Inflação: A Revanche

20 de setembro de 2016

Quebrando a banca


Todo sistema de previdência parte de uma curva de mortalidade ou expectativa de vida, em conjunto com uma taxa de retorno real sobre os ativos. Existem basicamente dois sistemas para acumulação da poupança a ser usada na aposentadoria, benéfico definido ou contribuição definida. Embora com nomenclaturas semelhantes, um sistema ou outro faz uma bruta diferença, o primeiro parte de um valor poupado pelo beneficiário até sua aposentadoria garantindo a partir daí um valor fixo corrigido pela a inflação, enquanto o segundo acumula um valor mensalmente e ao se aposentar o indivíduo calcula qual valor quer retirar mensalmente, até esses recuros terminarem.

No primeiro caso, enquanto o sujeito não morrer o benefício é pago, enquanto no segundo, se o valor acumulado terminar antes de morrer, cessa seu pagamento. O primeiro era o mais comum no passado, porém dado seus elevados custos para as empresas que tinham que bancar eventuais diferenças, o mesmo foi migrando para o segundo caso. A aposentadoria paga pelo governo a seus contribuintes enquadra-se no primeiro caso, uma das razões dos déficits crescentes.

Outro fator que pode complicar bastante o fluxo de caixa de quem administra esses recursos, ocorre quando o número de novos contribuintes é pequeno em relação ao número de novos aposentados. Eu já comentei esse assunto em outros posts, e só para relembrar, antigamente a proporção era de 10 x 1 – dez novos para um se aposentando, e hoje em dia em vários países como o Japão e Alemanha essa proporção encontra-se na casa de 2 x 1.

Todos esses cálculos são feitos num determinado instante com projeções sobre essas variáveis para o futuro. Agora, quando se chega no futuro, e as premissas não se concretizam, aí surge um grande problema, e é o que está acontecendo na atualidade. Em relação a taxa de retorno sobre os ativos, não preciso mencionar novamente que o mundo vive um momento de juros baixíssimos, muito diferente de quando foram feitos os cálculos para as pessoas que se aposentam agora. Na época em que comecei a trabalhar, imagino que a taxa usada devia ser de 6% a.a.

Em relação a taxa de mortalidade, onde a cada dia que passa, a expectativa de vida aumenta, os cálculos realizados não contavam que as pessoas viveriam tanto. Veja a seguir um gráfico do número de americanos com mais de 100 anos no tempo.


Entre o nível de hoje comparado com o esperado em 2055, essa quantidade será multiplicada por 6! Por um lado, fico feliz, pois o Mosca poderá estar no ar até essa data! Hahaha .... Mas pelo lado das poupanças existentes, estas estão em risco.

- Oh David, fiquei preocupado, vamos ser pedintes no futuro?
Se você não fizer a conta em quantos anos sua poupança se extingue comparada a seus gastos, pode ficar preocupado. Para quem quer fazer uma conta simples, basta usar a fórmula:

P = GA/i

Onde:
P = Valor atual de sua poupança
GA = Gastos anuais
i = Taxa de juros reais ao ano

Por exemplo, se um indivíduo tem uma poupança de R$ 1.000.000 e considerando uma taxa de juros reais de 6% a.a., que pode ser obtida nas NTNB’s do governo, essa pessoa poderá gastar até R$ 60.000/ano. Esse valor será corrigido com o índice do IPCA. Notem que a cada redução de 1% a.a. na taxa de juros, o valor a ser gasto reduz em R$ 10.000. É bem sensível a essa variável.

Agora imaginem na Europa onde os juros estão negativos, no limite, ao invés de gastar o sujeito teria que poupar!

Tudo isso faz com que a banca quebre, em matemática não tem como dar um jeitinho. Lógico que um governo não quebra de forma literal, e o que acontece em situações como essa, é que a inflação se encarrega de diminuir as despesas dos aposentados na marra. É bom todos estarem preparados.

Completando as informações sobre o post de ontem quem-será-o-Trump-brasileiro-em-2018, o Citibank publicou quais são as suas sugestões de investimento caso Trump seja o vencedor das eleições.

1)    Comprar dólar – principalmente contra as moedas emergentes. Isso já está acontecendo, especialmente com o peso mexicano que vem despencando nos últimos dias. Veja a seguir o gráfico dessa moeda em relação ao dólar e contra o real.


2)    Aposta na alta dos juros longos americanos – A taxa de 10 anos que se encontra atualmente em 1,7% a.a. subiria para 2% a.a.

3)    Declínio no SP500 – Nesse caso o estrago segundo eles não seria tão grande, uma queda de 3%.

4)    Compra de ouro – Em função da incerteza calculam que o metal possa atingir a cotação de US$ 1.400.

Vamos anotar para conferir no futuro, lógico, caso ele vença.

No post gol-de-honra, comentei sobre o Bovespa e naquela ocasião já visionava que poderíamos ser stopados na nossa posição, o que acabou acontecendo: ...” caso nosso stop seja executado, provavelmente minha primeira hipótese de retração passa a valer. A dúvida ficaria na extensão dessa correção. No momento vamos ficar observando, é provável que deverá se estender até 53.000 ou 50.000” ...


Ao observar mais em detalhes o gráfico desse ativo, verifiquei que, uma nova oportunidade de compra poderá surgir em breve. Para apresentar meus parâmetros, observe a seguir o gráfico com uma visão de curtíssimo prazo – gráfico de 4 horas.


Uma formação de triângulo se forma com essa janela, e o mais provável é uma nova queda até o nível de 55.000/ 54.000, lógico se a estatística prevalecer, o que acontece em 2/3 dos casos. Dessa forma, vou sugerir uma compra a 54.500 com um stoploss a 53.000.

- David, e se der errado de novo?

Não tem importância, ou melhor, não vou gostar, mas faz parte dessa atividade. Caso isso, aconteça, é provável que a correção será mais extensa e consumirá mais tempo. Não quero confundir os leitores nesse momento, mas imagino que a nova oportunidade de compra surgirá entre 50.000/48.000. Vamos focar no trade acima e ver se será executado, o resto são hipóteses mais remotas.

O SP500 fechou a 2.130, sem variação; o USDBRL a R$ 3,26, com queda de 0,38%; o EURUSD a 1,1151, com queda de 0,21%; e o ouro a US$ 1.314, sem variação.
Fique ligado!

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