2020: O risco vai compensar?

25 de outubro de 2012

Fachh favor


Meu pai era Polonês e durante a 2ª Guerra Mundial,  teve que fugir para a Rússia por conta da perseguição Alemã, quando a batalha terminou imigrou para o Brasil. Ao chegar aqui com uma mão à frente e outra atrás, aprendeu a falar Português com um sotaque peculiar e inúmeros erros de pronúncia. Ele era bastante calmo, mas quando alguém fazia algo que o irritava, argumentava rapidamente e exclamava: Fachh favor! Que queria dizer faça-me um favor.

Ontem no Jornal Valor foi publicada uma entrevista com nosso Ministro das Finanças, Guido Mantega. Desconsiderando alguns termos chulos que não se adequam ao cargo que ocupa, ele acha que o país está vivendo uma “revolução”, os motivos para tal entusiasmo são a queda das taxas de juros de 12,5% para 7,25% e a desvalorização da taxa de câmbio. Revolução?

Comenta que a inflação é prioridade e que a recente elevação se deve ao choque de oferta, como se diz em economia, pela elevação dos preços das commodities, é verdade, mas não é só por estes itens que a mesma vem sendo pressionada. Para comprovar, utiliza-se o chamado índice de difusão, que significa o quanto a inflação é causada por um grupo de produtos ou é generalizada. No gráfico a seguir, quanto maior o numero de produtos que estão subindo, maior o índice de difusão.Pode-se verificar que a inflação está subindo em todos os núcleos, descartando a hipótese que são só as commodities.


Já no quesito câmbio, qualquer BC pode comprar a quantidade que quiser de moeda estrangeira, mas achar que isto é a solução para a Indústria está longe de ser verdade. Dizem os estudiosos na matéria cambial que, intervenções são medidas temporárias a fim de evitar flutuações indesejadas, mas utilizar-se deste mecanismo como política econômica, distorce um dos mais importantes preços de uma economia. A consequência é como se nossa indústria recebe-se um subsídio, mas que teria que ter uma data de término, pois caso contrário, o seu impacto cria ineficiências.

Economia é uma ciência complexa que se desenvolveu bastante nos últimos anos, entretanto existem alguns princípios básicos que, se não forem seguidos, têm consequências futuras, e  usar a taxa de câmbio e os juros para promover o crescimento a qualquer custo, normalmente gera inflação, e não adianta tentar convencer os agentes econômicos, ou pior acreditar que agora é diferente.

 Se meu pai fosse vivo diria: Sr. Ministro, fachh favor! 

Se eu tivesse que escolher o assunto mais discutido este ano, a opção seria o Euro, nada ocupou mais as manchetes de jornais e noticiários. Mas também poderia resumir que, embora inúmeras tentativas foram feitas, até hoje não parece existir uma solução para o imbróglio em que estão metidos. Seria de se esperar que a moeda única estivesse largada, em baixa, mas veja abaixo sua performance durante este ano.


Eu anotei com um círculo o início do ano e depois de subir no 1º quadrimestre, cair no 2º quadrimestre e subir recententemente, está exatamente onde começou. Que tal, daria para imaginar está trajetória? Esta é a razão que fui tão cético quando todos queriam vender, e não porque eu não achava que os acontecimentos justificavam, mas sim porque estamos numa correção complexa, e nestes momentos todo cuidado é pouco. Lembrem do lema do ano, DFPH, e está muito pior do que eu imaginava!

O SP 500 fechou a 1.412, com alta de 0,30%; o real a R$ 2,0250, sem variação; o euro a 1,2926, com queda de 0,33% e o ouro a US$ 1.710, com alta de 0,56%.
Fique ligado!

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