Inflação: A Revanche

12 de setembro de 2016

Está chegando a hora?


Na última sexta-feira os mercados levaram uma chacoalhada, o estopim foi o receio por parte do mercado, que a farra de juro baixo ou negativo pode estar chegando ao fim. O primeiro sinal veio do ECB, que frustrou o mercado ao anunciar que, por enquanto, não tem mais moleza da que já está anunciada. Depois os analistas resolveram acreditar nos avisos que os membros do FED vêm dando, são para valer. Nesse último argumento, o Presidente do FED de Boston, Eric Rosengren, reforçou na sexta-feira: ...“ uma falha na continuidade no processo de retirada gradual da política acomodativa, pode encurtar ao invés de prolongar, a duração dessa retomada” ... ...”minha visão pessoal, baseada nos dados que nós recebemos até o momento, é que uma assunção razoável pode ser feita para que se continue no processo gradual de normalização da política monetária” ...

Por mais que essa fosse uma ação esperada e desejada, a reação dos mercados foi no sentido de vender os ativos de risco, ocasionando a queda das bolsas ao redor do mundo e atualização nos níveis de juros precificados nos títulos de renda fixa. A figura abaixo apresenta o SP500 comparado aos juros dos títulos governamentais americanos de 10 anos, dá uma ideia da dimensão do que ocorreu na sexta-feira.


Juntando-se a opinião do Mosca, um dos maiores gurus da atualidade na área de bonds, Jeffrey Gundlach, indicou numa conferência a seus clientes na última quinta-feira, que os mercados estão à beira de um turbilhão, dizendo: “this is a big, big moment! ”. Ele considera que os juros já atingiam as mínimas históricas e até sugere que possam não subir já, mas acredita que é o começo de uma mudança e os investidores deveriam se posicionar de maneira mais defensiva.

O próximo gráfico mostra como as projeções dos juros foram frustradas nesses últimos anos, o que não ocorre atualmente, uma vez que o mercado vem trabalhando com chances baixas de elevação dos juros.

 
Um dos argumentos em que Gundlach baseia sua expectativa, pode ser visto abaixo quando compara no tempo a inflação, taxa de desemprego e os juros de curto prazo fixado pelo FED. Os níveis atuais foram compatíveis com juros bem mais elevados no passado.


Em seguida, apresenta o movimento de alta observado na taxa da Libor, que a partir de junho último entrou num movimento ascendente. Os contratos com renovação anual estão em níveis acima de 1,5% a.a., o que é bem superior ao que o mercado espera. É importante notar também, que parte desta pressão é oriunda de mudanças regulamentares nos fundos de curto prazo americanos.


E como na marchinha de Carnaval, interpretada por Wilson Simonal: ...”está chegando a hora, o dia já vem raiando, meu bem, e eu tenho que vender tudo! ” ... Hahaha ...

No post tudo-japonês, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” até que o nível de R$ 3,30/3,35 seja rompido, o mercado é de baixa. Se romper, aí poderemos ter uma visão se é uma reversão mais importante com mudança de rumo, alta do dólar, ou uma correção mais complexa. Aguente firme, pode até ser que ainda haja uma oportunidade de venda de dólar” ...


Como antecipado pelo Mosca, o dólar testou pela manhã o nível de R$ 3,30, atingindo a máxima de R$ 3,31. Muita atenção deve ser tomada nos próximos dias e observar se o dólar volta a cair para buscar novas mínimas abaixo de R$ 3,10, ou um novo movimento de alta está se materializando. Como níveis colocaria R$ 3,15 para o primeiro cenário e R$ 3,35 para o segundo.

- David, mas você não quer arriscar uma venda, afinal o prejuízo não seria tão grande em função dos níveis que você aponta acima”.

Do ponto de vista de risco x retorno, seu raciocínio é válido, mas tenho minhas desconfianças e prefiro ficar sem posição observando os próximos dias. Os motivos para essa desconfiança são a mudança nos parâmetros de momentum, nada conclusivo ainda, e o movimento das outras moedas dos emergentes no exterior. Let´s the market speak!

O SP500 fechou a 2.159, com alta de 1,47%; o USDBRL a R$ 3,2438, com queda de 0,86%; o EURUSD a 1,1232, sem variação; e o ouro a US$ 1.327, sem variação.
Fique ligado!

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