2020: O risco vai compensar?

14 de fevereiro de 2020

Operando no escuro



Eu acredito que, o impacto do coronavírus ninguém sabe exatamente qual será, nem tampouco como poderá evoluir. Em outros momentos os mercados estariam bem apreensivos, afinal, não gosta de dúvidas. Porem, não é isso que está acontecendo. O mercado caminha como se estivesse no escuro não se preocupando com os eventuais riscos.

Comentei essa semana a enorme quantidade de liquidez injetada pelos bancos centrais, o volume atingiu U$ 20 trilhões. Essa abundância associada a juros baixos tem incentivado os investidores a assumir mais riscos, qualquer risco!

Ontem foram publicados os dados de inflação. O CPI ficou em 2,5% a.a. Mesmo excluindo os itens voláteis como gasolina e alimentos, o nível é aproximadamente o mesmo desde 2017. Ambos indicadores – CPI e CPI core, encontram-se razoavelmente contidos, não apresentando nenhuma ameaça a uma eventual deflação, ou mesmo a elevação da inflação.


Um outro argumento em termos de política monetária poderia vir pelo fato de o Fed usar um outro indicador – PCE, que tem ficado abaixo do CPI. Entretanto, segundo a projeção do Banco Nomura, no decurso deste ano, deveria atingir o objetivo traçado pela autoridade monetária de 2% a.a.


Outo dia um leitor me perguntou se eu investiria no setor Industrial no Brasil. Minha resposta foi um categórico não. O principal motivo não é que não acredito no Brasil, mas não acredito na Industria em lugar nenhum. O gráfico a seguir, que segrega a inflação de serviços dos produtos nos EUA, aponta a diferença entre esses segmentos da economia americana.

Quando eu comecei minha vida profissional se dizia que havia 4 bons negócios: um banco ótimo, um bom banco, um banco mediano, e um banco ruim, todos eram rentáveis. De maneira inversa se pode dizer hoje da indústria.


Sobre esse assunto, os analistas, vira e mexe, ficam perplexos com a falta de investimentos num momento que as economias estão se recuperando e as condições financeiras estão tão frouxas. As comparações são as mais diversas para concluir que deveriam estar bem melhores. Uma parte deles acredita que agora vai, e outra parte usa esse argumento para dizer que os empresários estão receosos. Será que o motivo não é outro, mais estrutural? No passado crescimento significava a compra de máquinas, contratações etc., hoje em dia, meia dúzia de jovens iniciam um start up investindo quase nada, no máximo comprando alguns computadores e espaço nas nuvens. Lógico que estou exagerando, mas será que é necessário tanto investimento hoje em dia?


Uma comparação dos lucros das 5 maiores empresas de cada setor comparado com as restantes do mesmo setor, aponta a diferença em seus resultados. É indiscutível a concentração dos negócios em toda a economia americana, e provavelmente do mundo. Isso por si só, já é uma indicação de menos necessidade de investimentos, afinal, quando as grandes adquirem as pequenas é de se supor que haja economia de escala.


No post alegria-de-rico-dura-pouco, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “o nível de 1,44% passa a ser de grande importância, isso claro, se negociar abaixo de 1,5%, como apontado a seguir” ... ... “Não sei se o juro já está no caminho de novas mínimas, se vai reagir e subir ao atingir 1,44%, ou uma correção mais chata está se desenvolvendo” ...


Nada de muito interessante tenho a acrescentar em relação a semana anterior, haja visto que, houve pequena oscilação. Somente marquei no gráfico acima, que pode estar se formando um triangulo cujo movimento mais provável seria para uma queda dos juros.


O que sim pode soar estranho aos leitores é a precoce liquidação da posição de dólar, feita hoje pela manhã. Vou tratar esse assunto com mais detalhe numa postagem de Youtube, bem como, na próxima segunda-feira como de costume. Para não deixar em suspense, vocês devem lembrar que eu tinha receio de um false break: como-perder-as-calcas-com-uma-barbada ...” coloquei um trade de compra de dólar a R$ 4,29 com stoploss curto de R$ 4,24, pois o rompimento de hoje poderia ser um false break” ...

Na verdade, não foi um false break porém seu efeito é semelhante. Quando propus o trade existiam dois cenários possíveis que acabei não externando, pois acreditava mais num deles, e parece que o outro acabou acontecendo.

Não mudei meu call de longo prazo, mas acredito que podemos nos posicionar num nível melhor nas próximas semanas.


O SP500 fechou a 3.380, com alta de 0,18%; o USDBRL a R$ 4,2974, com queda de 1,20%; o EURUSD a 1,0831, sem variação e o ouro a U$ 1.583, com alta de 0,49%.

Fique ligado!

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