2020: O risco vai compensar?

6 de fevereiro de 2020

O que fazer com a Europa


Antes de iniciar o tema do post de hoje, queria fazer alguns breves comentários sobre a decisão do COPOM em reduzir a taxa SELIC para 4,25% a.a. No comunicado houve a introdução da frase que indica o termino deste ciclo de baixa "o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária".

Três fatores, em particular, parecem ter contribuído para que o Banco Central optasse por sinalizar a interrupção do ciclo de cortes da Selic:

1.       As medidas de inflação subjacente encontram- se em níveis compatíveis.
2.       Os modelos de projeção apontam para o centro da meta em 2021.
3.       Os efeitos defasados do afrouxamento iniciado em julho de 2019.

Na avaliação do Mosca não tinha como não reduzir asa taxa, haja visto que, o mercado apostava quase que 100% que isso iria acontecer. Caso resolvesse desafiar o mercado não reduzindo poderia criar um stress desnecessário, já que 0,25% não faz a menor diferença, o importante é o nível de 4%.

A decisão demorou a ser anunciada o que não vinha acontecendo nas reuniões passadas, deve ter dado muita discussão. Me parece que a situação se assemelha aquela aonde um filho repete um ato do qual já tinha jurado não fazer mais, e o pai resolveu aceitar mais esta vez dizendo “é a última!”

O gráfico de um período de 20 anos, mostra claramente a frouxidão da política monetária atual adotado pelo BCB. A taxa de juro real está negativa (eba! nós também), uma situação que não deveria perdurar a não ser que, a economia cresça com padrões internacionais de hoje em dia.


A nova Presidente do BCE, Cristina Lagarde, como boa francesa que é, resolveu tirar o bumbum da reta, ao dizer que que toda a culpa não se pode atribuir ao BCE, como o único impulsionador do aumento dos preços das casas e da menor rentabilidade bancária, pressionando contra as críticas a suas políticas monetárias ultra frouxas.


A taxa de depósito do BCE está abaixo de zero há mais de cinco anos e parece provável que ela permaneça lá nos próximos anos, estimulando a preocupação com os efeitos colaterais negativos.



Se Lagarde não está disposta a assumir toda a culpa pelos negativos, ela equilibrou isso ao reconhecer que o BCE não era o único salvador da área do euro.

Fazendo referência aos repetidos comentários de seu antecessor, Mario Draghi, sobre o desempenho do mercado de trabalho da área do euro, desde a crise financeira, ela disse que a política monetária é apenas uma parte do quadro.

"Continuamos nos referindo à criação de empregos e não usarei os 11 milhões de empregos criados desde 2013 porque a política monetária foi um dos vários fatores que contribuíram", disse ela. "Mas, claramente, a política monetária atual pode reivindicar uma parte das criações de empregos."

O Banco Central Europeu não deixará pedra sobre pedra em sua busca para explicar a teimosa fraqueza da inflação. Até que os resultados de sua revisão estratégica de longo prazo sejam publicados, o BCE continuará focado em seus indicadores preferenciais de pressão de custo subjacente. A Bloomberg Economics replicou quatro delas e vê sinais de aumento da pressão de custos. Mas os ganhos de preços ainda permanecem muito baixos - a BE prevê que levará quase dois anos para que a inflação atinja taxas que levariam a uma conversa sobre o BCE retirar seu estímulo.


O índice de surpresas para a Europa publicados pelo Citibank aponta para uma boa recuperação nesse Continente. A última retração, que ainda não capturou os efeitos do coronavírus, parece mais um ajuste que uma virada de direção.


O Mosca é um crítico ferrenho do euro, já escrevi inúmeros posts com os motivos que justificam meu ceticismo. O gráfico a seguir que mostra a evolução do PIB per capta na zona do euro, aponta a Itália como sendo o grande problema. Adoro os italianos e sua comida, mas eles não se prepararam para enfrentar a concorrência de sues vizinhos, enquanto outros países do Club Med (lembram!), Espanha e Portugal o fizeram.

Não fiquem animados com os dados da Irlanda, pois ao decidir ser o paraíso das Off Shore na Europa, tem distorcido essa estatística (poucas habitantes e muita receita concentrada nessas empresas).

 
Se o Brexit se mostrar menos danoso que as previsões, a Itália poderá pensar seriamente em sair do euro, pois quando se chega a um ponto de não ter nada a perder, as decisões ficam mais fáceis.

No post post-de-numero-2000, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ... “O movimento de alta recente levou o ouro a U$ 1.610, porém, no dia em que atingiu essa marca, fechou em baixa, recuando até U$ 1.550. Essa queda pode ser considerada como um key reversal, na linguagem técnica. Nos dias subsequentes ficou com oscilações mais comedidas. A dúvida é se a onda 5 terminou como anotei abaixo” ...  Nesse post, também fiz várias análises que merecem ser revisitadas.

Antes que meu amigo pergunte se é para comprar ou para vender, me antecipo: Não sei! Confesso que diversas vezes fiquei propenso a comprar, várias outras a não fazer nada e muito poucas (acho que nenhuma) para vender. Do ponto de vista técnico tem para todos os gostos. Talvez o real motivo de não ter comprado é que conforme noto no gráfico a seguir, a alta em azul não convence.

Embora o gráfico acima possa parecer confuso, aponto 3 possibilidades:

Triângulo (laranja) – O ouro estaria na formação de um triângulo, configuração bem possível nesse estágio de ondas (4).
Zig zag (verde) – Neste caso, o ouro atingiria uma mínima entre U$ 1.510 a U$ 1.520, antes de começar a subir.
Negação (vermelho) – Abaixo de U$ 1.510 aumenta a chance de o ouro ter feito a máxima em U$ 1.610 (veja comentários no post acima).

O ouro está próximo do meio do caminho do triangulo, e ainda distante do Zig zag. Não vou fazer nada por enquanto. Vamos observar mais alguns dias.

O SP500 fechou a 3.345, com alta de 0,33%; o USDBRL a R$ 4,2812, com alta de 1,10%; o EURUSD a € 1,0977, com queda de 0,18%; e o ouro a U$ 1.566, com alta de 0,63%.

Fique ligado!

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