2018: Vestibular Político

27 de setembro de 2017

Por princípio


Para quem tinha alguma dúvida se o FED subiria os juros na próxima reunião de dezembro, não precisa mais se preocupar, eles irão subir. Ontem a Presidente do FED, Janet Yellen, disse claramente que mesmo não entendendo quais foram os motivos, que fizeram a inflação ficar tão baixa, vai seguir em frente com seus planos. O FED acredita que com as condições da economia aliada a um mercado de trabalho apertado, é razoável supor que a inflação caminha para seu objetivo de 2%.

Naturalmente ela não foi tão enfática como minhas palavras pois é de sua função deixar as portas abertas para qualquer reavaliação. Como venho comentando ultimamente, sempre acreditei que os membros do FED seriam levados pelo seu histórico acadêmico onde não existe lugares para experimento, vale o livro texto.

Em função dessas declarações a probabilidade de elevação dos juros na próxima reunião de dezembro subiu para 70%, e mesmo as taxas de mais longo prazo subiram.


A decisão do FED não é tão crucial, pois o nível dos juros ainda é tão baixo que mesmo que a taxa suba até 2% a.a., com uma inflação atual de 1,6% a.a. significa um juro real ínfimo de 0,4% a.a. O que eu quero dizer é que não existe um custo tão elevado se for cometido um erro. Naturalmente que acima disso, um desacerto poderia ter um impacto econômico maior.

O banco Goldman Sachs vai além, suas projeções para o nível de desemprego e a inflação, apontam para os próximos anos, um resultado em outra direção, com a taxa de emprego retrocedendo levemente – subindo - e a inflação medida pelo PCE acima de 2,5%.

 
Com essas premissas os juros teriam que subir mais do que o FED projeta e muito mais do que a expectativa do mercado. Como se pode verificar a seguir, caso esse banco esteja correto, os juros teriam que subir muito, muito mais. Até imagino que possa haver quedas bruscas nos ativos de risco.


A ilustração a seguir mostra a mudança de tom dos diversos bancos centrais. Esse índice de difusão calcula a diferença do número de bancos centrais elevando os juros menos os que estão diminuindo. Parece que estamos entrando numa fase global de alta de juros, menos aqui no Brasil.


Uma compilação dos juros desde 1800 feita com os países que compõem o G7, mostra que os juros nunca estiveram tão baixos. Porém, o que chama minha atenção, e o comportamento da curva partir de 1980, dando a entender que naquele ano se iniciou uma nova era, com quedas abruptas da inflação culminado com a queda dos juros. Isso merece um estudo acadêmico a fim de identificar as suas razões.


Mas voltando ao FED, não parece restar nenhuma dúvida que o mesmo elevará os juros agora em dezembro e provavelmente continuará a agir desta forma no próximo ano, subindo os juros até pelo menos 2 % a.a. independentemente do que a inflação apontar. Essas altas serão por princípio.

No post inflação-misteriosa, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ...” É impressionante a força da bolsa brasileira, em alguns momentos parece que uma realização está para acontecer, mas nada, chega ao final do dia e o índice fica próxima da máxima” ... ...” acontece que tanto os fatores fundamentalistas como os técnicos estão em sintonia, e quando isso acontece é esperado um movimento direcional forte, sem respiro” ...


Como o céu não é o limite, em algum momento acontece uma queda, o prenuncio de uma correção. Os motivos para que isso aconteça não é nenhum dos que vocês podem ler nos noticiários: Juros externos subindo, Temer, Lula, Palocci, e etc... A razão é simples: Preço! Depois de uma alta vertiginosa, muita gente resolve cair fora e embolsar seus lucros. Esse é um movimento saudável onde acontece a troca de mãos, como se diz no jargão de mercado, os especuladores dão lugar aos compradores finais.


No gráfico acima apontei o possível movimento de correção que poderá ocorrer nas próximas semanas. A princípio haveria três pontos de destaque a saber: 1) -73.000, 2) - 71.500 e 3) – 70.500. Abaixo desse último algo mais forte e profundo vai acontecer. Eu vou propor um trade de compra provavelmente a 71.500, mas não quero ainda me antecipar.

- David, mas nós já temos posição, você esqueceu? Idade! Hahaha ...
Não esqueci não, mas os gráficos são tão sólidos que justifica uma posição dobrada.
- E se você estiver errado?
Bem isso sempre é possível, nesse caso o stoploss está aí para proteger nosso bolso. Já que você tocou no assunto, uma outra possibilidade seria a hipótese de o índice haver complementado de um movimento de alta longo, com uma correção mais profunda se sucedendo, nesse acaso, se pode esperar quedas até 60.000 ou 57.000, nada desprezíveis.

Porém não parece ser esse o caso olhando de hoje, mas tudo é possível, o que não deveria acontecer seria a de teimar comprado só por que estamos otimistas. 

O SP500 fechou a 2.507, com alta de 0,41%; o USDBRL a R$ 3,1905, com alta de 0,77%; o EURUSD a € 1,1751, com queda de 0,35%; e o ouro a U$ 1.283, com queda de 0,80%.
Fique ligado!


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