Inflação: A Revanche

30 de setembro de 2016

Nova fase: "Reajuste de pensão"


Michel Temer tem a difícil tarefa de fazer a economia brasileira crescer novamente, depois de dois anos com uma evolução do PIB no terreno negativo, muitas mudanças serão necessárias para que isso aconteça. Usando um raciocínio pragmático, posso visionar que ele talvez consiga somente estabilizar. Além de não ter tempo hábil, terá que lutar contra forças contrárias que, conforme o tempo passa, aumentam.

Não é assunto de hoje, mas é de suma importância imaginar quem serão os candidatos para 2018, e se o que acima imaginei acontecer, ele terá poucas chances de vitória em sendo candidato. Como comentei recentemente, será que teremos algum candidato tipo Trump?

Ontem foram publicadas as contas públicas, e como já se tornou praxe, mais um saldo negativo. O déficit primário do ano chega a R$ 71 bilhões, e nos últimos 12 meses, um resultado negativo de R$ 172 bilhões, que é compatível com a meta do governo para 2016, uma vez que, em agosto, houve o pagamento da primeira parcela do 13º salário, o que não aconteceu no ano anterior nesse mesmo mês. Esse resultado representa aproximadamente um déficit 3% do PIB.


O próximo gráfico espelha bem as minhas preocupações expressas acima, onde se pode observar a evolução das receitas e despesas federais. Enfatizo que para nossa dívida pública estabilizar será necessário que se obtenha superávit e não déficits, uma inversão radical na tendência observada nos anos recentes. Por enquanto nenhum sinal de reversão, nem tão pouco de estabilização. A receita sofreu uma retração de R$ 48 bilhões (jan - ago/16) representando uma queda de 6,3% relativa ao mesmo período do ano anterior, enquanto as despesas no mesmo período cresceram 9 bilhões, uma elevação de 1,1% comparativamente ao ano anterior.


Na tabela abaixo fica claro quais são as principais medidas de ajustes que precisam urgentemente ser aprovadas. Na parte superior somente com o crescimento da economia as receitas irão evoluir, claro se não houver aumento de impostos. Na parte inferior anotei onde estão os grandes desafios a serem vencidos.


Das despesas discricionárias, a previdência é de longe a mais problemática com as receitas em queda, em virtude do longo período recessivo e as despesas vinculadas a índices de reajuste com a inflação, além da situação estrutural.  Somente uma reforma poderia visionar uma condição menos incontrolável como se encontra hoje. No lado das despesas discricionárias, notem que essas representam 22% do total e a saúde tem o maior peso. Pode se perceber que, houve um esforço de redução, mas que pelo momento atual, nenhum presidente teria coragem de cortar fundo nessas rubricas, quanto mais Temer. Facilmente levantaria manifestações “fora Temer” por todo país.


Para buscar uma contenção no nível de despesas, encontra-se em processo de votação a PEC 241, que impõe um teto para o crescimento dos gastos. Fiquem de olho nesse item que deverá ser votado já no início de outubro, uma recusa seria uma péssima notícia.

Por esses motivos eu estou cético em relação ao que esse governo pode fazer, e fico preocupado se daqui a um ano nada de muito concreto for alcançado, dando subsídios para a esquerda em conjunto com as pessoas que advogam o “fora Temer”, saiam de novo nas ruas. Tudo isso, se no exterior as condições não piorarem.

Preparem-se para momentos difíceis nos próximos meses. Costuma-se dizer que um novo governo tem um período de lua de mel de 100 dias, no caso específico seria mais uma trégua depois de um acordo de separação. Vamos entrar agora na fase de “reajuste da pensão”, quem é separado sabe muito bem ao que eu estou me referindo! Hahaha ...

No post business-plan-do-Lula, tracei os seguintes cenários para o SP500:
... “Verde escuro (1) – Uma correção mais branda com o índice recuando até o nível de 2.100 – 2.080, em seguida o SP500 voltaria a subir para buscar os níveis apontados acima. ”...

...”Rosa (2) –Neste caso a correção seria mais profunda atingindo o nível de 2.000. Esse movimento demandaria mais tempo e não poderia violar o patamar de 1.950, que indicaria se tratar mais do caso 3 abaixo. ”...

...”Verde limão (3) - Nesta situação o SP500 poderia atingir 1.800, sendo mais importante o que deve acontecer em seguida, pois ficará a dúvida se voltaria a subir, ou este primeiro movimento indica uma mudança de mercado de alta para baixa” ...

Faz duas semanas que postei, e depois da primeira queda mais acentuada o mercado se recuperou levemente. Observado de hoje, poderíamos ser levados a concluir que a opção verde-escura (1) deveria se concretizar.


Agora veja o que um analista técnico do HSBC alerta. Parece haver uma semelhança entre o Crash ocorrido em 1987 e a configuração do mercado atual.


Por isso e por outros, é que mantenho a mesma posição descrita no post acima, enquanto o SP500 não ultrapassar o nível de 2.200, todos os cenários acima continuam válidos, e jamais eu iria entrar no mercado agora, só porque eu acho que um cenário parece mais provável. Para entrar, quero conquistas!


O SP500 fechou a 2.168, com alta de 0,88%; o USDBRL a R$ 3,2510, cok queda de 0,21%; o EURUSD a 1,1231, com alta de 0,10%; e o ouro a US$ 1.317, com queda de 0,21%.
Fique ligado!

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