Inflação: A Revanche

28 de setembro de 2016

" So far so good"


Hoje a lei de Murphy falou mais alto, depois de uma manhã cheia de compromissos, faltou luz no escritório e a internet está ainda fora do ar. Peço desculpas, mas hoje o post vai ser “enxuto”, estou trabalhando no modo emergência!

Ontem foi publicado os dados das contas cambias brasileiras que apresentou um déficit de US$ 600 milhões no mês, e em 12 meses recou para US$ 25,8 bilhões, equivalente a 1,46% do PIB. O gráfico abaixo não deixa dúvidas do enorme ajuste das contas cambias.


Outra boa notícia foi a entrada de investimento direto cujo valor acumulado atingiu U$ 74,0 bilhões, o que financia com folga o déficit em transações correntes. No mês houve uma entrada expressiva de US$ 7,2 bilhões. Já os investimentos em carteira continuam com a tendência de saídas. No mês a cifra foi US$ 5,7 bilhões, o que se certa forma é intrigante, com direção oposta ao que ocorre no investimento direto. Desse montante destaca-se a renda fixa que representou a maior parcela com US$ 4,2 bilhões, e o restante em ações com uma saída de US$1,6 bilhões.


Para complementar, a Balança Comercial com um superávit acumulado em 12 meses de US$ 42 bilhões segue na trajetória para atingir US$ 55 bilhões, se destacando como o principal item de nossas contas externas. A conta de serviços tende a uma estabilização de saídas da ordem de US$30,0 bilhões, e a conta de rendas, que apresentou uma saída em 12 meses de US$ 41,0 bilhões. Em havendo uma recuperação mais forte, deve se esperar uma elevação no envio de dividendos ao exterior.

Já as reservas internacionais mantem se estável na casa dos US$ 375 bilhões, sem muitas surpresas.

Mas o que intriga são as saídas dos investimentos em carteira, para dizer a verdade, de difícil compreensão. Qual seria a razão dos estrangeiros saírem agora do Brasil? Elenquei uma lista com os pontos positivos que aconteceram nos últimos dois meses:

1.       Definição da parte política, o impeachment foi terminado sem nenhuma grande confusão, e Temer assumiu a presidência;

2.       Os títulos brasileiros tiveram uma valorização expressiva no exterior, tanto os de renda fixa quanto as ações;

3.       A taxa de câmbio valorizou significativamente, sendo superior à de seus pares emergentes;

4.       Tanto o Ministério da Fazenda como o Banco Central agora são compostos por equipes de todo agrado do mercado, e vem trabalhando na direção correta;

5.       Os juros brasileiros são extremante atrativos quando comparados com o que se pode obter em outros países.

Então, por que os estrangeiros estão abandonando as operações de mercado? Posso levantar algumas hipóteses, mas que ao final tem pouca credibilidade, comparados aos argumentos acima.

Como dizia meu ex-sócio da Linear, Emir Capez ...“ contra o fluxo não a argumentos” ..., se esse movimento não se reverter em breve, o reflexo será sentido na taxa de câmbio, pois boa parte da valorização do real se deve a um movimento especulativo. Esses traders, apostam que, ocorrerão entradas no futuro, e um dia o futuro chega. A conferir!

Por falta de acesso a minha base técnica, hoje não haverá atualização de mercado. Espero que amanhã esse problema já esteja resolvido. Por outro lado, não aconteceu nenhum movimento mais expressivo hoje.

O SP500 fechou a 2.171, com alta de 0,53%; o USDBRL a R$ 3,2157, com queda de 0,47%; o EURUSD a 1,1214, sem variação; e o ouro a US$ 1.312, com queda de 0,38%.
Fique ligado!


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