Inflação: A Revanche

24 de abril de 2017

Ufa!


Como é conhecimento de todos, as eleições na França correram conforme as expectativas das pesquisas. Os mercados recentemente cansados de más notícias nesse front respiraram aliviados. Ufa! Com uma vantagem mínima de 3 %, Macron ficou à frente de sua oponente Marie Le Pen. A maioria dos candidatos perdedores se juntaram ao primeiro candidato, com exceção de Melechon candidato de extrema esquerda que preferiu não se juntar a ninguém. O mesmo obteve uma votação substancial de aproximadamente 20% do eleitorado.

Os mercados abriram com muito otimismo, o euro chegou a subir 2%, as bolsas europeias operam com altas superiores a 3%, e principalmente os títulos franceses se valorizaram vis-à-vis os alemães. Todo esse otimismo é justificado pela ampla maioria que Macron obtém nas pesquisas para o segundo turno, com uma margem de 20% acima de Le Pen. No site de apostas sua probabilidade se encontra em 85%.

Eu não sou um entendido em política e muito menos em pesquisas de voto, mas posso dizer que fiquei surpreso com a reação tão otimista do mercado. Consigo entender que depois de tantas surpresas negativas, o fato de ter dado a lógica causou um grande alívio. Mas será que esses resultados são suficientes para relaxar? Um primeiro fator de preocupação deve se ao fato dos votos estarem praticamente divididos entre os 4 candidatos. Isso resulta num fato curioso onde a soma de Macron e Le Pen é inferior a 50%.

O espectro desses candidatos é novidade para os franceses, o partido do governo obteve meros 6% dos votos, isso já dá uma ideia de como estão insatisfeitos. Outro fator é que, Macron foi Ministro das Finanças de Françoise Hollande, e isso deverá ser usado pela sua oponente.

A busca pelos votos desses outros 50% será grande nas próximas 2 semanas e qualquer que seja o candidato que vença, o mesmo terá somente 25% de eleitores que suportam sua campanha. Com isso, quero enfatizar que mudanças radicais, e a França vai precisar muito, principalmente em suas leis trabalhistas, será muito difícil de serem inseridas. Não sei se esse alívio dos mercados hoje se sustentara mais adiante. Não podemos nos esquecer das eleições que acontecerão na Itália, e que preocupam até mais que a atual francesa.

O Presidente do banco central Suíço no último domingo, deu uma entrevista dizendo estar pronto a intervir no mercado de câmbio caso o franco suíço sofresse uma grande valorização. Só para relembrar alguns dos movimentos desse banco central, depois de 2008 o franco suíço foi identificado com um porto seguro. A partir daí atingiu uma valorização de 40% num espaço de 3 anos. Em agosto de 2011, a autoridade monetária resolveu colocar um piso de 1,20 contra o euro atuando na compra toda vez que se aproximava desse nível. Depois de mais de 3 anos tendo que sustentar essa cotação, em janeiro de 2015 resolveu abandonar o piso. Naquele dia, o franco suíço subiu mais de 30%, originado por enormes ordens de stoploss. Desde então o banco central suíço atua esporadicamente.

Mas todas essas trapalhadas da autoridade Suíça, que imaginava ter o poder de desinteressar esses investidores, não foi bem-sucedida. Como consequência, foi “obrigado” a comprar euros. O gráfico a seguir não deixa dúvidas do volume extraordinário, considerando o tamanho da economia suíça.


Como contrapartida sua base monetária explodiu na mesma proporção, como se nota a seguir. Como ele poderá sair dessa enrascada? Uma hipótese seria a economia europeia ganhar tração e os investidores ficarem mais confiantes na Europa. A taxa de juros subiria, levando-os a venderem suas posições de franco suíço. Como diria Garrincha, só falta combinar com os alemães, provavelmente os maiores detentores.

Enquanto isso, veja a posição atualizada das intervenções dos principais bancos centrais através da injeção de moeda. Ao refletir sobre esse dado, imagino quando o FED retirar recursos do mercado, enquanto os outros BC’s aumentem ou fiquem estáticos com os volumes atuais. O dólar deveria subir bastante, indo contra os desejos de Trump. Esse é um assunto muito delicado que o mundo vivenciara nos próximos anos.


No post Trump-só-late, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” ou o euro ainda se encontra numa correção complexa que o levaria até o nível mínimo de 1,095/1,10, e que se rompido poderia chegar até 1,13 (verde); ou o movimento de queda mais de longo prazo já se encontra em curso (azul) ” ...


...” acredito que o euro está aguardando as eleições francesas para definir seu rumo. Os gráficos mostram essa indefinição, onde se pode verificar abaixo nas duas linhas cinza. Se por um lado a vitória de Marie Le Pen deveria levar o euro a novas baixas, a vitória de Macron impulsionaria a moeda única para cima, corroborada pelos últimos resultados econômicos mais animadores da Europa”.... Os mercados se encontram acima da linha cinza indicada abaixo.


- David, seu gráfico mais parece uma arvore de Natal!
Boa, está confuso mesmo. O motivo é que eu estou testando novos parâmetros técnicos. Mas não se atente a tudo isso, eu apresento os gráficos para quem for seguidor de análise técnica, entender meu raciocínio. Para os outros leitores, baseiem-se somente nos níveis. Bem, o que vamos fazer? Primeiro, antes de mais nada, subir o stoploss 1,065, em seguida deixar uma ordem de venda da metade da posição a 1,0950.

Eu acredito que caso o euro continue subindo, ao atingir o nível de 1,10 será uma grande batalha, entre os céticos e os novos otimistas. Como a quantidade dos primeiros é superior, uma rodada de stoploss poderia levar o euro até 1,13, relativamente rápido. É por essa razão que não liquido tudo no nível acima proposto acima. Let´s the market speak!


O SP500 fechou a 2.374, com alta de 1,08%; o USDBRL a R$ 3,1247, com queda de 0,72%; o EURUSD a 1,0867, com alta de 1,31%; e o ouro a US$ 1.275, com queda de 0,68%.
Fique ligado!

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