Inflação: A Revanche

8 de abril de 2016

Desafiando a lógica



Quando em 2011, no post esta-na-hora-de-procurar-outra-vaca, elenquei os motivos pelo quais acreditava que o boom do ramo bancário tinha passado, supunha que os ganhos nesse setor seriam seriamente diminuídos. Desde então, publiquei em outros posts informações que confirmavam minha ideia.

Meu objetivo era alertar principalmente os jovens em início de carreira, que tinham e têm um encanto por essa área. Naturalmente, também movido pelos altos rendimentos que se obteve no passado.

Cometi um erro em minhas previsões quando acreditava que as bolsas cairiam. Não só não caíram como tomaram a mão inversa e subiram. Entretanto as ações dos bancos tiveram uma performance muito ruim quando comparadas ao SP500. Desde o início da crise em 2007 até o hoje, o primeiro caiu -45% enquanto o último subiu 41%.


Mais recentemente, as ações dos bancos encontram-se em nova rodada de queda. Depois que o ECB resolveu enveredar no campo dos juros negativos, acompanhado pelo seu parceiro o BoJ, a atratividade de um banco caiu naturalmente. O próximo gráfico mostra a performance do índice de bancos europeus sobre um índice geral – MSCI Europe.



Mesmo nos USA, onde esta política não foi implementada, os bancos sofreram movimento semelhante, afinal, como anotado em posts anteriores, é a matéria de discussão de hoje colocada abaixo. Os juros longos também estão caindo.



O motivo para quem não é especialista do ramo financeiro é simples, como um banco pode ser rentável se ao emprestar recursos cobra juros negativos? A política monetária não é a única que está vivendo desafios, os contadores dos bancos estão de cabelos em pé, como contabilizar receitas negativas de empréstimo? Tenho uma sugestão, mudem o nome para desreceita! Hahaha...

E assim caminhamos para um setor bancário que já está distante daqueles tempos áureos onde era o local de desejo de todo jovem recém-formado. Hoje em dia, com receitas em queda, desintermediação em curso, só falta os ativos de bolsa caírem, para que no futuro voltem a atividade normal de um banco, que é só emprestar dinheiro!

Vou aproveitar a carona e comentar sobre a taxa de inflação brasileira publicada. O IPCA ficou em 0,47%, muito abaixo dos últimos meses. A taxa anual sofreu uma queda expressiva também, passando de 10,4% para 9,4%. É incrível, estamos comemorando uma inflação de 9,4%!

Eu tenho uma notícia boa e uma ruim. Se fosse ao vivo, todos vocês pediriam para que eu falasse a ruim primeiro, mas como não é vou começar pela boa. Ao invés de Democracia, optei pelo marketing! Hahaha...

A notícia boa é que a queda dos preços administrados é significativa. Depois de atingir um pico de 18% a.a., vêm despencando e encontra-se atualmente em 10,8%. É natural que isso acontecesse, uma vez que, os reajustes maiores de energia, água e etc... já foram feitos no passado.



Hoje vou comentar sobre os juros de 10 anos americanos...

- Ei David, espere um pouco e a ruim?
Hahaha... está atento! A ruim pode-se verificar no gráfico acima, os preços livres não caíram, continuam em níveis elevados ao redor de 9%.

No post Watergate-II, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...”é 1,65% onde, se rompido, fará toda diferença. No post de ontem elenquei as razões que estão impactando esse mercado, e parece que a força dos estrangeiros está sendo maior que a aposta dos analistas americanos”...


Como é visível, essa semana já esteve muito próximo da marca apontada. Vou propor um trade caso os juros feche algum dia abaixo de 1,65%: comprar os juros, acreditando que caiam mais. Isso equivale a compra do título de 10 anos a vista. O stoploss pode ser a 1,80%.


Sei que essa é uma posição contrária a grande maioria dos economistas, mas nosso compromisso é com o bolso, e tecnicamente, essa parece a direção dos juros, para baixo. Por tudo isso, pode ser que a queda dessa vez seja profunda e rápida. Let’s see!


O SP500 fechou a 2.047, com alta de 0,28%; o USDBRL a R$ 3,5950, com queda de 2,55%; o EURUSD a 1,1397, com alta de 0,18%; e o ouro a US$ 1.239, sem variação.
Fique ligado!

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