2020: O risco vai compensar?

19 de fevereiro de 2020

Incomodado



Tenho me sentido incomodado com o desenrolar do coronavírus, a minha sensação é de que vai ser mais complicado que os mercados fazem aparentar. Também é verdade que não tenho mais informação da que está na imprensa, é mais uma percepção.

Os problemas que se pode ter encontram-se em duas frentes: primeiro, saber quando haverá uma solução final nos casos observados diariamente, ou em outras palavras, como e quando haverá o controle; segundo quais os impactos econômicos que surgirão em função dessa paralisação.

Extrapolando o padrão histórico, o Banco Goldman Sachs observa que "longos tempos de envio para os EUA (geralmente 1 mês ou mais) implicam que os efeitos na cadeia de suprimentos, referente ao déficit na produção chinesa, podem não se materializar completamente até os próximos trimestres - quando a produção chinesa estiver produzido acima da demanda, ou a substituição de importações de outros países poderia compensar parte do impacto ".


No entanto, analisando dados granulares do comércio internacional do Census Bureau, a Goldman descobriu que quase um terço dos produtos chineses chegam por via aérea (em valor, incluindo mais de 75% do hardware de telecomunicações). Esses produtos representam 3,6% das vendas no varejo dos EUA e pouco menos de 1% das despesas de consumo pessoal. A composição desses produtos (e seu valor) é mostrada no painel esquerdo do gráfico abaixo e representa o setor com maior probabilidade de ser impactado, pois a China permanece paralisada. Não é de surpreender que as importações de frete aéreo sejam inclinadas para produtos leves e de alto valor, como smartphones, laptops e eletrônicos de consumo, representando um grande problema para uma empresa como a Apple, que depende dos três. Além disso, uma parcela significativa de vestuário e calçados (10%) também chega da China de avião.

Para resumir, aqui estão os setores mais em risco de uma crise contínua nas fábricas chinesas:


A título ilustrativo, a Goldman observa que, se o frete aéreo da China continental cair 50% em fevereiro e voltar ao normal em março, as vendas perdidas poderão reduzir o controle mensal de varejo em até 1,8%. Supondo que apenas metade desse dinheiro gasto seja usado na compra de outros bens e serviços, os gastos do varejo em fevereiro seriam deprimidos em 0,9%, diminuindo o crescimento do consumo no primeiro trimestre em 0,3%.

A boa notícia, pelo menos até a noite passada, é que praticamente nenhuma empresa divulgou um impacto adverso imediato emergente devido às cadeias de suprimentos chinesas, gerando algumas esperanças de que a maioria, se não todas, encontrou substitutos alternativos na cadeia de suprimentos, para compensar a crise chinesa. No entanto, com o corte das previsões da Apple, agora parece que as empresas americanas esperavam apenas adiar o máximo possível esses anúncios. Como resultado, espera-se agora uma cascata de pré-anúncios negativos da maioria das empresas que têm uma exposição modesta à produção chinesa, o que também significa que os ganhos do primeiro trimestre estão cada vez mais sombrios depois da modesta recuperação do lucro por ação no quarto trimestre. 

Fiquei pensando na greve dos caminhoneiros em 2018, o Brasil ficou parado por poucos dias, mas o estrago foi grande. Me recordo que vários empresários tiveram problemas de abastecimento em sua linha de produção por algum tempo. Outra consequência foi a elevação da inflação nos dois meses subsequentes. As fábricas da China ficaram paradas por pelo menos 3 semanas, e não voltaram a funcionar de forma regular, será que não teremos algo semelhante ao que ocorreu aqui? Espero que eu esteja errado e as consequências sejam menores do que eu, o melhor, o mercado de ações, imagina.

No mercado de moedas, desde que o coronavírus se tornou um problema mundial, o dólar se fortaleceu contra todas as moedas, sendo que o real teve a pior performance. Acredito que essa diferença da nossa moeda, seja consequência de um posicionamento reprimido, por conta da queda de juros. O que quero dizer é que, uma parcela dos investidores que já queria sair (ou foi stopado) de sua posição, aproveitou esse momento para zerar.


No post retorno-miragem-ou-engano, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “um nível importante se aproxima. No gráfico com janela de 1 hora aponto um potencial nível onde poderá ocorrer o final de um ciclo de alta de curto prazo”...


Num mercado impulsivo, como ocorre atualmente no SP500, fica difícil a contagem de ondas pela Teoria de Elliot Wave, não que as 5 ondas não sejam visíveis, mas sim porque acaba acontecendo desdobramentos de ondas, que fogem um pouco ao padrão. Por essa razão, por mais que se tenha convicção da reversão de um movimento, não opere vendido, no máximo zere sua posição e aguarde para confirmar se estava certo.

Nossa posição no SP500 foi liquidada na semana passada, e até o momento, não ocorreu a correção que eu estava esperando. Dependendo do que acontecer entre hoje e amanhã, posso entrar novamente com um trade de compra. Lembrem-se, compromisso é com o bolso!

No gráfico a seguir, apresento os novos objetivos, caso o SP500 ultrapasse os níveis atuais ao redor de 3.390. O próximo objetivo se encontraria ao nível de 3.470.


Não fico impressionado pelo fato de a bolsa atingir máximas em sequência, afinal, se um ativo sobe é natural que ultrapasse níveis anteriores. Esse efeito é mais psicológico, pois fica a sensação de que o mercado vai cair logo em seguida a sua entrada. O que me incomoda é quando fico em dúvida sobre questões técnicas, você espera uma configuração e acontece outra, ou não é clara.  

Aprendi da forma mais cara - perdendo dinheiro, que em dúvida não se deve fazer nada!

O SP500 fechou a 3.386, com alta de 0,47%; o USDBRL a R$ 4.3649, com alta de 0.21%; o EURUSD a 1,0808, com alta de 0,16%; e o ouro a U$ 1.611, com alta de 0,59%.

Fique ligado!

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