Inflação: A Revanche

18 de abril de 2017

App: "sem nota fiscal"


Um dos subprodutos da operação lavajato foi a popularização das delações premiadas. Essa expressão, do âmbito jurídico, oferece um benefício legal concedido a um réu em uma ação penal e que aceite colaborar na investigação criminal ou entregar seus companheiros. Como recompensa, o juiz poderá reduzir a pena do réu quando este for julgado.

A última delação do qual tomamos ciência foi dos funcionários da Odebrecht juntamente com seus principais acionistas, Marcelo e Emílio Odebrecht; que jogou muita m&rd@ no ventilador, coloquialmente falando. Hoje a Folha de São Paulo notícia que Antonio Palocci deu o primeiro passo para sua delação premiada. Seus principais temas seriam as empresas do sistema financeiro, como bancos, além de conglomerados que não integram grupos de empreiteiras.

E, tal qual o fogo se espalha na gasolina, cada delação corresponderia a uma nova quantidade de réus que, por sua vez, fariam novas delações; exatamente como aqueles esquemas de pirâmides, ou Esquema Ponzi, como são conhecidos. Seriam tantas as delações que as mesmas teriam que ter uma classificação: delação Premium, Gold, Platinum ...

Porém, a delação premiada poderia ser estendida de outra forma. Quem delata não seria necessariamente réu em uma ação penal. Para tanto, no resultado de sua delação obtido pelo tesouro, participaria com um prêmio de performance.

Quem já não contratou algum serviço sem nota fiscal? Ou pagou uma “caixinha” para obter algum benefício? Assim, podemos projetar que, de denuncia em denúncia, não vai sobrar nenhum um cidadão brasileiro que não teria seu nome em alguma lista de delação.

Surge então uma grande ideia, por que não lançar um aplicativo para celular onde se listaria o CPF ou CNPJ de quem realiza o ato ilícito? Não sei, mas a Google teria que dobrar sua capacidade de armazenamento! Hahaha .... Outro ramo que estaria garantido um crescimento por vários anos seria a profissão de advogado, mais uma ideia de aplicativo “advogado on line”.

Depois desse exercício de futurologia, cujo raciocínio leva a situações absurdas, em função da cultura enraizada no Brasil, será possível imaginar que os brasileiros se tornarão éticos e os casos de corrupção tenderão a exceções, com elevadas penalidades? Sou um pouco cético, mas não parece difícil supor que casos como o da lavajato tenderão a marginalidade. Os empresários fazem conta e, se o custo marginal de conquistar um benefício superar o lucro implícito nesse negócio, não irão arriscar.

Mas isso vale no atacado, será que o mesmo irá acontecer a varejo? Vamos pedir Nota Fiscal do andador de cachorros? Parece que demoraria muito tempo, e aí que entra minha ideia do aplicativo. Se de uma forma simples as pessoas puderem apontar as irregularidades, contabilizando parte em benefício próprio, e os prestadores de serviço souberem que com um click poderão ter que pagar uma multa elevada, será que não haveria uma aceleração no processo?

Para quem se interessar pela ideia já posso sugerir até um nome do App: “sem nota fiscal”! Hahaha ...

Mas, o grande desafio nesse campo recai sobre uma tendência que se acelera no mundo e deverá desembarcar aqui no futuro, os robôs. Será que até eles fariam um precinho mais camarada para um serviço sem nota? Hahaha .... A tabela abaixo aponta qual a percentagem de empregos que estarão em risco pela sua substituição por robôs.


A introdução dessa nova tecnologia afetara cada área de atuação da economia americana conforme figura abaixo. Notem, o próximo segmento onde se projeta uma grande penetração seria a agricultura que contrata grande parcela de mão de obra sem qualificação, e por isso poderia ter um impacto nocivo para países emergentes.

 
Uma boa notícia que acabou sendo esquecida nesse ambiente de delações e acusações que estamos vivendo, foi a publicação do nível de vendas a varejo no Brasil. Parece que o pior já passou e daqui em diante podemos esperar uma melhora gradual da economia. Agora, é importante frisar que basta a reforma da Previdência engasgar que entraríamos num buraco negro.


Estamos a poucos dias das eleições francesas cuja definição parece incerta. O que parece não haver dúvida é que os franceses votarão em 2º turno, a dúvida fica para quem contra quem. O euro vem recuperando algum espaço nos últimos dias, depois de se noticiar que muitos investidores fizeram operações de proteção de suas carteiras através de compras de opções de venda de euro.

Nós mantemos uma posição comprada já algum tempo e até o momento não fomos executados em nosso stoploss. Agora, não teria muito a complementar do que foi dito no post trump-só-late, assim, preferi comentar sobre o ouro, outro ativo que mantenho posição.

No post é-bom-ser-devedor, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ...”  Se o ouro continuar a subindo e não tocar no US$ 1.230, ao romper US$ 1.265 no fechamento, fica acionado a compra com um stop a US$ 1.230” .... Ontem o metal de aproximou dos US$ 1.300, atingindo a máxima de US$ 1.295. O que podemos esperar dessa posição?


O gráfico acima mostra meu target de curto prazo em US$ 1.340. Porém, se poderia esperar mais do metal. Para explicar melhor, necessito uma imagem de mais longo prazo que se encontra logo a seguir.


Para que novos níveis sejam conquistados, é condição necessária que o ouro ultrapasse US$ 1.370, conforme frisei no gráfico acima. Depois disso, o primeiro target que se visiona é US$ 1.450 e que se ultrapassado levaria a US$ 1.650.

Num mundo onde a volatilidade se encontra tão baixa, colocar um objetivo de 28% entre o preço atual e o nível acima, parece uma loucura. Por sinal, as vezes me vejo pensando o que teria feito as oscilações ficarem tão baixas. Tenho algumas suspeitas: Injeção de recursos pelos bancos centrais; facilidade de investir em qualquer ativo (ETF’s); disponibilidade de atuação para qualquer investidor em qualquer local que esteja; notícias disponíveis instantaneamente; dentre outras. Não tenho a resposta e não sei se alguém a tem.

Voltando ao ouro, dentro das previsões para 2017, o Mosca tinha dúvidas se a mínima de US$ 1.100 já era uma reversão de tendência de queda do ouro. Outro objetivo a US$ 900 também era factível naquele momento. Mas, algo que eu estava buscando era um ponto de compra. Até o momento a dúvida de mínimo não posso eliminar, porém é natural que a cada conquista de espaço fique mais provável que estamos numa reversão do movimento de baixa.


Mas, olhando de hoje, tudo não passa de conjecturas; o importante é ir acompanhando passo a passo. Aproveito para elevar o stoploss para US$ 1.265, e vamos observar se o ouro continua subindo.

O SP500 fechou a 2.342, com queda de 0,29%; o USDBRL a R$ 3,1103, com alta de 0,42%; o EURUSD a 1,0730, com alta de 0,86%; e o ouro a US$ 1.290, com alta de 0,45%.
Fique ligado!

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