Inflação: A Revanche

16 de setembro de 2016

ETF é o futuro


O CPI do mês de agosto nos EUA confirma uma inflação core acima de 2% a.a. pelo décimo mês consecutivo, ao ser anunciado em 2,3% a.a. Os principais vilões têm sido os custos de moradia e serviços médicos. Por outro lado, o índice “cheio”, sem excluir gasolina e alimentos, ainda mostra certa tranquilidade com uma taxa anual de 1,1% a.a. É verdade que os preços de energia são a principal causa nessa redução, com um índice negativo em -9,2% a.a.


O FED sempre observa a inflação “core”, como preferido para medir a inflação e o dado de hoje poderá reforçar a turma que quer elevar os juros agora. Outro fato que poderá servir como contraponto para os que não querem elevar os juros, é o PCE, o índice que a autoridade usa para estabelecer a política monetária, que está abaixo dos outros indicadores como se pode verificar a seguir. A pergunta é por quanto tempo essa distorção permanecerá?


Já o mercado não parece muito preocupado e continua apostando que as ameaças do FED não são para valer, ontem os futuros apontavam uma probabilidade menor que 50% para um único aumento ainda este ano.

Na minha humilde opinião, quanto mais o FED demorar a subir os juros, maior será a sua perda de credibilidade.  Até acredito que, se ele não se movimentar na próxima semana a volatilidade dos mercados irá subir, ao invés de cair. Outra consequência de todo esse impasse, é a falta de liderança da professora Yellen que é muito boa para explicar economia, mas muito fraca em liderar seus membros, permitindo que a opinião de cada um tenha impacto no mercado, coisa que não acontecia na era do Greenspan e do Bernanke.

Em alguns posts que publiquei, venho insistindo na ineficiência dos fundos de investimentos. Minha crítica baseia-se no fato de seus resultados não compensarem os custos cobrados pelo gestor. Desde que iniciei meus estudos na FEA, tenho tido contato com vários trabalhos acadêmicos sobre o assunto, e essas conclusões podem ser vistas em sua grande maioria dos trabalhos. Estou em fase final de um trabalho acadêmico feito com uma colega e dois professores, sobre os fundos multimercados brasileiros. Não quero antecipar os resultados, pois ainda não terminou, mas posso adiantar que não são nada animadores. Assim que estiver pronto para publicação irei disponibilizar uma cópia a meus leitores.

A Bloomberg publicou uma matéria hoje apontando que os fundos de ações ativos, ou seja, aqueles que buscam um retorno acima de seu benchmark, tiveram sua pior performance desde 1999. O gráfico a seguir mostra qual a percentagem deles que conseguiu superar seu objetivo.


Dos mais de 3000 fundos nessa categoria apenas 9,5% obtiveram retorno acima de seu alvo, e como consequência sofreram um resgate acumulado de US$ 480 bilhões somente este ano.

Mas mesmo que não se leve em consideração este ano, e se busque os melhores anos, nunca mais que 50% conseguiram ultrapassar essa marca. Talvez você seja levado a pensar que tem a condição, ou mesmo a assessoria de uma empresa que consiga escolher os administradores que estarão no grupo de vencedores. Posso afirmar que com raríssimas exceções essa escolha não será recompensada no futuro. Conhecer os administradores ou considerar os resultados passados na escolha, não garante que terão sucesso no longo prazo, é o que mostram os estudos.

Então o que fazer? Na minha experiência financeira o mais importante não é escolher o melhor fundo de bolsa, e sim se você deve estar na bolsa, é isso que agregara retorno a seus investimentos, o que em inglês se chama de Asset Allocation – alocação de ativos. Estão surgindo atualmente empresas que fornecem este tipo de assessoria e eu mesmo estou dentro de um projeto nesta área. Com o seu perfil de risco em conjunto com modelos matemáticos podem fornecer uma proposta de alocação nos diversos ativos, e olha, não precisam muitos.

É nesse ponto que o uso de ETFs podem simplificar bastante esse trabalho. Aqui no Brasil ainda são poucas as opções, existem 13 tipos para se investir em ações, porém já se pode esperar para o próximo ano ETFs de renda fixa. Não tenho dúvidas que é uma questão de tempo.

No post Yellen:4,3,2,2,2, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...” mantenho as mesmas recomendações acima. Aumentou levemente a chance de comprar um pouco mais barato – US$ 1.250/US$ 1.200” .... Essa era uma recomendação mais antiga, porém naquele momento da publicação o metal poderia estar terminando a correção: ...” Do ponto de vista técnico, a correção já pode ter terminado, o que eu destaquei em rosa no gráfico acima” ...


Mas mesmo assim não me aventurei na compra, veja o que publiquei em seguida: ...” mas enquanto o ouro não ultrapassar o nível de US$ 1.375, vou ficar observando, pois nada impede que ele retraia aos níveis apontados acima” .... Hoje o mercado está próximo do nível de US$ 1.300, o que aumentara as chances de comprar naqueles níveis acima - US$ 1.250/US$ 1.200.


Não se pode afirmar nem que o ouro volta a subir dos níveis atuais e ultrapassar US$ 1.375, nem que buscara os níveis que tanto almejo para comprar. Por isso, eu calculo que US$ 1.300 é importante para clarear qual das duas hipóteses poderá acontecer.

Quero frisar que eu trabalho com um movimento de alta do ouro no médio prazo, que só seria ameaçado abaixo de US$ 1.170 e abandonado abaixo de US$ 1.100. Por outro lado, para quem está comprado, nenhum grande progresso aconteceu desde de maio deste ano. Correções!



 O SP500 fechou a 2.139, com baixa de 0,39%; o USDBRL a R$ 3,2615, com baixa de 1,22%; o EURUSD a 1,1153, com queda de 0,78%; e o ouro a US$ 1.310, com queda de 0,28%.
Fique ligado!

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