Inflação: A Revanche

14 de abril de 2016

"Ringing the Bell"

Hoje foi publicado o índice de inflação nos USA – CPI do mês de março. O índice que exclui petróleo e alimentos -Core, subiu 0,1% no mês e em 12 meses atingiu 2,2%, próximo as marcas mais elevadas dos últimos oito anos. Já o núcleo subiu 0,1% no mês e 1,0% em 12 meses.


A grande disparidade entre o índice “cheio” e o que exclui os itens mais voláteis, deve-se majoritariamente a queda vertiginosa do petróleo, que nos últimos 20 meses, veio de US$ 100 o barril para atingir a mínima de US$ 25. Acontece que, desde final de janeiro, o óleo está se recuperando. Essa alta recente deverá ter um efeito inverso daqui em diante no índice que exclui petróleo e alimentos.

O FED de Atlanta, além de divulgar suas projeções do PIB, publica também um índice de inflação denominado de “sticky-price” – que é a média ponderada de uma cesta de itens, cuja variação de preços é relativamente “lenta”. Em outras palavras, é um indicador do núcleo, do núcleo, da inflação. Sobre esta métrica a inflação está no mais altos níveis dos últimos 6 anos. 


O FED de Atlanta observa:  ...“Alguns itens que compõem o CPI se alteram frequentemente, enquanto outros são vagarosos às mudanças. Nós exploramos se esses dois grupos – “stick e flexible” fornecem diferentes aspectos do processo inflacionário. Nossa medida de “stick price” parece conter componentes sobre expectativa de inflação, e esse componente, pode ser útil na tentativa de acompanhar para onde a inflação está tendendo”...

Janet Yelen, Presidente do FED, telegrafou ao mercado que os membros do Comitê de política monetária, continuam preocupados com a situação externa. O mercado entendeu que o FED poderá ir mais devagar nos acréscimos das taxas de juros. Acontece que o mercado de trabalho encontra-se próximo dos níveis considerados de pleno emprego, enquanto a inflação, na métrica observada pelo FED, está abaixo de seu objetivo de 2% a.a.

Como comentado acima, a inflação “cheia” não parece ser um bom indicador de inflação futura neste momento, seria mais prudente acompanhar os outros indicadores. Estudos indicam que o efeito de um ciclo de elevação ou baixa de juros, demora 9 meses até que surta efeito. Assim, se o FED demorar, é bem possível que fiquem “behind the curve”, termo usado no mercado para indicar que um BC está atrasado. Agindo assim, arrisca uma inflação indesejavelmente mais elevada no futuro.

Atualmente, com as intervenções feitas pelos BC’s dos últimos anos, a inflação pode ser mais “alavancada” que em situações normais. Não tenho dúvidas que, se a inflação subir de forma perigosa e recorrente, o FED aumentará os juros muito mais rápido que qualquer um pode imaginar. Nesse caso, os ativos que subiram de forma intensa poderão cair precipitadamente.

Existem momentos na economia onde é necessário conviver com dois cenários opostos na cabeça. Isso é muito difícil, pois sempre existe uma certa preferência.  Esse é o caso no quesito inflação americana. Certos momentos, acho que a deflação é mais provável, e em outros, acredito na inflação mais acelerada. O recado que deixo hoje, mais que as explicações sobre essas visões sobre a inflação, é que deve se acompanhar de perto a inflação, sem viés.

No post revolta-dos-poupadores, fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa:  ...” teremos duas opções no curto prazo, voltar a subir e ultrapassar os 53.000, ou romper para baixo. Nesse último caso, dois níveis serão de interesse 46.500 e 45.000”... ...”Quero deixar registrado que, com uma visão de mais longo prazo, não se pode afirmar que nossa bolsa reverteu o movimento de baixa iniciado no final de 2010, serão necessárias mais evidências”...


O mercado optou pela primeira hipótese e ontem atingiu a máxima de 53.800. O pregão de hoje contém dois componentes de baixa, primeiro o fechamento nas mínimas do dia a 52.400, e segundo não conseguiu romper a linha verde para cima.


- Opa, o mercado está dando uma indicação que o impeachment não vai passar?
Nem brinca com isso! Minha resposta é que a indicação pode ser qualquer um das duas, ou seja, Dilma saí ou fica.

- Como assim! Entendo que a bolsa deva cair se a Dilma ficar, mas por que haveria de cair se o impeachment passar?
Preço “cumpanheiro”! Hahaha... Desde que o Mosca sugeriu comprar o Bovespa em janeiro a 38.000, a bolsa subiu a bagatela de 41%. Já ouviu aquela frase: ...“sobe no boato e caí no fato?”... Esse pode ser um caso clássico de aplicação.


 Independente de qual seja o motivo, o indicador de curto prazo é de queda.

O SP500 fechou a 2.082 sem alteração; o USDBRL a R$ 3,4824, com queda de 0,15%; o EURUSD a 1,1266, sem alteração; e o ouro a US$ 1.227, com queda de 1,21%.
Fique ligado!

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