda de 0,42%.


Fique ligado!

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