Inflação: A Revanche

7 de abril de 2016

Hemorragia Fiscal


O diagnostico de hemorragia interna é dado pela perda de sangue circulatório para dentro das cavidades ou para fora delas. Ela pode ser pequena e pouco significativa ou importante, até letal. É dessa forma figurativa que eu vejo o Brasil, do ponto de vista econômico.

Como comentei ontem, vou abordar hoje as informações oriundas da reunião mensal da Rosenberg. Inicialmente, a avaliação das possibilidades políticas. 


Antes de analisar cada uma das alternativas,  enfatizo que não sou partidário de alocar uma probabilidade a cada uma delas, a razão é que seria de pouca valia. Prefiro apontar que opção é mais provável. Assim, “Temer assume” é mais realizável que a de “Dilma fica”.

Inicialmente o cenário mais desejado. Se Temer assumir (3), acredito que uma onda de otimismo tomará conta do país, acarretando uma valorização do “kit Brasil” – queda do dólar, queda dos juros e alta da bolsa. Entretanto, caso a esquerda ganhe força, e entre no TSE com um pedido de impedimento (4), a lua de mel pode ser curta. Nesta situação ficará incerto quem comandará o país. Além do mais, nem todo mundo que é a favor da saída do PT, é a favor do Temer.

Na hipótese da Dilma continuar, na reunião, foi sugerido uma opção heterodoxa (2), que teria o seguinte racional: Com o pedido de impeachment sendo rejeitado, imediatamente Lula “assume” o governo, e convida Henrique Meireles para o Ministério da Fazenda. Deixa claro aos empresários que está comprometido com um ajuste fiscal, e tudo mais necessário para colocar as contas fiscais em dia. Outra hipótese seria a Dilma continuar com o mesmo programa que vem tentando governar (1), e dane-se o mundo!

Honestamente tenho dificuldades de imaginar que o plano (2) poderia funcionar, para mim, (1) e (2) teriam resultados semelhantes, ou seja, o mercado venderia o “kit Brasil” - alta do dólar, alta dos juros e queda da bolsa;

Enquanto esse embrulho não se resolve, as contas fiscais continuam numa trajetória alarmante. Escolhi alguns slides para ilustrar. A seguir, a evolução das receita e despesa primária. É visível que a partir de 2012, depois de passar vários anos com superávit, as curvas se inverteram, e sem a mínima tendência de estabilização.


Um dos grandes causadores do problema, são as contas previdenciárias como pode ser visto no gráfico a seguir.


O grande problema, do qual já frisei anteriormente, é que as maiores parcelas das despesas são indexadas. Qualquer alteração depende de aprovação do Congresso.

A equipe da Rosenberg realizou uma simulação para 2016, assumindo premissas bem otimistas. Chega-se a um déficit de R$ 170 bilhões que representam 2,75% do PIB. É bem verdade que esse ano poderá haver uma ajudam até que considerável, do imposto relativo à repatriação de recursos, algo como R$ 80 bilhões. Mas não resolve o problema de longo prazo.

Se nada for feito, pode-se acrescentar algo como R$ 50 bilhões por ano. Essa é uma projeção que seria explosiva para a dívida brasileira, atingindo um percentual de 90% do PIB por volta de 2019.

Mas qual seria o esforço fiscal necessário para estabilizar a dívida? Num cenário realista, algo como 3% do PIB, acarretaria um esforço fiscal de R$ 365 bilhões, equivalente a 5,5% do PIB. Vocês não precisam ter dúvidas que se algum governo sério quiser resolver a espiral do endividamento, serão necessários corte de despesas profundos e aumentos de impostos. Quem irá pagar a conta é que não sabemos.

A Rosenberg precisa informar seus clientes sobre suas projeções para o futuro. Ainda bem que eu não tenho, vou ficar só com os números de 2016. Daí em diante, os resultados podem se alterar significativamente, em função do caminho político.

Veja o quadro a seguir que chamei de resultados “laboratorial” do Brasil.


Não precisa ser um médico em finanças para concluir que os exames indicam um quadro gravíssimo, e nem pensar no caso da Dilma ficar, pode preparar a UTI! Nossa única esperança é uma mudança de governo, e mesmo assim, não sei se conseguirão fazer as reformas necessárias.

Como no caso da hemorragia, existem vários níveis de gravidade, em função do sangue perdido. A alternativa (1) estaria classificada no nível 4, continuaria a jorrar sangue. O cenário (3) é de difícil mensuração, mas sem dúvida muito melhor que o modelo usado pelo PT, cujo o único objetivo e se perpetuar no poder a qualquer custo!

Hoje o comentário de mercado será breve, em consequência de uma agenda intensa que tive durante o dia. No post piano-piano-se-va-lontano, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ..."As condições são as seguintes: comprar euro num fechamento acima de 1,1380, com um stop a 1,1280 e um target ao redor de 1,17, a ser melhor definido"... No dia seguinte, o trade foi executado e a posição continua em aberto.
O círculo em verde mostra uma certa indefinição no curto prazo, Só nos resta aguardar que haja o rompimento do nível de 1,15. Caso contrário, ainda não seria desta vez que, o euro surprenderá os analistas, inclusive o ECB!

O SP500 fechou a 2.041, com queda de 1,20%; o USDBRL a 3,6847, com alta de 1,23%; o EURUSD a 1,1368, com queda de 0,25%; e o ouro a US$ 1.240, com alta de 1,52%.

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