Inflação: A Revanche

28 de abril de 2016

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Parece que o banco central japonês –BoJ, está preferindo seguir os passos de outros BC’s ao invés de ter uma política monetária própria. Para entender meu ponto de vista, vou analisar inicialmente o resultado da última reunião do FED de ontem.

O FED não subiu os juros, o que era esperado pela quase totalidade dos analistas, mas também não descartou, nem confirmou que irá atuar em junho próximo. 

Permanecem ainda desconectados os investidores e a autoridade monetária. Enquanto esse último, baseado em suas projeções, espera dois aumentos ainda esse ano, o juro implícito nos mercados futuros sugere que os participantes veem apenas uma pequena probabilidade de elevação em junho, e mais provável, um aumento só no final do ano.

Talvez o real objetivo do FED fosse deixar o mercado acostumado a ideia de um aumento em junho, sem causar uma turbulência nos mercados, o que tornaria difícil implementar esse aumento. Se os americanos conhecessem a frase, o gato subiu no telhado, essa se encaixaria bem nesta situação.

Ontem, depois da reunião do FED, o BoJ realizou sua reunião de política monetária e era esperada ação pelo seu Presidente, Haruhiko Kuroda. Ele decidiu por não fazer nada, assim, não perdeu o poder de sacudir o mercado, só que desta vez por inação.

No final de janeiro, depois que o ECB decidiu enveredar pelo caminho dos juros negativos, o BoJ resolveu seguir o mesmo caminho. Naquele momento deixou a porta aberta para novos movimentos neste sentido, caso a economia e a inflação japonesa não correspondessem à seus objetivos.

E era isso que a maioria do mercado esperava ontem do BoJ. A inflação do mês de março sofreu a sua pior queda desde 2013, aproximando-se de níveis que flertam com a deflação. Por esta e mais outras, e considerando que, a ação do início de janeiro teve efeito contrário na moeda – valorização do yen, o mercado ficou decepcionado. Uma das declarações mostra o grau de frustração dos investidores “Eu estou muito desapontado. Eu queria que o BoJ fizesse algo. Kuroda criou surpresas positivas em geral, mas desta vez é muito negativa”.

No gráfico acima a escala encontra-se invertida para facilitar a leitura, assim uma alta significa uma valorização do yen. Em janeiro o tiro saiu pela culatra e, ao invés do yen se desvalorizar, o que almejava aquele BC, aconteceu o inverso. E ontem, o que seria esperado, o yen subiu próximo a 3%, aproximando-se das mínimas de outubro de 2014.

Essa situação se parece com aquela anedota inglesa, onde um bêbado depois de ter enchido a cara, vai caminhando para sua casa quando seu molho de chaves caí no chão. Ele sem a menor condição de achar nada, se abaixa e vai tateando o solo, quando de repente aparece um “Gentlemen” e pergunta:

Gentlemen: Posso ajudar?
Bêbado: Eu perdi meu molho de chaves e não estou encontrando.

O inglês se abaixa e procura daqui, procura dali, e nada.

Gentlemen: Vamos reconstituir desde o começo, de onde você veio?

O bêbado aponta uns 15 metros do local onde estavam.

Gentlemen: E por que veio procurar tão longe?
Bêbado: É porque lá não dava para enxergar nada!

Será que o BoJ não está fazendo o mesmo? Não sabia bem o que fazer e resolveu copiar o ECB, não encontrou as chaves, agora copiou o FED e nada de achar as chaves! Espero que não tenham a brilhante ideia de copiar o nosso BCB. Se fizerem, vão quebrar o Japão no dia seguinte ao colocar os juros em 14,25% a.a.! Hahaha...

No post a-ilusão-do-gênio,fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” A única coisa que pode se afirmar é que, está numa correção e sem uma direção ainda clara. Está é a razão que sugeri um trade com preços duplos: Ou comprar a US$ 1.180 ou a US$ 1.282”...

O momento parece estar próximo de uma definição, e como o gráfico acima indica, parece que será rompendo o nível de US$ 1.282, ponto de entrada que defini para o trade.

- David, larga de ser teimoso, entra agora e irá economizar alguns dólares.
Entendo sua ansiedade, mas disciplina neste negócio é fundamental. Vou repetir o que escrevi no post Temer-test-drive:

...”se compramos agora a US$ 1.254, e o mercado cair, o stop teria que ser no nível de US$ 1.140, o mesmo sugerido no trade bipolar. Neste caso, nosso risco seria de US$ 114,00.

Já se comprarmos a US$ 1.254 e o mercado subir, haveria um ganho extra comprando agora, de US$ 28 (1.282-1.254).

Assim, você arrisca um ganho de US$ 28 para uma perda de US$ 114, não parece um bom risco x retorno, não acha? ”...

Embora as contas não sejam exatamente essas, pois o ouro encontra-se agora um pouco acima, o raciocínio e os stop são os mesmos. Já presenciei diversas vezes situações semelhantes, onde parecia evidente que o mercado seguiria um determinado rumo, e um pouquinho antes virou. Vamos manter a mesma recomendação e fiquem atentos ao nível de US$ 1.282, no fechamento. Cuidado com o “false break” – Que neste caso, corresponde a romper esse nível -US$ 1.282 durante o dia, porém fechar abaixo.

O SP500 fechou a 2.075, com queda de 0,92%; o USDBRL a R$ 3,4855, com queda de 1,15%; o EURUSD a 1,1352, com alta de 0,29%; e o ouro a US$ 1.266, com ata de 1,64%.
Fique ligado!

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