Inflação: A Revanche

1 de abril de 2016

"Watergate II"



Todos já devem ter ouvido falar do caso Watergate. Em junho de 1972, o jornal Washington Post noticiava na primeira página o assalto do dia anterior à sede do Comitê Nacional Democrata. Durante a campanha eleitoral, cinco pessoas foram detidas quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta no escritório do Partido Democrata.

Dois repórteres desse jornal começaram a investigar o caso e se verificou que, o atual Presidente, Richard Nixon, tinha conhecimento das operações ilegais contra a oposição. Seus advogados argumentaram que ele tinha prerrogativas do cargo e não estaria obrigado a apresentarem informações confidenciais.

Em 24 de julho de 1974, Nixon foi julgado pela Suprema Corte dos USA e obrigado, por veredicto unânime, a apresentar as gravações originais, que comprovam de forma inequívoca, seu envolvimento na ação criminosa. Assim foi aberto o processo de impeachment. Dezesseis dias depois, em 9 de agosto, Nixon renunciou.
 
Mas em que esse evento poderia ser semelhante ao potencial impeachment da Dilma? A não ser o fato de os dois perderem o seu mandato por um ato do Congresso, as razões para essa ação, não guardam quase nenhuma analogia. Ao contrário, os motivos que levam Dilma seriam enquadrados nos USA como um caso absurdo de acontecer, por muito menos a nossa Presidente lá, nunca poderia sair às ruas, provavelmente seria linchada!

Mas a Bloomberg resolveu fazer um gráfico comparando o SP500 e o Bovespa, que apresentam certa semelhança em seus movimentos. Em função disso, imaginou uma sequência de analogias, como pode-se ver no gráfico a seguir. Os dois casos demoraram 2 anos desde o início das investigações, como as fitas infames que levaram Nixon a renunciar, a gravação com o Lula teria colocado o processo um passo mais perto de ser caçada.




Ao mesmo tempo, o artigo ressalta dois pontos importantes a se considerar, primeiro que o Brasil não é a América, onde a corrupção é disseminada; segundo que os estrangeiros que acreditam que o Brasil é uma oportunidade, foram os únicos que apostaram a favor, contando com a saída da Dilma, o que não é certeza de acontecer.




Sabemos que o mercado gosta de certeza, e às vezes criam correlações “criativas” que projetam o futuro de acordo com seus interesses. No caso em questão, não vejo nenhuma relação entre essas duas situações, se funcionar não é por casualidade, está mais para sorte!

Os resultados publicados de emprego nos USA foram bons, um pouco acima do previsto. Criou-se 215.000 novas vagas e a taxa de desemprego subiu para 5,0%. As reações dos mercados não foram significativas e mantiveram os mesmos níveis.




Nesta semana fomos stopados na posição de juros de 10 anos. No post helicópteros-sem-limites, fiz os seguintes comentários: ...” Nesses últimos pregões fiquei mais preocupado, e resolvi colocar o stoploss no nível de entrada 1,85%"... ...” Se formos stopado, bye, bye, mas sem prejuízo! Para dizer a verdade, daria até para apostar ao contrário, no curto prazo”...


Quem seguiu minha recomendação já está ganhando um “troco”, mas como anotei no gráfico é 1,65% onde, se rompido, fará toda diferença. No post de ontem elenquei as razões que estão impactando esse mercado, e parece que a força dos estrangeiros está sendo maior que a aposta dos analistas americanos.




O SP500 fechou a 2.072, com alta de 0,63%; o USDBRL a R$ 3,5618, com baixa de 0,86%; o EURUSD a 1,1395, com alta de 0,15%; e o ouro a US$ 1.221, com baixa de 0,84%.
Fique ligado!

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