Inflação: A Revanche

23 de setembro de 2016

Agora o BCB tem Xerife


Desde que Ilan Goldfajn assumiu a presidência do banco central do brasil, venho enfatizando sua competência, tecnicamente muitíssimo bem preparado,  além de conhecer as entranhas do cargo, uma vez que, foi diretor de política monetária na gestão de Armínio Fraga.

Os resultados já podem ser sentidos, dos quais eu destaco: uma nova maneira de se comunicar com o mercado através das novas minutas, nível internacional; fixação das metas de inflação sem desculpas, acabou aquela retórica de empurrar a meta de inflação para frente; não tem mais ninguém dando palpites sobre a política de juros, agora é o mercado que aponta suas expectativas através dos mercados futuros. Se vocês notarem ele não abriu mão nenhum minuto do objetivo de atingir o nível de 4,5 % de inflação no final 2017

Tudo isso faz uma enorme diferença pois já está comprovado que as expectativas sobre inflação futura são muito importantes e levadas em consideração na definição da política monetária, assim, ter somente um interlocutor e com credibilidade fornece mais segurança ao mercado que reverte em inflação menor.

Ontem foi publicado o IPCA-15 que já pode dar uma ideia do próximo nível do mês de setembro. Esse é um dado que normalmente não tem muita repercussão, mas como seu resultado foi positivo, teve ampla divulgação pela imprensa. Com essa informação a Rosenberg projeta que este indicador ficará em 0,10% no mês, o que levaria a taxa anual para 8,5% a.a.

O grande responsável pela melhora foi a queda no preço dos alimentos, embora tenha sido essa categoria que fez com que o índice surpreendesse para cima nos meses anteriores.  


Na tabela acima, dois itens justificam uma esperança maior que a inflação está recrudescendo, o índice de difusão encontra-se nos menores níveis históricos, o que indica uma disseminação dos aumentos e uma queda dos preços livres, embora ainda muito pequena.

A Rosenberg trabalha com um fechamento para 2016 do IPCA em 7,5%, e como o gráfico acima indica, podemos estar no caminho de atingir a meta de inflação num futuro próximo, como quer Ilan, talvez no final de 2017.

Não seria tudo isso mais do que necessário para que os juros já estivessem caindo? Eu sempre repito que taxa de juros não depende da vontade das pessoas, a definição de seu nível ideal é muito mais complexa que simplesmente: “baixe os juros aí! ”. É uma conjugação da análise de vários modelos em conjunto com informações de expectativas. Mas felizmente o modelo passado não é o que determina mais essa importante ferramenta de política econômica, agora vale a técnica.

Além dos dados de inflação, o atual presidente do banco central aguarda a aprovação de medidas fiscais pelo Congresso, e isso ainda não aconteceu, embora esteja programado para o começo de outubro. Conhecendo Ilan, duvido muito que haja algum movimento de queda dos juros se as PEC não forem aprovadas. Como no futebol, só vai anunciar vitória depois do jogo terminado, não tem torcida, ou está praticamente aprovada, tem que aparecer no painel!

Por tudo isso, só consigo imaginar que o primeiro corte deva acontecer na reunião de novembro, lógico, se tudo der certo. Mas de quanto poderia ser reduzido os juros? Os cortes deverão ser de 50 em 50 pontos básicos, e talvez no final de 2017 já poderiam estar em 10,75%, uma queda de 350 pontos do nível atual. Mesmo assim, se a inflação estiver em 4,5% a.a., ainda teríamos uma taxa de juro real cavalar de 6% a.a.

Mas tudo isso é o preço que estamos pagando pelos enormes erros cometidos no passado, e vai demorar um bom tempo para que possamos ter juros mais decentes, isso se tudo der certo. Ainda existe uma longa caminhada, mas graças ao Temer na direção correta.

No post etf-é-o-futuro, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...”mas enquanto o ouro não ultrapassar o nível de US$ 1.375, vou ficar observando, pois nada impede que ele retraia aos níveis apontados acima” .... ...” hoje o mercado está próximo do nível de US$ 1.300, o que aumentará as chances de comprar naqueles níveis acima - US$ 1.250/US$ 1.200” ...


Um zoom do gráfico permiteavaliar que o ouro contido entre duas retas paralelas no curto prazo. Se esse movimento não se chama correção, eu não me chamo Mosca. Isso reforça, ainda mais, minhas hipóteses colocadas acima. O que podera ser questionado são os preços de entrada, caso as cotações recuem abaixo de US$ 1.300.

Ainda frisei que, nada estava definido pois o nível de US$ 1.300 era muito importante: ...” não se pode afirmar nem que o ouro volta a subir dos níveis atuais e ultrapassar US$ 1.375, nem que buscará os níveis que tanto almejo para comprar. Por isso, eu calculo que US$ 1.300 é importante para clarear qual das duas hipóteses poderá acontecer” ...


Talvez o que se conclui de tantos meses sem que haja uma definição mais clara, é que o ouro está duro na queda. Porém, isso não é uma razão para que eu mergulhe na compra, vou disciplinadamente seguir os passos traçados acima. Se ele está duro na queda, o Mosca está duro na compra! Hahaha ...


O SP500 fechou a 2.164, com queda de 0,57%; o USDBRL a R$ 3,2413, com alta de 0,70%; o EURUSD a 1,1232, com alta de 0,21%; e o ouro a US$ 1.337, sem variação.
Fique ligado!

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