Inflação: A Revanche

13 de abril de 2017

Trump só late


O conhecido ditado, “cão que ladra, não morde”, aplica-se bem ao Presidente Trump. Em sua campanha eleitoral, e nos primeiros dias de seu mandato, falou grosso. Mas, conforme o tempo foi passando, muitas de suas ameaças foram colocadas de lado, tanto por derrotas sofridas ao tentar implementá-las; a restrição aos estrangeiros de alguns países; bem como a mudança de postura em relação a suas promessas.

A última se refere às ameaças contra a China. Na semana passada, encontrou-se com o Presidente Chinês, Xi Jinping, e muito pouco se noticiou sobre o encontro. Porém, ontem numa entrevista ao Wall Street Journal, revelou várias intenções bastante contrárias ao que dizia antes em sua campanha.

Um dos principais pontos contra os chineses versa sobre o enorme déficit na conta comercial, os investidores tinham uma grande preocupação nas medidas que ele poderia tomar contra aquele país, com consequências sérias do ponto de vista econômico. Mas, podem ficar tranquilos, sua postura mudou. Garantiu que não irá acusar a China como manipuladora de sua taxa de câmbio, o que poderia gerar diversas restrições aquele país. Aproveitou o gancho e comentou que o dólar está ficando muito forte. Como essas duas frases são contrárias, a única conclusão possível é que Trump acha que o responsável pela taxa de câmbio é o mercado e não a China. Tudo isso, até que ache o contrário!

Mas, o mais marcante, a meu ver, foi o negócio que propôs ao líder Chinês por telefone na última terça-feira, segundo seu relato... “você quer fazer um grande negócio? Resolva o problema com a Coréia do Norte. Isso compensa ter um déficit maior do que eu gostaria de ter”.... Acho que o líder Chinês ficou surpreso, pois nunca recebeu uma proposta desse tipo.

Trump deve ter feito a conta de quanto custaria uma ação militar na Coréia do Norte e achou mais barato oferecer a manutenção do déficit americano com a China aos níveis atuais.

Outra mudança radical em relação ao que se visionava foi em relação a aliança com os russos. Trump era visto como “amiguinho do Putin”, inclusive com evidências de auxilio desse último nas eleições americanas. Com o ataque a Síria, o jogou mudou e ontem na entrevista afirmou que sua relação com o Presidente Russo é não existente, mas que desenvolveu uma calorosa harmonia com o Mr. Xi, em sua última visita. Isso deve ter sido outro assunto negociado entre eles, mas que logicamente não pode ser anunciado, uma condição imposta pela China de afastamento da Rússia. Não foi à toa que o ataque a Síria foi durante o jantar que tiveram juntos.

Mesmo antes de completar 100 dias, algumas evidências surgem dessa nova gestão que foi tão polemizada de início: tudo que prometeu está sujeito a mudanças radicais, dependendo do que for melhor na sua visão (o que pode ser totalmente equivocada); não tem compromisso com ninguém, inclusive com ele mesmo; suas ameaças são mais usadas como moedas de troca do que crenças efetivas. Vamos ver no que isso vai dar!

Uma outra repercussão dessa reportagem se deu na cotação do dólar e dos juros americanos. Por exemplo, a probabilidade de 3 aumentos nesse ano caiu para baixo de 50%, conforme se pode verificar a seguir. Outro ponto também mencionado foi a possibilidade da professora Yellen ser apontada para um novo mandato no FED e ainda elogiou a estratégia usada pela autoridade monetária de juros baixos. Lembrem que ele detonou o FED e a Yellen na campanha


O ouro deu um salto expressivo nesses últimos dias. Vários foram os motivos elencados pela mídia: situação instável na Síria, ameaças da Coréia do Norte etc .... Mas, isso tanto faz, o que importa é que o metal rompeu a barreira de US$ 1.265. O ouro é tido como um ativo que protege em momentos de crise, mas não só isso, também contra a inflação. O gráfico a seguir mostra a relação do metal em relação as taxas de juros reais americanas. Mais recentemente, apresenta uma divergência entre ambas. Pelo histórico, em algum momento teriam que convergir.


No post realidade-x-esperança, fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...” ou o euro ainda se encontra numa correção complexa que o levaria até o nível mínimo de 1,095/1,10, e que se rompido poderia chegar até 1,13 (verde); ou o movimento de queda mais de longo prazo já se encontra em curso (azul) ” ...


Acredito que o euro está aguardando as eleições francesas para definir seu rumo. Os gráficos mostram essa indefinição, onde se pode verificar abaixo nas duas linhas cinza. Se por um lado a vitória de Marie Le Pen deveria levar o euro a novas baixas, a vitória de Macron impulsionaria a moeda única para cima, corroborada pelos últimos resultados econômicos mais animadores da Europa.



Notem que as linhas cinza tendem a uma congruência em breve. Coincidência com o resultado do segundo turno da eleição francesa? Claro que não, o mercado é o espelho das crenças e dúvidas dos investidores; e tudo fica espelhado nos preços. A função do analista técnico é interpretar esses movimentos e sugerir oportunidades de trades. Observando sobre esse prisma, parece que o euro está “barato” em relação as chances de vitória de Macron. Mas não quero de jeito nenhum agir usando essa observação, pois não é só isso que conta para o Mosca; nosso negócio é o preço, o resto são argumentos para dar conforto, e a única coisa que conforta é lucro no bolso!


O SP500 fechou a 2.328, com queda de 0,68%; o USDBRL a R$ 3,1435, com alta de 0,33%; o EURUSD a 1,0612, com queda de 0,46%; e o ouro a US$ 1.287, com alta de 0,23%.
Fique ligado!

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