Inflação: A Revanche

13 de setembro de 2016

Gol de honra


Para quem gosta de futebol e torce para um time, sabe o significado do gol de honra. Se você pensou na derrota lamentável de nossa seleção na copa do mundo de 2014, essa frase não se aplica, naquela situação o gol marcado pelo Brasil foi de lambuja!

Mas qual o real valor do gol de honra? Honestamente, nenhum! Que diferença faz se ao invés de perder de 5 X 0, perder de 5 x 1? Esse golzinho torna seu time mais competitivo? Indica que numa outra partida o resultado será diferente, unicamente por esse golzinho? Para se ter a dimensão de um resultado tão negativo como esse, basta você se colocar do lado do time adversário e imaginar se irá valorizar mais ou menos a vitória, por causa desse gol. Ganhou de goelada e ponto!

Acredito que esse paralelo se aplica ao noticiário recente, que enfatiza a recuperação dos títulos que se encontravam com juros negativos, ocasionado pelas declarações de diversos membros dos bancos centrais.

Abaixo o gráfico dos juros relativos aos títulos de 10 anos do governo alemão, que passaram de -0,13% a.a. para 0,03% a.a.


Em seguida, os japoneses de mesmo vencimento, que passaram de -0,30% a.a. para 0,00% a.a.


E por último, os suíços que passaram de – 0,60% a.a. para – 0,35% a.a. Para ser justo com seus pares, os alemães e japoneses, o caso suíço nem um gol de honra se pode associar, diria que no máximo foi uma bola na trave, e olhe lá! Hahaha ...

Será que essas recuperações mínimas, são passíveis de comemoração? Investir 10 anos para não ganhar nada é uma vitória? Na minha opinião ainda estão perdendo de goleada, e vai demorar muito tempo para que se tenha algum juro decente.

No caso americano, ontem foi a vez de outro membro do FED dar suas declarações sobre os juros, e dessa vez, Lael Brainard, conhecida como “Dovish” – denominação de quem tem um viés mais expansionista, declarar que não vê necessidade de subir os juros. Isso foi suficiente para dar ânimo ao mercado de risco. O gráfico a seguir, publicado pelo Wall Street Journal, mostra as repercussões após as declarações na sexta-feira e de ontem, no Dow Jones.



Como daqui até a próxima reunião do FED no dia 21, é o período de silêncio, o mercado ficará com as opiniões de analistas, tanto de um lado como do outro, tentando adivinhar se a autoridade monetária vai ou não aumentar os juros. Por enquanto a probabilidade de alta em setembro se encontra em 15%. Assim, qualquer movimento em setembro terá impacto nos ativos de risco.

No post a-bola-esta-no-pê-da-Yellen, pode ser mais um caso ilustrativo de como a expectativa do analista pode não acontecer do jeito que se imagina. No post citado anteriormente fiz os seguintes comentários sobre o Bovespa: ...” existe ainda outra possibilidade, a de uma alta sem que o nível acima – 56.000/55.500 - seja atingido, nesse caso a compra deveria ser feita a 60.000, com stoploss a 57.000, desde que, o índice feche acima desse nível” ...


No dia 06/09 o índice fechou a 60.129 e nosso trade começou a valer. No dia seguinte uma pequena alta e em seguida, na segunda-feira, levou um tombo, situando-se agora, próximo de nosso stoploss a 57.000. Caso nosso stop seja executado, provavelmente minha primeira hipótese de retração passa a valer, A dúvida ficaria na extensão dessa correção. No momento vamos ficar observando, é provável que deverá se estender até 53.000 ou 50.000.


- David, será que você calculou errado?
Não, o cálculo está correto, acontece que o mercado reagiu diferente do que se esperaria nesse rompimento. Vamos aguardar os próximos dias, mas posso dizer que a queda de ontem não parece boa para nossa posição, foi muito extensa.

Investimento sempre envolve risco e algumas vezes dá errado, faz parte. O que nós não podemos é virar “torcedor” permanecendo na posição, mesmo depois que as evidências apontam o contrário. Quando o mercado reage de forma distinta da que se espera, ao invés de teimar na nossa opinião, devemos coletar a informação do mercado e assumir o erro. Não faltarão oportunidades no futuro, essa não foi a última, como o emocional tende a nos induzir. Nessa última situação, o único objetivo é evitar a dor de assumir o erro.


O SP 500 fechou a 2.127, com queda de 1,48%; o Bovespa terminou abaixo de 57.000 e nosso trade foi encerrado; o USDBRL a R$ 3,3170, com alta de 2,19%; o EURUSD a 1,1214, com queda de 0,15%; e o ouro a US$ 1.317, com qeuda de 0,71%.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário