Inflação: A Revanche

10 de abril de 2017

C'est la folie!


Quando eu trabalhava no Banco Francês e Brasileiro, costuma ouvir o termo em francês C’est la folie. Inicialmente, numa tradução chutada, concluía ser algo relacionado a uma folia, farra. Porém as situações não condiziam com essa interpretação, foi quando resolvi perguntar seu significado: Isso é uma loucura!

Os franceses estão há poucos dias de sua eleição para Presidente e um resultado diferente do que o esperado pelos investidores poderia colocar muita pressão nos mercados financeiros, como foi o caso recente do Brexit. As últimas pesquisas indicavam um segundo turno entre a candidata de direita Marie Le Pen contra o candidato de centro Macron. Mas nesse final de semana, as pesquisas apontam mais um candidato com chances de mudar esse cenário. Desta vez surgiu o político de extrema esquerda, Jean-Luc Melechon com possibilidades de ir ao segundo turno.


Com essas últimas informações a situação passa a ser: Marie Le Pen e Macron com 24% cada, Melechon e Filon com 18% cada. Esse quadro não poderia ser mais indicativo da insatisfação vivida na França, bem como as alternativas propostas pelos candidatos. Pode-se dizer que persiste um empate generalizado entre eles, com uma pequena preferência para o primeiro grupo. Contudo, dá para confiar quem estará no segundo turno? Sinceramente, depois dessa nova pesquisa, eu não me arrisco.

Então apela-se para a estatística com uma análise par a par. Não precisa ser um cientista político para concluir que, um segundo turno entre Le Pen e Melechon seria ruim para o mercado, e como polo opostos não se atarem, extrema direita ou extrema esquerda, causariam um grande estrago ao mercado. Nesse momento, prefiro não me aventurar nessa análise de qual seria o menos pior, mas a frase, que agora já conheço seu significado, se aplica perfeitamente as eleições francesas; C’est la Folie!

Está semana se comemora a pascoa e os mercados internacionais e locais estarão fechados na sexta-feira, embora nesse dia, será publicado os dados de inflação nos EUA. O hard data continua se deteriorando em detrimento do soft data, e o diferencial entre eles fica cada vez mais gritante. O gráfico a seguir espelha a evolução entre ambos.


Com as recentes publicações da fraca venda de automóveis e dos dados de emprego, o PIB calculado pelo FED de Atlanta teve uma queda de 0,4% situando-se agora em 0,6% para o 1º trimestre deste ano. No final de abril o governo americano publicará o resultado oficial desse indicador e imagino que se estiver próximo do número apontado pelo FED de Atlanta o impacto deverá ser bem negativo para os mercados. Creio que nenhuma desculpa atribuída a esse resultado será convincente. Esse é mais um risco aos muitos que estão por aí.

O crédito é fundamental no estágio atual das economias mundiais, uma retração não seria nada bem-vinda.  Um acompanhamento global desse indicador feito pelo banco UBS, apresenta uma queda expressiva nos últimos 12 meses. A ilustração a seguir deixa claro que o maior responsável foi a China. Por um lado, muitos analistas se colocavam muito céticos em razão da qualidade dos empréstimos nesse país e recomendam uma limpeza dos balanços dos bancos anotando como perda os que se enquadrassem nesse caso. Por outro lado uma retração por parte dos investidores poderá desencadear uma recessão indesejada.



Embora tenha sido publicado na última sexta-feira vale um comentário adicional sobre o IPCA de março. Sua variação foi de 0,25% no mês, levando sua taxa em 12 meses para 4,57%, ficando agora dentro da meta estabelecida pelo banco central brasileiro. A tabela a seguir mostra os destaques onde eu enfatizo os preços livres que apresentou uma variação semelhante ao índice geral e uma pequena elevação na difusão no mês.


O COPOM se reunirá nesta quarta-feira e espera-se uma redução da taxa SELIC em 100 pontos passando de 12,25% a.a. para 11,25% a.a. Existem todas as condições para que esse processo de redução se acelere, mas acredito que o banco central quer ter mais segurança em relação a reforma da previdência, razão pela qual, optou por um caminho mais lento para colocar a taxa ao nível de 8,5% a.a., segundo as estimativas da Rosenberg.

É interessante que alguns países emergentes se encontram em situação semelhante, ou até pior que a brasileira como a Rússia, em termos de inflação. O gráfico a seguir mostra uma situação sui generis, parecendo que de uma forma uníssona todos estão num processo de desinflação. Será que combinaram literalmente com os Russos? Hahaha ...


No post china-pega-o-vácuo, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ...” um rompimento do nível de R$ 3,06 vai abrir a porta para nós, e abaixo de R$ 3,03, escancara! Pode ser que, o dólar ainda fique por mais algum tempo em cima desse número mágico de R$ 3,11, mas não deveria ser por muito tempo” .... No gráfico abaixo, extraído da publicação mencionada, coloquei duas hipóteses para o movimento desejado, e parece que a verde ganha mais crédito.


Passado uma semana, a configuração de triângulo parece estar se formando. Não custa repetir que nessas circunstâncias (67%), o triângulo tende a romper na direção que prevalece, neste caso para baixo, e 33% em sentido inverso.

-David, isso parece que deve acontecer rapidinho.
Faço uma associação do triângulo com a das serpentes, pois o mercado tende a traçar um movimento como a cobra. Entretanto, pode ser tão traiçoeiro como ela, e ao invés de seguir seu caminho pode te dar uma mordida. Assim, não se consegue fazer uma previsão nem do tempo que vai durar nem do sentido. A única coisa que temos a nosso favor é a estatística cuja a probabilidade nos favorece. 

O SP500 fechou a 2.357, sem alteração; o USDBRL a R$ 3,1311, com queda de 0,46%; o EURUSD a 1,0593, sem alteração; e o ouro a US$ 1.255, sem alteração.
Fique ligado!

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