Inflação: A Revanche

7 de abril de 2017

Estragaram a festa


Hoje pela manhã, antes de ser anunciado os dados de emprego nos EUA, estava lendo um artigo do WSJ dizendo que os números a serem publicados poderiam ser impactados negativamente pelas baixas temperaturas de março. Mas, os economistas, ao declararem sua projeção, não sabem disso; ou seja, não levam isso em consideração?

Vocês devem lembrar que nessa semana o ADP publicou um resultado de 263 mil novas vagas. Sabe-se que existe uma forte relação entre esse resultado e os dados oficias. Os economistas estavam prevendo a criação de 180 mil vagas, imagino que devam ter considerado o fator tempo. Mas, surpreendentemente, o número veio muito abaixo; com a criação de 98 mil vagas. Surpreendente também foi a taxa de desemprego que caiu ao invés de subir caiu para 4,5%, o menor nível desde de maio de 2007.


Outro parâmetro acompanhado é a elevação dos salários através do custo médio da hora trabalhada. Esse resultado veio em linha com o esperado e aponta para uma elevação estável em 2,7% a.a. E, por último, o participation rate também não apresentou surpresas, ficando em 63%.

Mas, o que deu tanto errado? O gráfico a seguir mostra uma das consequências da mudança de hábito dos consumidores. A contratação no setor de varejo está negativa já faz um bom tempo.


O fenômeno Amazon já faz parte do cotidiano dos americanos e de boa parte da população do mundo. Agora, quando se deseja comprar algum item, a primeira coisa que se faz é pesquisar nesse site qual o seu preço. A partir daí, parte-se do pressuposto que é o mais barato e ainda oferece a facilidade de entrega na sua porta sem custo. Por que alguém iria sair de casa para comprar e até pagar mais caro? Em função disso, veja a quantidade de lojas que fecharam no 1º trimestre nos EUA. 


Além do efeito Amazon, existem os robôs que estão invadindo as fábricas ao redor do mundo. A próxima ilustração permite dar uma ideia do crescimento desse mercado, bem como em que indústrias mais se aplicam, além de sua penetração em diversos países.

 
Esse assunto não é novo, o Mosca já postou inúmeras vezes sobre ele. Todavia, essas mudanças estruturais vão ocorrendo de forma lenta, como um reservatório: no começo tem pouca água, mas um dia fica cheio. Esse dia está cada vez mais próximo e resultados como os de hoje poderão se perpetuar no futuro.

A leitura simplista desses resultados é que o mercado de trabalho está apertado para alguns tipos de funções e seus salários estão subindo. Para os outros trabalhos, substituídos pela tecnologia, estão diminuindo. As pessoas que estão sendo demitidas acabam saindo do mercado de trabalho. Como isso vai terminar, eu não sei, mas se pode imaginar um grande desequilíbrio!

A bolsa brasileira está aguentando vários desaforos. Esta semana foi noticiado que os estrangeiros tiraram R$ 3,3 bilhões de recursos investidos durante o mês março, revertendo boa parte das entradas do começo do ano, depois o cenário incerto internacional e, por último, as dificuldades que existirão na reforma da previdência. Com tudo isso, o Ibovespa se encontra ao redor de 64.000 desde o começo de março.

No post pega-ladrão, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” No gráfico abaixo, tracei o que estou esperando, uma correção terminada (zig zag). Mas, teremos que esperar, não posso eliminar nenhuma opção. Por enquanto, meus dados de longo prazo apontam para novas altas no futuro, mas no curto prazo está indefinido” ... ...” Acima do nível de 67.000 nós ganhamos mais alento, mas mesmo assim não solte rojões é preciso ultrapassar os 70.000, pois a correção pode ainda demorar mais tempo, e não ter terminado, como eu gostaria” ...

 
Se a reforma da previdência não for aprovada de forma convincente, saí de baixo; os ativos brasileiros vão cair muito. O mercado já incorporou como certo que isso não irá ocorrer e, pelo contrário, será aprovada dentro do seu cronograma, ou seja, por volta de julho. Nestes últimos dias, tanto os americanos como os brasileiros estão menos otimistas, e resolveram ver para crer, ocasionado uma pequena queda nas bolsas.


Não gosto muito de associar fatos ao gráfico, mas nesta situação parece que o fundamento pode estar combinando com os dados técnicos. O gráfico a seguir sugere um movimento de correção denominado de triângulo que manteria os preços contidos entre 63.000 e 69.000 por um tempo. Apontei também que poderia se encerrar por volta de junho/julho, onde voltaria a subir.


Vocês já sabem que é impossível fazer grandes previsões da forma, quando se trata de correção. Eu imaginei um triângulo, mas pode ser qualquer outro. Vamos imaginar que seja mesmo o triângulo. Ao final, a análise técnica tem um grande diferencial em relação aos fundamentalistas. Enquanto esses últimos estão praticamente todos alinhados que a bolsa só pode subir, os técnicos teriam duas possibilidades; a mais provável (67%) é que suba mesmo, porém existe uma outra com chance de 33% de queda.

Tudo isso só poderemos saber com o passar do tempo. Por enquanto, estamos comprados na bolsa com um stoploss a 62.000. Agora, o resto deixamos para o mercado falar através de seus movimentos.



 O SP500 fechou a 2.355, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1457, com 0,12% de alta; o EURUSD a 1,0588, com queda de 0,51%; e o ouro a US$ 1.253, com alta de 0,18%.
Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário