Inflação: A Revanche

5 de setembro de 2016

Tudo japonês


Hoje é feriado nos EUA, e em situações como essa os mercados ficam em compasso de espera. Enquanto isso, na Ásia o grupo do G-20 tenta chegar a algum acordo de como incentivar o crescimento global. Como de costume, e ainda agravado pelo momento atual onde todos os países buscam esse objetivo, pouco se pode esperar. Nosso presidente, Michel Temer, aproveitou a conclusão do processo de impeachment para “trocar cartões” com esse grupo seleto, enfatizando que o Brasil está sob nova direção e que os investimentos estrangeiros são bem-vindos.

Nos noticiários do final de semana, destacou-se que Temer em conversa com o presidente Chinês apresentou oportunidades de investimentos da ordem de US$ 270 bilhões, num cardápio bem diversificado de projetos de infraestrutura. Acredito que esse momento é ideal para os chineses que não gostam de enfrentar concorrência. Nessas situações conseguem obter vantagens para seu país. Esperemos pelos resultados.

Os economistas têm buscado ultimamente, explicações dos motivos de tão baixo crescimento atualmente no mundo. Um trabalho feito pelo banco Suíço UBS, busca associar esse fenômeno à mudança demográfica, e assim acredita que o que vem acontecendo no Japão é uma avant première do que vai ocorrer nos outros países. O gráfico a seguir mostra que muitas das maiores economias do mundo estão começando a seguir na mesma direção.


O receio de muitos na comunidade econômica é de que as tendências demográficas, que acontecem ao redor do mundo, vão levar muitas das maiores potências econômicas a sofrer o mesmo destino que o Japão.

... "A 'japonização' da economia global, marcada pela transição para o baixo crescimento e baixa inflação, começou a atrair a atenção dos investidores como um fenômeno nos últimos anos. A economia japonesa tem produzido quase nenhum crescimento nominal do PIB ao longo dos últimos 20 anos. Mudanças demográficas podem ser responsabilizadas por desencadear este acontecimento, e muitas nações desenvolvidas poderiam seguir o mesmo padrão demográfico como a do Japão desde a década de 1990” ...

... "A diferença do PIB permanece negativa em muitos países, apesar da política monetária acomodatícia, e dificilmente alguma das nações desenvolvidas atingiram uma taxa de inflação de 2%. As taxas de crescimento potenciais, de acordo com dados da OCDE, são consideravelmente mais baixas do que na década de 1990” ...

... "Embora haja exemplos de países como a Alemanha, que obtiveram crescimento incentivando as exportações e reforma dos mercados laborais, mesmo com uma população caindo” ...

... "Uma melhora das taxas de produtividade e de participação na força de trabalho, capaz de compensar o declínio da população ativa, deve ser suficiente para manter a taxa de crescimento potencial, pelo menos do lado da oferta. No entanto, achamos que o colapso da bolha em 1991 tem sido uma das principais razões para que o crescimento do Japão tenha se mantido consistentemente fraco ao longo das últimas duas décadas ou mais, em cima de problemas estruturais decorrentes da demografia” ...

Essa é uma hipótese que não é conclusiva, haja visto sua constatação à longo prazo, além de não existirem ações que possam ser efetivas. Como se poderia incentivar as famílias a terem mais filhos? O caso mais conhecido recentemente foi adotado pela China, para evitar que sua população tivesse mais de um filho, penalizando essas famílias.

A verdade é que, passa-se muito tempo buscando justificar os baixos crescimentos, porém poucos resultados são visíveis atualmente, e o modelo capitalista não funciona bem nesse contexto.

No post eu-avisei, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” até que o nível de R$ 3,30/3,35 seja rompido, o mercado é de baixa. Se romper, aí poderemos ter uma visão se é uma reversão mais importante com mudança de rumo, alta do dólar, ou uma correção mais complexa. Aguente firme, pode até ser que ainda haja uma oportunidade de venda de dólar” ...


Ao contrário das expectativas dos analistas, que esperavam uma enxurrada de dólares no momento em que o impeachment fosse sacramentado, o dólar permaneceu bem-comportado, quase não sofrendo oscilação, como se pode ver na área destacada em amarelo. Mantenho a mesma recomendação citada acima, e conforme os dias passam, o dólar se aproxima da linha rosa, e é lá que o mercado terá que decidir se volta a cair, ou estamos entrando num novo movimento de alta do dólar. 

O USDBRL fechou a R$ 3,2820, com alta de 0,90%; o EURUSD a 1,1144, com queda de 0,10%; e o ouro a US$ 1.326, sem variação.
Fique ligado!

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