Inflação: A Revanche

19 de abril de 2016

A ilusão do gênio


Dentre todas as classes de fundos de investimento disponíveis ao público, a dos Hedge Funds é a mais misteriosa. Enquanto as outras categorias se sabe o que se pode esperar como retorno, ficando apenas a discussão de um desvio em relação ao benchmark, essa outra se compromete a perfomar quaisquer que sejam as condições de mercado. Assim, por terem liberdade de ação, podem se beneficiar de mercados em alta ou em baixa, da bolsa ao ouro, e etc...

O que os investidores consideram na escolha desses fundos são: quem são seus administradores; e os seus retornos passados. Para realizarem esse serviço cobram uma taxa de administração de2 % a.a. e uma taxa de sucesso de 20% do que exceder seu benchmark – no caso brasileiro, majoritariamente o CDI.

Desde 2015 eu estou frequentando as aulas da FEA dos cursos de mestrado e doutorado, na área de finanças. Essa minha empreitada me colocou em contato com diversos estudos acadêmicos. Especificamente a esses fundos, os resultados não são muito animadores, pois mostram que o retorno não tem uniformidade no longo prazo. Neste semestre, eu e mais uma colega, pretendemos analisar se um portfólio de fundos multimercados apresenta um retorno superior a uma simulação de carteiras escolhidas por sorteio. Vamos ver quais serão os resultados.

Em qualquer prospecto de fundo existe um disclaimer, normalmente em letras minúsculas, dizendo que resultados passados não são garantia de resultados futuros, isso não poderia ser mais verdadeiro nessa classe. Uma estatística feita pela ANBIMA, chega à conclusão que 80% dos fundos brasileiros não existem mais depois de 5 anos, uma proporção elevadíssima.

Mas qual seria o motivo para um índice tão elevado? As pessoas erram! Além do mais, despois de um período onde um gestor acerta na mosca, o mesmo é levado a crer que é um gênio, e sabe com "certeza" o que vai acontecer. Mas geralmente ocorre ao contrário, e o seu ego não permite realizar seus erros. Quando entra num período como esses, os resgates se aceleram e a gestão do fundo entra num ciclo vicioso.

É natural que existam vencedores, mas são exceções e não a regra. Além do mais, o custo para o cliente é muito elevado, e a performance depois de cobrada não retorna ao fundo num eventual período de retornos ruins. Não estou cuspindo no prato em que comi, mas é desta maneira que encaro hoje este segmento. Minha carteira de investimentos não tem nenhuma dessas estrelas!

Recentemente o Wall Street Journal publicou um artigo, onde aponta que, os maiores fundos de pensão americanos estão resgatando enormes quantias dessa classe de fundos. Marc Levine, Presidente do Illinois State Board, que administra US$ 16 bilhões em investimentos, fez a seguinte pergunta: ...”Why do I need you?”... E muitos administradores estão se fazendo a mesma pergunta. Esses gestores concluíram que os resultados dos últimos 6 anos ficaram atrás de um mix mais tradicional de títulos de renda fixa e ações.

A categoria não irá se extinguir. Segundo empresa que acompanha esses fundos nos USA, os mesmos contabilizam no 4º trimestre de 2015, um total de US$ 2,9 trilhões. Novos fundos entrarão e outros serão fechados. Parece que uma gestão dinâmica de troca de fundos seria recomendada, mas qual o critério para seleção de quem entra e quem saí? Não saberia responder, vamos ver se o trabalho que estamos desenvolvendo fornece alguma luz. Nesse meio tempo, se você tem recursos aplicados ou pretende aplicar, considere os argumentos acima.

No curto prazo, o gráfico a seguir aponta que os Hegde Funds não se encontram posicionados na bolsa americana, muito diferente de suas posições no ano passado.

Já o VIX, que mede a volatilidade da bolsa, encontra-se nos patamares mínimos históricos, o que pode indicar um movimento de alta da bolsa.
Caso isso aconteça, os resultados desses fundos ficarão abaixo dos fundos de ações, o que pode aprofundar os resgates dessa categoria. Como diria Milton Leite: ...“Que fase! ”...

Eu venho comentando que a melhora dos preços de ativos brasileiros é razão de duas componentes, a possibilidade do impeachment da Dilma – o que se encontra a caminho, e a alta dos preços das commodities. O gráfico abaixo apresenta a correlação do real com as commodities.
Notem que o maior deslocamento aconteceu entre julho e outubro de 2015, onde estávamos numa crise política sem vislumbrar uma saída. A partir daí, voltou a seguir muito de perto o índice de commodities. CQD!

No post Temer-test-drive, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” Em função disso, sugiro dois caminhos, o que eu ainda mais acredito, é que a correção ainda não terminou (1) e ainda podemos comprar o ouro a US$ 1.180, e a outra é que se encontra no primeiro estágio de uma nova alta (2), neste caso, o nível de US$ 1.282 é o triger”... ...”Para o caso (2) recomendo compra, se no fechamento esteja acima de US$ 1.282, com stoploss a US$ 1.240...
Depois de ter caído nos últimos dias até US$ 1.225, retornou hoje ao ponto onde estava desde a última atualização.

Como é visível, desde de fevereiro que o metal não sabe para onde vai. Com altas e baixas contidas entre US$ 1.200 – US$ 1.270, um intervalo bastante pequeno de 5%, se considerado a volatilidade esperada. A única coisa que pode se afirmar é que, está numa correção e sem uma direção ainda clara. Está é a razão que sugeri um trade com preços duplos: Ou comprar a US$ 1.180 ou a US$ 1.282. No post indicado acima, existe uma explicação do por que.

O SP500 fechou a 2.100, com alta de 0,31%; o USDBRL a R$ 3,5327, com queda de 2,27%; o EURUSD a 1,1358, com alta de 0,42%; e o ouro a US$ 1.249, com alta de 1,49%.
Fique ligado!

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