Inflação: A Revanche

13 de abril de 2016

Cada macaco no seu galho



Uma frase que eu carrego ao longo de minha vida é: ninguém é bom em tudo que faz. Ela se aplica a liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal em relação à forma de calcular a dívida dos Estados com a União. Incialmente esse recurso foi obtido pelo governo de Santa Catarina, na segunda-feira o governo do Rio Grande do Sul conseguiu liminar semelhante, e os governos de Alagoas e Rio confirmaram que vão entrar com pedido semelhante.

O relator da causa, o ministro Edson Fachin, até o julgamento do mérito, determinou que o governo gaúcho está autorizado a fazer o pagamento das parcelas com aplicação de juros simples (e não compostos). O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, saiu desesperado solicitando que o Supremo julgue o mérito da questão o mais rápido possível.

O cálculo inicial, se todos os estados entrarem com essa ação, é da ordem de R$ 300 bilhões. Fora todo o questionamento dos títulos do sistema financeiro como CDB, LCA, LCI, caderneta de poupança, Tesouro Direto e muitos outros contratos.

Como se já não bastasse toda a tensão vivida pelo país com o processo de impeachment em sua semana derradeira na Câmara dos deputados, mais essa bomba se coloca à frente.

Eu tenho até dificuldades de imaginar que um ministro possa ter dado uma liminar deste tipo. Para quem é entendido do assunto, sabe que não existe o uso de juros simples, ele é apenas uma forma de expressar sem utilidade técnica. Na prática, não existe nenhum contrato que não se aplique os juros compostos.

Um leigo pode ser até enganado se usar os juros simples em algumas situações, por exemplo, uma taxa de 14% a.a. cobrada diariamente implica num juro composto de 15% a.a. Sem falar num título que paga os juros no final, como as LTN’s, que não seriam afetadas, uma vez que, são calculadas usando o juro composto.

Qualquer curso elementar de finanças ensina como não se deve entrar na armadilha dos juros simples, pois a realidade implica que a maneira correta de cálculo é do juro composto.

Fiquei pensando qual a motivação desse ministro em aprovar essa liminar sem perguntar a um especialista sobre o assunto. Só vejo um sentimento de “pena” do Estado, a União pode pagar porque é mais rica. Esse é um caso típico, onde esses assuntos não poderiam ser resolvidos nessa instância, o risco é muito elevado de tomar se uma decisão sem o menor respaldo técnico.

Se essa ação for confirmada pelo Supremo, vou rasgar meu diploma. O que eu poderia ensinar, que os juros simples estão certos? Me recuso! Sr. Ministro seja mais humilde e assume que não entende do assunto, pergunte a opinião de uma especialista!

A publicação da balança comercial chinesa gerou certo alívio nos mercados. Com as exportações crescendo 18,7% a.a. e as importações caindo 1,7% a.a. Mesmo considerando que essa alta é consequência de uma base menor – como pode se verificar no gráfico abaixo, qualquer notícia positiva hoje em dia é bem-vinda.


No post de ontem eu mostrei o resultado da previsão do PIB pelo FED de Atlanta, mas esse último ganhou um concorrente. O FED de Nova York resolveu publicar a sua previsão do mesmo indicador. O interessante de ambos é que essas previsões são realizadas em cima dos dados publicados, usando modelos estatísticos sem nenhum julgamento humano.


Como podem notar, o modelo de NY estima um PIB de 1,1% e superior ao de Atlanta. Vamos verificar quem tem o modelo melhor com o tempo. Em todo o caso, o de Atlanta não decepcionou até agora e tem um nível bem melhor de acertos que os economistas, inclusive os do FED!

Queria registrar que no post de ontem Temer-test-drive houve um engano num dos gráficos postados, eu já efetuei a correção.

No post hemorragia-fiscalfiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” O círculo em verde mostra certa indefinição no curto prazo. Só nos resta aguardar que haja o rompimento do nível de 1,15. Caso contrário, ainda não seria desta vez que o euro surpreenderá os analistas, inclusive o ECB!”...

O gráfico abaixo é de uma visão mais de longo prazo. O movimento desta semana levantou a possibilidade que está esboçada em verde, ou seja, que o euro está traçando um triângulo. Isso olhado de hoje, ainda é só uma possibilidade e não me aventuraria a nenhuma posição agora. Nosso trade foi liquidado hoje com um prejuízo de 0,90%.

Essa experiência – trade, exemplifica dois pontos importantes: primeiro de como é difícil de operar quando o ativo está em correção, e segundo que, quando se opera contra a tendência de longo prazo, deve-se ter muita cautela e estabelecer stoploss pequenos.

O SP500 fechou a 2,082, com alta de 1%; o USDBRL a R$ 3,4878, com queda de 0,12%; o EURUSD a 1,1274, com queda de 0,97%; e o ouro a US$ 1.242, com queda de 1,03%.
Fique ligado!

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