Inflação: A Revanche

25 de abril de 2016

Nocaute próximo

Foi pouco noticiado o encontro a portas fechadas entre o Presidente Obama, o Vice-Presidente Biden – não é o Bin Laden, Hahaha! - e Janet Yellen, na semana passada. Ao término deste encontro a Casa Branca soltou o seguinte comunicado: “O Presidente Obama e a Presidente do FED Yellen, se encontraram esta tarde como parte de um diálogo sobre o estado da economia americana. Eles discutiram as perspectivas de crescimento no longo prazo, a situação do mercado de trabalho, desigualdades, e riscos potenciais para a economia. Também discutiram o progresso significativo em andamento, com as reformas em Wall Street, para fortalecer nosso sistema financeiro, e proteger os consumidores”.

O investidor, Ron Paul, não gostando da linguagem “requentada” desse comunicado, pediu ao FED a ata dessa reunião. A resposta foi ...“Nos não mantemos!”...

Em função dessa resposta, esse investidor resolveu tirar suas próprias conclusões, tentando responder a seguinte pergunta: O que a Presidente do FED disse a Obama?

O encontro secreto entre Obama e Yellen, foi seguido por uma reunião secreta e emergencial dentro do FED. O FED teve outra reunião secreta para discutir a reforma bancária. Todas essas reuniões acontecerem após o FED de Atlanta ter atualizado a sua previsão do PIB, para 0,01% de crescimento, perigosamente próximo da definição oficial de recessão.

Assim, a real razão para todas essas reuniões secretas, pode ter sido o pânico que depois de oito anos da criação monetária explosiva, não só falhou em reativar a economia, mas também pode causar uma queda abrupta do mercado.

Na interpretação desse investidor, os políticos e economistas acham as falhas do FED intrigantes. De acordo com o paradigma Keynesiano, que ainda domina a maioria do pensamento de formuladores de políticas, a criação de dinheiro pelo FED deveria ter produzido crescimento, de tal forma, que o FED estaria hoje subindo os juros para evitar o “superaquecimento”.

Mas a única resposta do FED aos seus fracassos é encontrar novas maneiras de injetar dinheiro na economia. Desta forma, eles estão realmente pensando em implementar taxas de juros negativas.
Termina dizendo acreditar que o FED está numa situação inevitável de colapso da moeda. Se medidas imediatas não forem tomadas, esse colapso levará a uma catástrofe econômica, superando a grande depressão.

Será que ele tem razão? Entendo sua angústia ao ver que nada está funcionando e que as alternativas que o FED tem, são unicamente injetar mais recursos, ou implementar uma política de juros negativos, que vem sendo duramente criticada por diversos economistas.

Esta semana será realizada mais uma reunião de Política Monetária pelo FED, e não existe expectativa de elevação de juros. No gráfico a seguir, mesmo na reunião de junho a probabilidade é baixa, da ordem de 20%.



O juro ainda é o instrumento de política monetária mais polêmico nesses dias, vejam a seguir, como o de 10 anos está se comportando.

No post ..mudança para... fiz os seguintes comentários: ...” Parece que o mercado resolveu reagir e saiu da zona de perigo ao nível de 1,65% a.a. Como pode se verificar no gráfico acima, as taxas chegaram próximas a 1,80%. Ainda permanece indefinido, qual será seu próximo movimento. Eu vou manter a minha recomendação, e ela só deve ser eliminada caso os juros ultrapassem 1,85%”.... Como as taxas encontram-se em 1,89%, nossa sugestão de trade fica cancelada.


Desde de 2012, o juro americano vem se movendo dentro de um triângulo, conforme anotado no gráfico acima. Como via de regra, em 2/3 dos casos, o triângulo tende a romper na direção que antecede, e neste caso seria para baixo. Porém, nada impede que seja para cima, contemplando os outros 1/3, somente é menos provável.

Gostaria de comentar o trade que acabou não se realizando. Para alguns leitores pode parecer estranho uma orientação de venda abaixo do nível vigente no mercado, num determinado instante. Porque não vender imediatamente a um preço mais elevado? Se tivéssemos certeza que o mercado irá cair, lógico que seria melhor. Mas quando se tem dúvidas, como neste caso, somente através de uma “confirmação” do mercado que nasce o trade. No final, se estivermos corretos, o resultado será pouco afetado, apenas um pouco menor.

O juro de 10 anos carrega todas as dúvidas do mercado, além da procura pelos investidores estrangeiros por títulos com algum juro, onde as taxas em seus países são negativas. Numa tendência de alta, acima de 2% a.a. daria a primeira indicação, porém é acima de 2,20% - 2,30%, onde ficará mais forte o sinal. Caso contrário, na queda, o nível de 1,65% a.a. rompido, oferecerá o sinal para novas quedas. Entre esses intervalos, é pouco recomendado qualquer trade.

Com o passar do tempo, as retas que contém o triângulo tendem a diminuir, e quanto mais demorar, mais explosivo será o rompimento. Os economistas estão na linha de cima, enquanto o mercado, onde se inclui o investidor citado acima, estão na linha de baixo. Quem irá a nocaute? Hahaha...

Queria terminar o post de hoje exteriorizando minha tristeza com a morte do cantor Billy Paul. Ele foi um astro da minha juventude, e traz muitas lembranças boas daquela época. Suas músicas fizeram muito sucesso, mas certamente, Me and Mrs Jones é a mais conhecida.

Incluiu esse sucesso no post de hoje em sua homenagem. Que descanse em paz!


O SP 500 fechou a 2.087, com queda de 0,18%; o USDBRL a R$ 3,5525, com queda de 0,31%; o EURUSD a 1,1267, com alta de 0,32%; e o ouor a US$ 1.237, com alta de 0,43%.
Fique ligado!


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