2018: Vestibular Político

20 de setembro de 2017

Rosha Shana X FED


Hoje foi um dia concentrado em dois temas: votos de bom ano novo, comemorado no calendário judaico; e a expectativa pelo anuncio do FED, vou começar pelo primeiro. Nessa nova era digital, se tornou pratica o envio de frases acompanhada de ilustrações desejando Shana Tova – Feliz ano novo em hebraico. É costume no jantar á noite servir maça com calda de mel simbolizando que se tenha um ano doce.

Ao receber essas mensagens, pelos vários veículos sociais, me perguntei até que ponto era valido votos dessa forma, aplicado a toda sua lista de contatos. Como consequência, se deveria responder a cada um deles. Naturalmente deveria existir uma hierarquia na lista: família, parentes, amigos próximos e conhecidos. Esta forma de envio coloca todos no mesmo nível, isso torna essa ação de certa forma impessoal. Por outro lado, gera um clima positivo que antigamente não acontecia, pois, os cumprimentos eram feitos pessoalmente, e se limitavam as pessoas que se encontrava.

Cheguei à conclusão que vale muito, pois do mesmo jeito que eu sinto esse clima positivo, meus contatos também o sentirão. Decide mandar a todos, mesmo que não lembrem que foi o David que mandou. Resumindo, essa forma de expressar passa a ser mais institucional que pessoal, mas atinge seu objetivo.

Em relação ao FED, na minha leitura tive acesso as mais variadas opiniões, porém todos concordam que as decisões de hoje, é muito importante para identificar os rumos da política monetária na maior economia do planeta.

A decisão veio em linha com a expectativa do mercado. No lado da retirada de liquidez, o FED começará a partir de outubro próximo com U$ 4 bilhões de títulos imobiliários e U$ 6,0 bilhões de notas do tesouro, aumentando a cada três meses até que se atinja U$ 20 e U$ 30 bilhões respectivamente. Porém o mais importante não foi anunciado, quando termina, ou seja, quanto restara de estoque.

A tabela a seguir mostra as principais projeções feitas pela autoridade monetária. Eu destaquei a queda na taxa de juros do FED Funds – de 3,0% para 2,8%, e a melhora marginal do PIB em 2019.

 
Já em relação aos juros é praticamente consenso entre os membros de que a taxa deve subir na reunião de dezembro. Em 2018 indica mais três altas. A tanto mencionada ilustração denominada de dots, que indica a opinião de cada integrante do FED sobre qual será a taxa de juros praticada no futuro – pontos em amarelo -acabou tendo algumas pequenas mudanças. A mediana para cada ano está indicada na linha verde, enquanto o que está projetado nos mercados futuros com a linha roxa.


O que mais salta os olhos é a continua discrepância entre a projeção do FED e a do mercado, aliás a desse último, apenas se emparelha com poucas visões baixistas dos membros. Outro fator de destaque é em relação as projeções para 2019. Dado a dispersão, considero de pouca utilidade essa mediana, afinal uma variação de quase 100 pontos entre as mais frequentes é muito alta! Notem que nem levei em consideração estimativas de taxa abaixo de 2% a.a. E por último, a ilustração indica uma queda de taxas no longo prazo, em relação a 2020 – Por que?

Eu separaria essas informações em dois blocos: o primeiro que indica os níveis de taxas de juros, o mercado continua não acreditando nas projeções do FED, acredita que os juros subirão muito pouco do nível atual, mais uma ou duas altas de 0,25%; em relação a retirada da liquidez ninguém tem ideia qual será seu impacto, porém como a programação será lenta e demorada, o mercado prefere não levar em consideração e esperar para ver. Sabe em todo caso, que é um estimulo a menos do que existe hoje.

A reação dos mercados foi neutra na bolsa, uma alta moderada do dólar, principalmente em relação ao euro, e uma diminuta alta dos juros longos.

E natural que muitos analistas estão reunidos a fim de calcular os impactos dessas medidas, mas aparenta por enquanto, que era o que estavam esperando.

Hoje á noite no jantar de Rosha Shana, a maça com o mel estará na mesa, desejnado que 5778 seja um ano doce. Agora no caso do FED, se existisse a mesma comemoração, não sei se na hipotética mesa estaria uma maça ou um limão, para comemorar 2018!

Hoje não haverá análise técnica, voltando amanhã a normalidade.

O SP500 fechou a 2.508, sem variação; o USDBRL a R$ 3,1290, com queda de 0,16%; o EURUSD a € 1,1895, com queda de 0,81%; e o ouro a U$ 1.300, com queda de 0,82%.

Fique ligado!

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