Inflação: A Revanche

21 de setembro de 2016

Desafiando os limites

Hoje o foco será em dois bancos centrais, o BOJ e FED, ambos realizaram suas reuniões de política monetária. É verdade que para o primeiro, o mercado esperava mais estímulos, enquanto para o segundo decidiu por não subir os juros. A reunião do BOJ terminou durante a nossa madrugada e não foi anunciado nenhum estímulo adicional, porém algo inusitado aconteceu Na introdução de um objetivo para a taxa de juros dos títulos de 10 anos, algo considerado até agora impossível de ser controlado.

Dentro da matéria de economia nas universidades, os alunos aprendem que um banco central tem total controle dos juros de curto prazo, pode estabelecer o nível que quiser. Entretanto, se fixar taxas muito baixas ou muito altas, seus efeitos serão sentidos no nível de atividade, bem como na inflação. Já o título longo é ditado pelo mercado, uma vez que, em virtude dessa caracteristica, outros parâmetros são importantes no estabelecimento do nível como: a expectativa de inflação futura; o balanço de pagamentos; a política monetária executada pelo BC; projeção do PIB e outras variáveis. Os investidores levam tudo isso em consideração e estabelecem qual o nível de juros que compensa comprar um título longo versus um de curto prazo, e lógico, eles esperam lucrar com esses títulos.

Tudo isso era verdade até os bancos centrais começarem a comprar esses títulos nos últimos tempos. Como um comprador compulsório, não faz nenhuma conta analisando se é ou não um bom negócio. Mas mesmo assim, definem um volume periódico a ser comprado.

O BOJ resolveu inovar, ao passar mais de 20 anos tentando estabilizar a inflação em níveis razoáveis, decidiu fixar um objetivo para a taxa de juros dos títulos de 10 anos em 0%, ajustando como consequência, o volume de atuação no mercado.

Ao tomar esta atitude o BOJ decidiu manipular também a estrutura de taxas de juros, cujo principal objetivo é garantir que seu sistema bancário tenha de onde tirar algum lucro da sua atividade básica, que é emprestar. Essa política é semelhante a fixar uma taxa cambial “mínima”, como fez o banco central suíço tempos atrás, anunciando o nível de 1,20 contra o euro.

Em outras palavras, numa direção o BC tem todas as ferramentas necessárias para garantir o nível fixado. No caso dos juros, se a taxa tiver uma tendência de queda basta diminuir suas intervenções ao até mesmo vender títulos. porém se a taxa tiver um movimento ascendente seu poder de fogo fica mais contido, uma vez que, seu estoque de títulos não é ilimitado.

Mas ambos cenários são ainda conjecturas, muito distantes da realidade atual. Assim, a taxa permanecerá em 0% e os operadores de títulos de renda fixa já podem procurar outra profissão. As consequências para a economia são de difícil projeção, mas sem dúvida mais um capítulo do livro texto de economia foi rasgado, na busca desesperada por soluções monetárias, oriundas da falta de crescimento.

Já do outro lado do globo, o FED anunciou que não vai mexer nos juros agora, mas que está tudo preparado para um movimento em breve. Uma situação que também não acontecia desde 2014, foi a de três membros votarem a favor de uma alta. O conteúdo da ata, com pequenas alterações de palavras, procurou acomodar ambos os lados.

A reação nessas primeiras horas de negociação transcorre conforme o esperado, dólar em queda e bolsas em alta, vamos acompanhar as próximas horas.

Agora no meu ponto de vista, o mais importante foi apresentado na tabela de projeções. Abaixo se encontra esse documento com minhas marcações que comento a seguir.


Notem na linha sobre o PIB, no documento publicado em junho, a projeção para 2018, era de um crescimento de 2 % a.a., que mesmo sendo baixo, era aceitável desde que, sugerisse melhorias no futuro. Porém, não é o que se pode observar agora, a projeção do FED para 2019 é de uma retração do PIB para 1,8% a.a. Já na linha de juros de curto prazo, algo semelhante também aconteceu, onde as projeções são inferiores ás apresentadas na reunião de junho, além da taxa de longo prazo, indicar um nível baixo de 2,9% a.a.

Essas informações me fizeram concluir que:

“O FED acredita que a política monetária se esgotou como mecanismo de promover o crescimento da economia. Assim assume que o melhor o que tem a fazer é estabelecer níveis baixos para os juros, de tal forma que, não atrapalhe o baixo nível estrutural de crescimento”

Mesmo considerando que eu possa estar enganado, contextualizei o que eu inferi dos números publicados.

No post chhhhhhina, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” vou atualizar o stoploss para 1,62% a.a., em seguida diminuir metade da posição se o mercado atingir 1,8% a.a., e a outra metade a 1,85% a.a” ... ...” desde o início considero esse trade como uma correção mais extensa. Por enquanto o mercado não deu indicações que o rumo de baixa de juros se reverteu. Se isso acontecer, vamos entrar novamente, mas por enquanto essa é uma posição oportunista. O motivo de “apertar” tanto o stoploss é que, do ponto de vista técnico, esse movimento poderia ser declarado terminado ao ter atingindo ontem 1,75% a.a.” ...


Os juros sofreram o impacto da decisão do FED e estão caindo, situando-se agora em 1,66 % a.a., bastante próximo de nosso stoploss. As minhas observações feitas no post acima parecem encaixar bastante bem com a realidade, e caso a taxa continue a cair, vamos entrar com um trade contrário, desta vez a favor do movimento mais estrutural de baixa de juros.


- Ei David, não vem com essa, se estava tão seguro porque não liquidou a posição antes?
Eu não sei de onde você tirou que eu estava seguro, se isso fosse verdade, eu liquidaria a posição e ainda passaria para o outro lado! Eu simplesmente deixei explícito que sabia estar operando contra a tendência de mais longo prazo, mas que existia a chance de tirar alguns “trocos” a mais desse trade. Por outro lado, eu alterei o stoploss para cima, evitando qualquer perda se desse errado.


Mais um ponto importante da análise técnica, quando operar contra a tendência de longo prazo, não dá para ser macho, pequenas apostas, e dedo no gatilho.

O SP500 fechou a 2.163, com alta de 1,09%; o USDBRL a R$ 3,2056, com queda de 1,67%; o EURUSD a 1,1185, com alta de 0,30%; e o ouro a US$ 1.336, com alta de 1,67%.
Fique ligado!

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