Inflação: A Revanche

6 de abril de 2016

"Gridlock"


A palavra “Gridlock” em inglês tem vários significados, o mais comum é quando indica uma situação complexa sem que se consiga chegar a uma solução.

Gostaria de dividir uma estatística intrigante sobre o mercado de trabalho americano. Vocês devem lembrar que eu citei várias vezes a queda do índice denominado “participation rate”, que é calculado da seguinte forma: divisão do número de pessoas trabalhando somada as que estão ativamente procurando por trabalho, pelo total da população entre 16 anos e 60 anos.

Quando este índice cai, indica que existem indivíduos que não estão no mercado de trabalho, embora pudessem estar. É como se existisse um estoque de potenciais trabalhadores prontos para entrar no mercado de trabalho.


O FED interpreta esse dado como um excedente de mão de obra disponível, que entrariam no mercado de trabalho, quando a taxa de desemprego caísse muito. Muitas teorias sobre o assunto foram elaboradas, porém mesmo com uma taxa de desemprego baixa em nível de 5%, esse indicador não retrocedeu. O que estariam fazendo essas pessoas?

Muitos argumentam que é pela mudança demográfica, o fato da população americana estar mais velha. Com uma longevidade maior e a necessidade de complementar sua aposentadoria, são razões suficientes para justificar parcialmente a queda. Mas o gráfico a seguir não corrobora com essa ideia, o deslocamento entre 1999 e 2014 é mínimo.


Até agora as informações acima não são muito diferentes do que já se publicou, mas o próximo gráfico realmente é surpreendente, ao segmentar a população entre homens e mulheres.


Inicialmente o indicador para os homens começa a cair a partir de 1970, e é onde a das mulheres começa a crescer. Pode-se imaginar que nesse período existiu uma substituição de postos de trabalho, que até então eram ocupados por homens. Mesmo assim, a curva para as mulheres cresce até o início dos anos 2000. A partir daí, enquanto o “participation rate” teve uma queda de 4 pontos de seu pico para os trabalhadores do sexo feminino, a dos homens caiu 10 pontos.
   
Ao me deparar com essa estatística, fiquei pensando o que esses homens estariam fazendo? A hipótese de que estão em casa cuidando dos filhos não convence, devem ter outra fonte de renda.
 
Nós não temos familiaridade às estatísticas americanas, mas valeria uma pesquisa mais profunda sobre esse assunto. Porém, se existe uma parte da população que não é considerada na força de trabalho, mas que de alguma forma estão gerando renda – motoristas do Uber, desenvolvedores de aplicativos, e etc..., olhar para taxa de desemprego somente, não é uma boa medida da saúde do mercado de trabalho. Gridlock!

Eu pretendia comentar sobre a reunião da Rosenberg, mas vou deixar para amanhã. A razão é que tornaria esse post muito longo, além de externar opiniões, ainda envolvido por raiva pela situação atual. Só posso adiantar que o Brasil encontra-se numa situação dramática, economicamente falando, e não existe uma solução visível num horizonte próximo.

No post cabo-de-guerra fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ..." Vou continuar com a hipótese que o ouro está consolidando, e fazer um pequeno ajuste na ordem original, onde o novo preço de compra passa para US$ 1.200, mantendo o stoploss a US$ 1.140. Por outro lado, não posso garantir que o metal chegue nesse nível, Pode ser que, o mesmo suba de um nível superior. Mas prefiro ficar com as evidências técnicas e estatísticas”...

Temos uma sugestão de trade colocada no início de março e ajustada marginalmente no post acima.


O ouro não vem mostrando muita força nesses últimos 30 dias, é verdade também, que não mostra muita fraqueza. Mas essa “demora” sugere que o preço de compra deva ser ajustado para US$ 1.180, conforme apontado no gráfico acima. Por um lado é bom, pois nosso prejuízo calculado será menor, da ordem de 3,4%.

- David, e se você perder a oportunidade de compra por causa de apenas US$ 20?
Opa, bom sinal, pensei que você tinha abandonado o Mosca! Hahaha... Respondendo sua pergunta, com certeza pode acontecer. Mas nenhuma operação é o “trade da vida”. Entrarmos em oportunidades que apresentam um bom risco x retorno financeiro aliado com a sua probabilidade de ocorrer.

No caso específico do ouro, parece que o retardamento da recuperação deixa os preços mais vulneráveis ao segundo patamar de compra, é só por isso.

O que eu não comentei também, é que do ponto de vista de médio e longo prazo, o ouro ainda poderá cair abaixo dos US$ 1.045, atingido em dezembro último. Para que essa situação fique mais concreta é necessário que o metal negocie abaixo de US$ 1.140 e principalmente US$ 1.110.


Aos leitores que poderão interpretar que o Mosca, continua com seu refrão ”pode subir, mas também pode cair”, não tenho como confortá-los. Se um ativo onde eu imagino que deva subir, cai, sou obrigado a refazer minhas análises. Isso, em todo caso, é melhor que ficar apaixonadamente comprado até a morte. Nesse caso a morte é financeira! 

O SP500 fechou a 2.066, com alta de 1,05%; o USDBRL a R$ 3,6398, com queda de 1,08%; o EURUSD a 1,1397, com alta de 0,13%; e o ouro a US$ 1.221, com queda de 0,73%.
Fique ligado!

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