2018: Vestibular Político

28 de setembro de 2017

Visibilidade comprometida


Hoje foi publicado o resultado final do PIB americano no 2º trimestre, apontando um crescimento de 3,1% a.a., nada mal! Como se pode verificar no gráfico a seguir, praticamente todos os grupos cresceram com exceção das importações.

Uma certa estabilidade se apresenta desde 2016, diferentemente de anos anteriores com resultados mais erráticos. Parece que um crescimento ao redor de 2% a.a. é a nova realidade, ficando a dever a outros tempos onde se crescia perto dos 4%.


Porém todos sabemos que neste mês de setembro, dois furacões tiveram impacto significativo nos resultados econômicos. A previsão fornecida pelo FED de Atlanta, GDP now, já se observa esse efeito, embora os analistas ainda não atualizaram suas previsões.


Porém não será somente os dados de PIB que serão afetados, os de inflação também devem apresentar distorções, haja visto a alta nos preços da gasolina e certamente em diversos outros itens.

Essas observações terão importância na batalha existente entre o FED e o mercado no que tange a política monetária. Porém não é sem motivo essa divergência, o gráfico a seguir mostra que a previsão do FED nesses últimos anos obteve 100% de erro! O mercado resolveu deletar as projeções da autoridade monetária e usar a suas.


Até pouco tempo existia uma frase que postulava um alerta ao mercado don´t fight the FED, indicando que se um investidor decidisse ir contra a política implementada monetária indicada pelo FED, a maior chance é que perderia dinheiro. Mas nos últimos anos, e especificamente no mercado de juros, o certo era fazer ao contrário, ir contra.

No post de ontem por-principio, conclui que pelas palavras de seu Presidente, Janet Yellen, o mais provável é que, os juros subirão até pelo menos 2 % a.a., o FED não se deixará influenciar por dados que indiquem dúvida, naturalmente, sem grandes aberrações.

Como comentado ontem também, os juros embutidos nos títulos existentes subiram, afinal pode ser que a frase citada acima, volte a valer. Mas não foi nada significativo, ainda permanece uma grande diferencial entre o mercado e o FED, e somente a evolução dos dados poderá indicar uma convergência.

Acontece que nos próximos meses os dados serão contaminados pelos furacões. Nenhum analista conseguira separar o joio do trigo. Em outras palavras, quanto seria o PIB e a inflação, ao se expurgar os efeitos do furacão? Notem que o primeiro tem um efeito baixista para os juros enquanto o segundo altista, para complicar ainda mais a situação.

Eu não tenho muita dúvida do que o FED irá fazer, porém tenho dúvida sobre o mercado. Vão acompanhar o FED ou ainda manterão seu grau de ceticismo, mesmo que as informações de curto prazo estarão “incorretas”? Certamente os próximos meses, a oscilação proveniente dessa diferença de cenários acontecerá. Porém, a visibilidade está comprometida.

Eu recebi um gráfico que fornece uma boa visão, sobre a diferença de rendimento dos americanos. Na ilustração a seguir está computado a média e a mediana. Para frisar a diferença entre ambos indicadores, a média é calculada tomando-se em consideração todos os salários divididos pelo número de pessoas; a mediana é o valor que separa a metade maior e a metade menor da amostra, indicando o número central. Outra informação constante no gráfico é a quantidade de pessoas que se encontram na média - vermelho. A conclusão é que em média os americanos tiveram aumentos de salários, entretanto a dispersão foi muito elevada, ou seja, houve uma forte concentração de renda.

 
Já na área de bolsa de valores o gráfico abaixo mostra algo incrível, nunca antes visto nos últimos 100 anos! Nele está representado qual a maior queda do índice de bolsa durante um ano especifico, ou seja, se alguém comprou ações no primeiro dia do ano, qual a maior variação percentual acumulada negativa, ocorrida em qualquer dia do ano. Praticamente zero! Isso dá muita coragem para novas entradas na bolsa.

 
No post china-x-bitcoin, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” vamos entrar numa posição comprada no mesmo nível que ativa nosso stoploss, a 2.495. Essa tática é o que se denomina de compra dobrada, uma parte eliminando a operação em curso e outra abrindo uma nova. Nesse caso o novo stoploss será de 2.440” ...


A bolsa continuou subindo a passos de tartaruga, muito mais despacito que a famosa música pop. Por enquanto não surgiu nenhum sinal que, a tão esperada correção, está próxima. Aliás, nosso trade anterior foi feito com essa expectativa, mas fomos estopados! Então mudamos de ponta e entramos na compra.


No gráfico acima de médio prazo apontei possíveis níveis de interesse, o primeiro é 2.550, depois 2.620, depois .... E assim se pode calcular nível após nível. Mas é o mercado que diz quando vai parar e não o analista técnico ou mesmo o analista fundamentalista que usa a teoria de finanças clássica.

Mas tenho certeza que um dia vai parar!

Já deixei agendado - esperando - no gráfico a indicação baseada na teoria de Elliot Wave, quando isso acontecer. Para quem conhece a teoria e acredita, uma onda 4 vai dar início e será das grandes. Vamos vender com certeza em algum momento, quando essas indicações ficarem mais evidentes. Mas não contra o mercado, só porque subiu muito, ou qualquer outro argumento.

Se tudo der certo nessa minha visão, vou poder concordar com os analistas que estão muito otimistas e acham que um novo mercado de alta está só no começo – estamos agora nessa ponta, como também com os baixistas que acreditam que a bolsa está na eminencia de uma queda – esses ainda não concordamos só quando a alta terminar. E assim, vamos mudando de lado conforme o mercado muda e não baseado no nosso desejo.

O SP500 fechou a 2.510, com alta de 0,12%; o USDBRL a R$ 3,1822, com queda de 0,34%; o EURUSD a € 1,1784, com alta de 0,28%; e o ouro a U$ 1.286, com alta de 1.286.

Fique ligado!

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