Inflação: A Revanche

11 de abril de 2017

É bom ser devedor?


Hoje vou falar um pouco de dívidas e começo com uma pergunta: Você pagaria 1.000% de juros? Naturalmente, são necessários alguns esclarecimentos adicionais. O ponto principal dessa pergunta é que não se refere a um pais que se encontra em hiperinflação. O objetivo é usar esse dinheiro para um negócio certeiro que vai gerar um lucro mínimo de 20%.

Minha resposta é: depende; se eu precisar somente por um dia, eu tomaria emprestado, e seu custo seria de 1%. Entretanto, com esta taxa absurda, se for por um mês já não vale a pena. E se os juros fossem de 15% a.a. para ir jogar no Cassino? Eu não aceitaria o empréstimo, pois como o resultado desse empréstimo depende de sorte, posso perder todo o dinheiro e não teria como recuperar.

Esses exemplos simples tem o intuito de ilustrar que nem sempre é óbvia essa pergunta.

Os EUA têm se tornando um grande devedor de outros países, comparado ao que fornece de empréstimos. O que os americanos tomam emprestado para financiar sua Balança Comercial, está levando-o para o buraco.


Alguns economistas acreditam que a administração Trump terá que desvalorizar o dólar a fim de diminuir o déficit comercial.

Os estrangeiros que detêm títulos americanos, como bonds do tesouro e de companhias, ultrapassam o que os americanos possuem em obrigações estrangeiras num montante de US$ 8,4 trilhões, segundo um relatório publicado pelo Bureau of Economic Analysis. Esse montante corresponde a 45% do PIB. Sua projeção é de que atinja 53% em 2021, porém poderá se acelerar caso a administração do Trump decida cortar impostos e o Congresso resolva expandir seu déficit orçamentário.

 
Os EUA estão se aproximando de uma zona que poucos países conseguiram sobreviver incólume. Segundo Gagnon, nenhuma economia de um tamanho médio teve um déficit acima de 60% sem uma grande reversão na sua Balança Comercial, normalmente acompanhada de um severo stress financeiro.

Empréstimo não é necessariamente um problema, especialmente se um país tem muitos recursos naturais. Porém, uma parcela substancial do empréstimo americano é para financiar consumo ao invés de investimentos que poderiam elevar sua expansão econômica.

Uma vantagem que os americanos possuem é o fato do dólar ser uma moeda universal. Isso implica que não teriam uma corrida nas suas reservas, caso os estrangeiros decidam sair desses títulos.

Segundo as contas do Ganon, para que a dívida se estabilizasse ao nível de 50% do PIB, o déficit comercial deveria ser reduzido dos atuais 4% para 2%, o que ocasionaria uma desvalorização do dólar de 14%. Porém, o governo Trump diz que pretende cortar seu déficit através de melhores negociações com outros países, incluindo elevar as tarifas e restrições de investimento.

Um país não quebra diferentemente das empresas. Mas pode ter várias consequências quando seus credores começam a desconfiar que uma crise se aproxima. A maneira clássica de se resolver um problema de dívida é através da desvalorização da mesma. Essa desvalorização pode ser feita por meio de uma renegociação forçada, isso se resume a troca dos títulos existentes com um corte em seu valor (caso Grécia), ou através de inflação mais elevada que acaba tendo um efeito semelhante.

Será que vou ver isso acontecer nos títulos em dólar enquanto estiver vivo?

Já que o assunto é dívida, a figura abaixo contém diversas informações sobre o assunto. Na parte superior, a emissão de dívidas denominadas de High Yield em comparação aos anos anteriores; a evolução das taxas em relação aos juros dos títulos americanos; na parte inferior, a percentagem desses títulos que entram em default (notem que se espera uma queda); e por último, as maiores emissões em 2017.


No post espetacular, fiz os seguintes comentários sobre o ouro: ..." a) Se o ouro continuar a subindo e não tocar no US$ 1.230, ao romper US$ 1.265 no fechamento, fica acionado a compra com um stop a US$ 1.230” ...


Esse acaba sendo mais um caso de como a disciplina é importante. Eu grifei a condição para iniciar o trade, o preço estar acima de US$ 1.265 no fechamento.


No gráfico acima apontei a última sexta-feira com uma flecha verde. Nesse dia, o ouro atingiu a máxima de US$ 1.270 e se não tivesse colocado a ressalva, teríamos comprado. Acontece que durante o dia, o metal recuou e acabou fechando quase nas mínimas, a US$ 1.250. Ontem, o ouro ameaçou cair e chegou a ser negociado a US$ 1.247; porém, notem que não violou a reta verde, fechando praticamente no mesmo nível da abertura a US$ 1.254.

Hoje, o ouro rompeu de forma definitiva o nível de US$ 1.265 e encontra-se no momento a US$ 1.272, o que ativou a sugestão de compra que sugeri.

Eu acabei relatando em detalhe pois queria frisar que o movimento da última sexta-feira poderia ser um false break, onde o ouro retornaria até o nível de US$ 1.200. Mas acabou não acontecendo e o mesmo resolveu dar meia volta e subir. Essa flexibilidade é fundamental para quem decide usar a análise técnica. Pouco importa as suas convicções baseadas em fundamentos se o mercado ruma noutra direção. Se você não se adaptar vai perder dinheiro e ficar p#&o da vida!

Você aprende as ferramentas de análise, faz as suas premissas e coloca ficha na mesa. Se estiver certo, vai ganhar; se estiver errado, vai cair fora rapidinho. A diferença entre essas situações é que seu ganho por trade será significativamente superior à sua perda. E, por último, se precisar inverter o trade completamente, baseado nos fundamentos técnicos, por que não o fazer?

O SP500 fechou a 2.353, com queda de 0,14%; o USDBRL a R$ 3,1411, com alta de 0,32%; o EURUSD a 1,0605, com alta de 0,11%; e o ouro a US$ 1.272, com alta de 1,45%.
Fique ligado!


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