Inflação: A Revanche

28 de abril de 2017

Fiasco

Considerando as primeiras imagens transmitidas pela TV, a greve geral parece que foi um grande fiasco. O que se viu ao redor do país são manifestações mínimas, ou como se diz em linguagem coloquial, com meia dúzia de gatos pingados.

Esses protestos parecem de pessoas desempregadas, que com bandeiras nas mãos e ateando fogo em pneus, buscam atrapalhar a vida dos que estão trabalhando. Mas a polícia em pouco tempo dispersou esses grupos e os bombeiros apagam o fogo, voltando logo a normalidade.

As grandes movimentações planejadas pelo PT e partidos assemelhados do passado parecem não atrair mais as pessoas, ficando apenas os “sem o que fazer”. Em todo caso, as maiores manifestações estão programadas para o período da tarde, é necessário esperar para verificar se confirma essa minha hipótese. Se assim acontecer, a greve geral serviu mais como um pretexto para emendar o feriado.

Mesmo assim, o conteúdo que publiquei ontem continua válido. O projeto de reforma da lei trabalhista passou ontem sem uma grande maioria, essa quantidade de votos não seria suficiente para aprovar a reforma da previdência. Sobre esse assunto assisti um parlamentar do governo comentando sobre a possível votação. Em seus cálculos dos 510 deputados, 150 são carta fora do baralho, restando 360, dos quais são necessários 308 para sua aprovação.

No pragmatismo que me é peculiar, se for preciso 80% dos votos disponíveis para aprovação, parece que as chances não são muito grandes no cenário atual. Assim, continuo com a mesma visão que, ou passa uma reforma desfigurada mudando muito pouco, ou não passa nada.

O FED de Atlanta continua fornecendo a melhor estimativa do PIB americano. Enquanto os economistas estimavam um PIB de 1,4% para o primeiro trimestre, essa fonte acreditava num resultado muito inferior 0,2%. O dado oficial foi publicado em 0,7%.


O efeito tempo já é de conhecimento geral, pelas baixas temperaturas registradas nessa época do ano, o PIB tende a ser baixo. O gráfico acima aponta esse efeito com as barras em roxo. Agora o que eu não consigo entender é como os modelos não levam isso em consideração, haja visto que, os dados são dessazonalizados, ou seja, ajustados para efeitos sazonais.

Verificando-se os detalhes dos itens que compõe o PIB, o que chama a atenção é a queda dos gastos pelos consumidores, que representa quase 70% do PIB. Como o gráfico a seguir aponta, esse trimestre foi o mais baixo desde 2009.


Eu venho notando que os dados de sentimento (soft data) estão divergindo dos dados reais (hard data). No quesito consumo, o gráfico a seguir mostra uma dessas diferenças. O indicador coletado pela Bloomberg diz por si só. Se as expectativas se concretizarem, e para compensar a queda observada no 1º trimestre. Para quem for a Nova York ou Miami no verão americano, se prepare para enfrentar grandes filas!


Neste sábado completam 100 dias que o Presidente Trump está no poder. Podemos afirmar que ele se meteu em grandes trapalhadas. Não tem o menor compromisso com o que fala. Quantos não foram os seus retrocessos, tanto por imposição do Congresso, como o assunto dos imigrantes e Obamacare, bem como de suas promessas que não foram para frente. Parece que vai se confirmado minha tese que ele é um grande blefe.

Por outro lado, é um homem de sorte, assumiu a Presidência quando a economia já apresentava sinais de melhoras. A bolsa de valores, termômetro acompanhado por todo americano, subiu 5,5% um dos melhores 100 dias da história americana. Isso foi suficiente para aumentar sua popularidade?  Depende qual o partido que você observa, para os republicanos sim, para os democratas não. O país continua extremamente dividido!


Hoje percebi que o acompanhamento do SP500 pelo Mosca não é feito com a mesma frequência dos outros mercados. O motivo claramente é o fato de não termos nenhuma posição e nem sugestão de trade. Curiosamente, é o mercado que apresenta melhores indicadores técnicos de alta. Então, por que não fazemos nada? Alguns indicadores mostram um momento delicado apontando que esse mercado está em sua fase final.

No post trump-e-um-blefe, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” meu objetivo colocado há algum tempo é ao redor de 2.450, e caso ultrapasse, poderia atingir 2.850. Por vários motivos trabalho com o primeiro” ... ... “no gráfico abaixo, expus minhas projeções para o SP500, caso o nível de 2.450 seja respeitado. Será uma correção “forte” e com uma duração razoavelmente prolongada” ...


...” Para quem está comprado, sugiro acompanhar bem a área que denominei de “perigo” no gráfico acima 2.300 – 2.2270, qualquer coisa abaixo deve se evitar. Por outro lado, acima de 2.400 abre se a porta para atingir o primeiro objetivo mencionado acima de 2.450 e, se ultrapassado, tenderia a 2.850. Meus indicadores ainda apontam que esse mercado está robusto e que a alta é mais provável” ...


Nestes últimos 30 dias houve pouca oscilação de preços, nem chegou próximo do nível que ocasionaria uma preocupação maior. Depois da eleição na França, no último final de semana, as bolsas no mundo inteiro reagiram positivamente e não poderia ser diferente nos EUA. Agora o SP500 encontra-se muito próximo do nível máximo de 2.400.

É natural nessas situações, onde um mercado está muito próximo de seu ápice histórico, que uma série de derivativos tem esse patamar como barreira, acarretando assim, uma certa resistência de rompimento. Não fosse o objetivo primeiro que indiquei de 2.450, tão próximo do nível atual, valeria uma sugestão de compra. Mas não oferece um bom risco x retorno. Já ficamos fora por tanto tempo não acho que seja hora de entrar.



 O SP500 fechou a 2.384, com queda de 0,19%; o USDBRL a R$ 3,1747, com queda de 0,27%; o EURUSD a 1,891, com alta de 0,17%; e o ouro a US$ 1.268, com alta de 0,38%.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário