2018: Vestibular Político

29 de setembro de 2017

Rápido e sempre



Tenho notado como os investidores ficam focados nos dados dos EUA, Europa, Japão e etc ... e muito pouco se fala sobre a China. Não se pode esquecer que é a 2º maior economia do mundo. Discute-se inflação para cá, juros para lá, corte de impostos, e ninguém se atreve a dar algum palpite do que deveria ser ajustado naquele país. Na verdade, estou exagerando um pouco, de tempos em tempos, aparece uma onda normalmente alertando para perigos. Em nada acontecendo, cessa.

Resolvi fazer um update dos principais mercados daquele país. Começando pela bolsa de valores, que vem lentamente recuperando desde o início de 2016, depois de passar pelo fogo cruzado de 2015. Este ano a alta foi de 10%, bastante inferior a de outros países emergentes. Outro fator de destaque é a queda da volatilidade, fenômeno que vem acontecendo em todas as principais bolsas de valores.


Já a moeda, o reminbi, teve um comportamento diferente da bolsa pois seguiu se desvalorizando até o final de 2016, onde adentrou na região de perigo do ponto de vista técnico, apontado abaixo pelo retângulo vermelho. Em 2017, seguindo a desvalorização do dólar ocorrida contra a maior parte das moedas, o reminbi acabou mudando sua trajetória e chegou a se valorizar 7%, o que é bastante para uma moeda que tem suas cotações controladas pelo governo. Desde esse pico atingido no início deste mês o governo tem agido para evitar uma valorização excessiva.


Alguns outros dados que mostram a inclusão, e porque não, a liderança em algumas áreas, apontam para o futuro domínio dos chineses, onde algum tempo atrás eram de exclusividade dos países ocidentais. Em termos de turismo sua população é a que mais viaja para o exterior, e num ritmo muito maior que os outros. É verdade que sua população é enorme, mas a da Índia também é.


Em termos do conceito de penetração de e-comerce, também está na liderança, com um índice impressionante de 1 X 4, ou seja, em cada quatro chineses, um usa a internet para fazer suas compras.


Até o momento o governo Chinês soube controlar as crises com muita competência. E não foram poucos os momentos de conturbação nas bolsas de valores, quedas ininterruptas no seu nível de reserva, endividamento elevado das empresas, e diversos outros. Em alguns momentos analistas apontavam que um descontrole era eminente. Mas por enquanto, os chineses continuam crescendo a níveis invejáveis.

É verdade que muita desconfiança existe na publicação de seus dados econômicos, porém nada explodiu como faziam crer esses analistas. Também não acredito que se poderia esconder os dados reais por tanto tempo. A China cresce rápido e sempre!

Hoje a Yellen levou mais um gol contra, foi publicado o PCE – índice de inflação usado pelo FED para gerir sua política monetária. O mesmo permaneceu bem abaixo da meta traçada de 2%. O índice cheio foi de 1,4% a.a., enquanto o core que exclui gasolina e alimentos, 1,3% a.a. Não acredito que o FED deixara de subir os juros em dezembro, mas seu argumento de que a inflação é temporária fica questionável. Um temporário definitivo? Hahaha ....



No post o-SNB-acertou-no-que-não-viu, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” No gráfico abaixo apontei duas possibilidades, preto ou vermelho. Na primeira – preto - já estaríamos no movimento de alta e a confirmação viria ultrapassado o nível de 2,35% - 2,40%; a segunda – vermelha - onde uma nova queda a nível de 2% estaria a caminho. Essa evidencia teria um conforto maior se o juro cair abaixo de 2,22% - 2,18%” ...


Minha prudência se mostrou acertada, depois da turbinada propiciada pelas declarações da Yellen, os juros acabaram subindo, o que teria nos colocado numa situação desconfortável, caso tivesse vendido apostando numa queda, como era minha intenção original. Vocês podem ter certeza que eu não tinha nenhuma informação privilegiada da professora Yellen.


Não vou me meter a besta e entrar agora na ponta contrária apostando na alta de juros, não ainda. Conforme mencionei acima, os juros terão que ultrapassar a barreira dos 2,35 % - 2,40%, para que eu avente essa hipótese. No gráfico acima marquei uma figura denominada de megafone – em vermelho. Enquanto não romper o limite vermelho, pode ser que os juros ainda voltem a cair ao nível de 2% a.a. Pode ser! Essa é uma configuração rara mas se estiver em voga, é isso que acontece.

Acho que faz todo sentido, passei essa semana escrevendo sobre a divergência que existe entre o mercado e o FED, e essa figura se encaixa bem nesse cenário. Se esse for o caso, o FED vai ter que recuar em algum momento. Está ficando interessante!

 
(*) O SP500 2.516, com alta de 0,27%; o USDBRL a R$ 3,1684, com queda de 0,43%; o EURUSD a € 1,1823, com alta de 0,33%; e o ouro a U$ 1.282, com queda de 0,33%.
(*) as 16:30 hs.

Fique ligado!

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