Inflação: A Revanche

18 de abril de 2016

Quando a perda significa a morte


Pelo Mosca, meu voto é sim!

Para quem passou 6 horas assistindo à votação da Câmara dos Deputados, notou a quantidade de parlamentares que associaram o seu voto a familiares: mãe, pai, filhos, tias e etc.... por que eu não poderia reverenciar o Mosca! Hahaha... Confesso que entendo o fator emocional envolvido naquele momento, mas a razão do voto deveria venerar seus eleitores e não seus familiares, afinal a quem eles estão representando?

O placar final não deixa dúvidas, quase 72% dos deputados votaram pelo sim. É natural sentirmos um grande alívio. As comemorações mais lembram as conquistas obtidas pela seleção de futebol nos velhos tempos. Será que daqui em diante, ao invés do futebol, que anda de mal a pior, vamos comemorar o banimento da corrupção?

Hoje estamos no day after, e uma sensação de vazio deve acometer a quem luta para tirar esse governo do poder. Inicialmente pensei que a Presidente Dilma faria um pronunciamento, e diria que respeitava a decisão da Câmara, mas que continuaria a lutar para provar sua inocência. Mas sei que não vai acontecer, não com o PT. A razão é que eles encaram as situações diferentes de nós, a palavra perda e morte estão muito próximas.

Vocês já devem ter conhecido pessoas que não aceitam perder. Deve ser um processo de manipulação mental, para que não sofram a dor das desilusões. Melhor debater até a morte do que passar pela frustração. Os seres humanos normais aprendem com seus erros e evoluem, enquanto essas outras ficam estagnadas. A característica mais visível é que essas pessoas são chatas e tendem a não ter muitos amigos.

Não vou nem falar do Lula, cujo objetivo maior é não ser preso, e esse último resultado aumenta muito o risco.  Levando em consideração o seu perfil, buscará se proteger em comícios e discursos para passar a imagem que, mexer com ele é mexer com o povo. 

E o Temer, será que vai fazer um bom governo se assumir? Confesso que fiquei surpreso com sua capacidade de articulação. Sempre foi uma figura discreta, mas isso não significava que permanecia na inércia. Ele é o que se conhece, em linguagem popular, como “moita”. As notícias dizem que está preparando sua equipe, e os nomes que são especulados, principalmente da área econômica, são excelentes. Se conseguir convencer Armínio Fraga, o mercado financeiro interpretaria como o equivalente a um Sergio Moro da economia.

Um passo enorme foi dado na direção correta, mas o caminho será longo, tanto juridicamente, com oponentes dispostos a "lutar até a morte", bem como no convencimento dos parlamentares da necessidade de mudanças intensas, que mexerá com o status quo atual.

Para frente Brasil, mãos à obra!

A maior parte do espaço hoje, foi ocupado com a repercussão do processo de impeachment, o que não poderia ser diferente. Dessa forma, vou ser breve nos dados econômicos. Um gráfico chamou muito a minha atenção, é a velocidade da moeda M2 nos USA.


Esse número mede a quantidade de vezes que é o dólar é usado para comprar produtos e serviços domésticos, por unidade de tempo. De uma forma simplista reflete como o dinheiro circula.  O gráfico cobre o período de 1959 a 2015. Durante as recessões (em cinza), a velocidade tende a decrescer – consumidores poupam mais e as empresas investem menos. 

Acontece que, desde 2007, a velocidade vem caindo, o que significa que os consumidores e as empresas ainda estão segurando caixa ao invés de gastar. Este comportamento reflete a queda da inflação, e sugere que a confiança na recuperação ainda é baixa. Se a confiança for restabelecida, podemos esperar uma recuperação da velocidade de circulação da moeda. Mas por enquanto parece que não existe nenhum sinal disso.

No post um-peso-duas-medidas, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... ”Com o dólar negociando hoje abaixo de R$ 3,57, parece que o primeiro teste do nível ao redor de R$ 3,45, deverá acontecer essa semana. Acho que o dilema permanecerá no final de semana, onde será votado o processo de impeachment da Dilma”... ...”Mesmo que eu tivesse certeza que a Presidente seria afastada, não operaria o dólar em cima dessa informação. Do ponto de vista técnico não existe razão para comprar dólar agora, e assim seguirei com essa indicação”...

Se eu mostrasse o gráfico atualizado hoje, e vocês não soubessem qual foi o resultado do impeachment, diriam com certeza que a Dilma permaneceu no cargo. Aí poderiam contra argumentar que, o dólar está subindo pelo fato do BC ter entrado, efetuando operações de swap reverso – comprando dólares, no montante de US$ 4 bilhões. Pode ser a razão, mas todo mundo acreditava que o dólar iria derreter depois da votação.

O real está na contramão hoje, enquanto a maioria das moedas dos países emergentes se valorizou, a nossa caiu 2%.

Posso dizer que, do ponto de vista técnico, o dólar pode ter atingido o seu objetivo, igual ao livro texto. Eu não ficaria surpreso se começasse a subir agora. No gráfico apontei o nível, onde o gato subiu no telhado - R$ 3,72. Não sou comprador ainda, mas a reação do mercado hoje me deixa desconfiado, claro, sempre do ponto de vista técnico.

Outro fator que não se pode deixar de considerar, e de suma importância, é que o BC não deveria mais vender operações de proteção. Se eles vêm recomprando dólares nos níveis atuais, entre R$ 3,80 – R$ 3,50, não faz o menor sentido atuar, na melhor das hipóteses, antes de R$ 4,00.

Embora o volume ainda em estoque deva ser da ordem de US$ 80 bilhões, a atitude do BC indica que o mercado deveria, a partir de agora, encontrar sozinho o preço de equilíbrio, e abaixo de R$ 3,45, ele continuará se desfazendo de seu estoque.

O SP500 fechou a 2.04, com alta de 0,65%; o USDBRL a R$ 3,6122, com alta de 2,26%; o EURUSD a 1,1310, com alta de 0,27%; e o ouro a US$ 1.232, sem variação.
Fique ligado!



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