Inflação: A Revanche

6 de abril de 2017

Procura-se gari


O atual Prefeito de São Paulo, João Doria, está fazendo uma ótima gestão. É verdade que está usando muito do marketing para anunciar suas conquistas, porém é inegável sua motivação de melhorar a cidade. Logo no início, postou na mídia em diversos finais de semana, fotos na rua vestido de gari junto aos empregados da Prefeitura encarregados da limpeza da cidade. Acho que seu recado foi claro, quer dar o exemplo de como cada cidadão deve cuidar do lugar onde mora. Parabéns! Não é a toa que já se ventila seu nome como candidato a Presidência em 2018.

Mas, poderá sofrer uma concorrência enorme por este tipo de funcionário, pois eu antevejo uma demanda internacional na busca desses profissionais com grande experiência.

Desde 2008, quando o mundo sofreu um baque expressivo causado pela bolha imobiliária americana, O FED se antecipou aos outros bancos centrais e colocou em prática um experimento econômico idealizado por John Maynard Keynes, cuja teoria advogava que o estado deveria prover o suporte ao setor privado em situações de pré-depressão.

Seu Presidente Ben Bernanke, elaborou na academia um estudo sobre o Japão e defendeu a tese que se deveria fazer uso de qualquer meio para injetar recursos na economia. Em sua defesa, fez uma analogia a despejar dólares através de helicópteros. O Mosca usou esse termo em muitos posts publicados nos últimos anos. Isso valeu para o FED, BOE, ECB, BOJ e alguns outros que usaram desse instrumento para evitar o pior.

Tal movimento cessou na maioria dos países, onde a única exceção atualmente é o banco central japonês e o europeu, este último em estágio final. Todo esse movimento fez com que os balanços desses bancos centrais crescessem de forma explosiva e, acumuladamente, mantém uma cifra de US$ 12 trilhões.

Ontem foi tornado público a minuta da última reunião do FED, e nesse documento os diretores concordaram em começar o processo de diminuição do seu balanço. O que não ficou claro é se essa ação poderá ter algum impacto na trajetória de alta dos juros em 2018.  Só para dimensionar o tamanho desse movimento, atualmente ele detêm US$ 4,5 trilhões em títulos. Também enfatizaram que será de forma gradual e previsível. A intenção é começar no final do ano.

Essa revelação foi suficiente para colocar uma retração instantânea no mercado; a bolsa que estava subindo, mergulhou em seguida. Ela havia subido em função dos números positivos do ADP, que comentei ontem. Contudo, devolveu toda alta, conforme se pode verificar no gráfico do SP500 a seguir.

Como a maioria dos ativos que detêm são bonds do governo americano e títulos vinculados ao mercado imobiliário, surge uma questão imediata: quem serão os novos compradores desses títulos? Os estrangeiros ultimamente têm diminuído suas posições, os americanos não são muito de poupar; quem poderá ser? Parece que, no mínimo, as taxas terão que subir podendo causar uma recessão. Assim o mercado reagiu imaginando que o FED terá que retrair em sua expectativa de normalização dos juros. Tanto é verdade, que a perspectiva de aumentos para esse ano se reduziu para menos de duas.

Imediatamente, os pilotos de helicópteros entraram em pânico depois de tantos anos trabalhando sem cessar, pois, com acúmulos de serviços ao redor do mundo, a demanda agora simplesmente sumiu. Por outro lado, surge uma nova oportunidade, nasce a extremante promissora oportunidade de gari.

Imagine, quem não gostaria de trabalhar em Nova York buscando as centenas de bilhões de dólares que foram lançadas pelos helicópteros durante esses anos, e com tudo pago! Até os políticos brasileiros devem estar pensando nessa oportunidade de ouro, pois agora sem a possibilidade de assaltar a Petrobrás, quem sabe recolhendo as notas de US$ 100 dólares não sobram algumas que podem colocar no bolso. Não esqueçam, são especialistas no ramo, o FBI não conhece suas técnicas. Não se choquem se nas próximas semanas políticos do PT acompanhe o Dória nos finais de semana junto aos garis para adquiri prática na profissão! Hahaha ...

O Presidente Trump se reúne com o Presidente Chinês, Xi Jinping, nesta quinta-feira na Florida. Será o primeiro encontro entre os líderes das duas maiores economias do planeta. Como Trump não fala chinês, nem Xi fala inglês (mas deve entender bem), um interprete pode modificar o tom da conversa. Se esse encontro acontecesse há 30 dias, talvez o ímpeto do Presidente americano fosse outro. Agora, depois de uma série de derrotas, será interessante verificar qual será o resultado.

Dentre as mediadas anunciadas por Trump, apenas a redução de impostos é tida com uma chance maior de 50%. Como comentei no post trump-é-um-blefe, pode ser que essa dúvida se Trump é um blefe se confirme.


Nos últimos dias, os mercados está num compasso de espera sem indicar uma direção clara. Como essa é uma condição necessária para que se possa gerar lucro pelos traders, este ambiente é péssimo. Vou sempre insistir na minha tese que o mercado mais importante a se acompanhar em 2017 são os juros de 10 anos americanos. No post bye-bye, onde comentei: ...” No primeiro caso (1) uma retração até o nível ao redor de 2,22% a.a. para em seguida iniciar uma nova tendência de alta, ou uma queda um pouco maior até 2,10 (2) para em seguida subir” ...


E agora se encontra muito próximo de 2,31%. Por que é tão importante esse parâmetro? Porque indica que caso rompa esse nível, a correção não terminou e os juros deverão cair mais antes de retomarem o caminho da alta.



Conforme anotei no gráfico acima, os objetivos são de 2,22 % a.a. e, se rompido 2,10%. Acredito que esse último possa ser o mais provável, em função de outros parâmetros analisados. Só depois disso as taxas deveriam começar a subir. Em termo de tempo, é sempre mais difícil a projeção, mas imagino que possa se estender pelo verão do hemisfério Norte.


O que poderia acontecer para levar os juros a níveis mais baixos do que estão hoje? Primeiro, a extrema confiança de que eles só possam subir, levando a acionar muitos stoploss; segundo, a publicação de um PIB muito baixo; terceiro, dúvidas do impacto na diminuição do balanço do FED, assunto ventilado hoje. Entretanto, para o analista técnico, pouco importa essa secção de futurologia, o importante é o bolso!

O SP500 fechou a 2.357, com alta de 0,19%; o USDBRL a R$ 3,1420, com alta de 0,87%; o EURUSD a 1,0642, com queda de 0,30%; e o ouro a US$ 1.251, com queda de 0,32%.
Fique ligado!

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