Inflação: A Revanche

4 de abril de 2017

Espetacular!


Ontem foi anunciado o superávit comercial brasileiro que atingiu um recorde histórico de US$ 7,1 bilhões, apontando para US$ 53,8 bilhões em 12 meses. Esse resultado é devido a uma forte alta das exportações de 20% em bases anuais, embora as importações, diferentemente do que vinha acontecendo, também apresentaram alta de 7,1%.

Numa economia aberta os resultados obtidos poderiam indicar uma melhora no PIB, porém não é esse o caso brasileiro, o que assim, somente atenua a recessão doméstica.


Nem a atuação da Polícia Federal na operação Carne Fraca foi suficiente para comprometer o resultado, embora esse evento tenha ocorrido somente no final do mês.

A análise por país, destaca-se o dinamismo com alguns importantes parceiros: EUA (aumento de 13,9% das exportações e 2,1 % nas importações), China (aumento de 38% nas exportações e 4,3% nas importações) e Argentina (aumento de 26,7% nas exportações e queda nas importações de 5,5%). A União Europeia como um bloco, houve aumento nas exportações de 3,3%, enquanto as importações subiram 2,3%.


A projeção feita pela Rosenberg para o saldo de 2017 é de US$ 60 bilhões, cujas premissas são de um crescimento do PIB de 0,7% e uma taxa cambial estabilizada. Se alcançado, apontaria também para um recorde histórico. Do ponto de vista cambial os recursos provenientes dessa conta são os de melhor qualidade. Minha classificação seria na seguinte ordem: Balança comercial, Investimentos diretos, Investimentos em títulos de renda fixa e bolsa, e as emissões de Bonds brasileiros no exterior. Desta lista o único que não tem que ser “devolvido” é o primeiro, pois o segundo gera dividendos a serem pagos, enquanto os outros os fluxos estão sujeitos as oscilações do mercado.

Adicionando de forma simplista a projeção da Balança comercial em conjunto com os Investimentos diretos, chegamos a uma cifra de US$ 145 bilhões, um montante expressivo que garante muita tranquilidade em termos externos. Naturalmente espera-se que dentro em breve, estaremos crescendo a níveis superiores aos atuais e isso terá impacto em nossas importações que se encontram bastante deprimidas, mas mesmo assim, não será suficiente para ameaçar os níveis confortáveis de reservas.

Como venho noticiando ultimamente, a economia brasileira parou de piorar e ensaia uma leve recuperação. Os dados de PMI apresentados abaixo mostra a melhora desse dado que praticamente se encontra no nível de 50, indicando neutralidade. Nem queda nem aceleração esperada pelos entrevistados nessa pesquisa.


O crédito disponível ainda está muito deprimido, e esse indicador é muito importante para que o país possa crescer. É verdade que os bancos se retraíram de forma absurda durante a recessão, com receio de calotes. Em algum momento esse movimento vai se reverter, caso a melhora que estou visionando se concretize.


Tenho que confessar que o grau de rejeição do atual governo me deixou impressionado. Na última pesquisa publicada, Temer estava com 72% de rejeição. Acredito que uma boa parte da alta se deve a nova proposta da previdência, modificação essencial para a estabilidade financeira do país. Consigo entender a mentalidade enraizada em nosso povo, aonde o estado tem todas as obrigações com os cidadãos. Se existe ou não recursos não é o seu problema. Foi assim que fomos acostumados, desde a introdução da última constituição em 1988.

Na minha opinião a administração Temer já conseguiu muita coisa e está fazendo um bom governo. Acontecesse que paralelamente, a operação lavajato está mostrando a todos que não existe literalmente nenhum político honesto, e isso está revoltando o povo, colocando todos os políticos no mesmo saco. Está em curso uma ação pelo TSE para cassar o mandato de Presidente, espero que não se concretize, geraria uma instabilidade enorme e colocaria nossa economia de volta no buraco.

Consertar um país onde a Lei de Gerson prevalece vai demorar décadas, se é que vai acontecer até no nível individual. O mais importante será a migração. Como numa operação cirúrgica muito delicada, tem que ser feita com cuidado, para não matar o doente!

No post negócio-da-china, fiz os seguintes comentários sobre o ouro onde aventei a hipótese de compra do metal em duas situações

..." a)      Se o ouro continuar a subindo e não tocar no US$ 1.230, ao romper US$ 1.265 no fechamento, fica acionado a compra com um stop a US$ 1.230.
b)       Caso atinja US$ 1.230, o trade acima fica cancelado e vale as premissas anteriores explicitadas acima, cujo stoploss é de US$ 1.195...”

No post Trump-é-um-blefe, acabei cancelando ambas: ...” vou cancelar ambas as alternativas, do trade de compra de ouro que propus ontem. Prefiro esperar uma definição melhor do movimento” .... Espero que não tenha deixado vocês confusos, mas a hipótese b) poderia ser bem diferente do que imaginei.

A alternativa a) parece continuar válida e de acordo com o movimento nesses últimos dias, o ouro se encontra próximo do nível de ativação, razão pela qual vou sugerir novamente essa opção de trade.


Quero deixar registrado que existe uma possibilidade mínima do ouro reverter antes de ultrapassar o limite estabelecido acima de US$ 1.265. Para que isso seja verdadeiro é necessário que o metal comece a cair já, no curto prazo, caso contrário, podemos esperar uma alta até US$ 1.320-1.330. Como vem acontecendo nos outros mercados, ida e vindas está na moda, e honestamente, não me surpreendo com nada.


O SP500 fechou a 2.360, sem variação; o USDBRL a R$ 3,0927, com queda de 0,69%; o EURUSD a 1,0672, sem variação; e o ouro a US$ 1.255, com alta de 0,22%.
Fique ligado!

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