2020: O risco vai compensar?

24 de junho de 2019

Batalha "Jurista"



O tema não é novo, porém está se expandindo. O assunto é sobre juros negativo, uma moda que a cada dia fica mais frequente. Ao me deparar com a figura a seguir, a primeira imagem que meio veio à cabeça foi o jogo de Batalha Naval. Embora nos dias atuais as pessoas preferem Candy Crush como passa tempo, acredito que todos conhecem o primeiro. Fui verificar e já existe uma versão para celular, podem baixar.

Mas essa ilustração não é de um jogo, pois se assim fosse, você já estaria praticamente eliminado, seria questão de algumas jogadas para que todas suas peças fossem submergidas. Pouco a pouco, não sobra nenhum título de governo pagando juro positivo.



O colapso nas taxas de rendimento das obrigações desde o início do ano foi duro, rápido e global, sucumbindo as expectativas de que a economia mundial seria forte o suficiente para suportar um retorno à política monetária normal após anos de dinheiro fácil.

A queda diz que os investidores esperam que uma recessão possa estar se aproximando, e que os bancos centrais terão que intervir com taxas mais baixas para tentar evitá-la. Os rendimentos dos bônus de dez anos na semana passada caíram para baixas recordes na Alemanha e na França e abaixo de 2% nos EUA pela primeira vez desde 2016.



A queda nas taxas de créditos, estimulou uma corrida por parte dos tomadores de empréstimos - compradores de imóveis que procuram hipotecas, empresas que emitem títulos - para garantir as taxas baixas.

No entanto, o sinal do mercado de títulos está confuso. Outras medidas do sentimento do mercado permanecem animadas: o SP 500 registrou seu primeiro recorde desde abril, refletindo expectativas de que os cortes nas taxas da Reserva Federal no final de 2019 atrasarão a queda. Os spreads de crédito, refletindo a cobrança pelos investidores preferenciais por empréstimos a tomadores de maior risco, aumentaram apenas modestamente.

Outro fator é um sentimento entre os investidores de que a economia global - prejudicada pelo envelhecimento demográfico e pela fraca produtividade - não consegue romper uma década de expansão morna e gerar inflação significativa. No entanto, mesmo na Europa, onde o crescimento enfraqueceu de seu ritmo já baixo, não está claro que a contração econômica seja iminente.

“O envelhecimento da população significa menor potencial de crescimento. Isso, por sua vez, aumenta a poupança e deprime o investimento. Os bancos centrais enfrentam dificuldades porque não conseguem controlar esses fatores e, de certa forma, podem piorar a situação.

A Europa, que enfrenta esses desafios demográficos mais do que os EUA, tem sido o ponto zero para a queda nos rendimentos dos títulos.

Há outra peculiaridade em jogo: a escassez de títulos do governo alemão ultra seguros. Conhecido como bunds, eles são o benchmark contra o qual todos os outros ativos na região são medidos. Quando os investidores buscam segurança, eles acumulam barreiras, elevando seus preços. Os rendimentos caem à medida que os preços sobem.

O rendimento no título alemão de 10 anos, caiu na semana passada para -0,32%, o menor valor já registrado- um ano atrás, era de 0,5%.

Há cerca de € 1,5 trilhão de títulos da dívida do governo alemão, em comparação com cerca de US $ 16 trilhões do governo dos EUA. O governo frugal da Alemanha, que tem um superávit orçamentário, diminuiu sua dívida para 59% do PIB, de 80% no início da década. Nos últimos anos, o Banco Central Europeu engoliu uma grande quantidade de bunds como parte de seu programa de flexibilização quantitativa, reduzindo a oferta disponível para os investidores.


Para poupadores em todo o mundo, enquanto isso, os baixos rendimentos das obrigações são punitivos. As companhias de seguros, presas com rendimentos negativos em títulos do governo, estão emprestando diretamente às empresas para obter retornos mais altos, comprando pacotes de empréstimos corporativos - conhecidos como obrigações de empréstimo garantidas - e hipotecas.

No Japão, os baixos rendimentos têm sido um fato da vida há décadas, um lembrete de que mesmo a política monetária sobrecarregada tem problemas para estimular níveis saudáveis ​​de inflação.

Para lidar, os investidores japoneses vasculham o mundo em busca de maior rendimento. Os investimentos em títulos europeus quase dobraram no ano encerrado em março de 2019 em relação ao ano anterior.

Alguns investidores temem que os baixos rendimentos sejam um prenúncio do crescimento mais lento que os mercados de ações estão ignorando.

Existem duas forças deflacionarias que agem sobre o mundo nos dias de hoje: primeiro a demografia com envelhecimento da população em quase todos os países desenvolvidos. Pessoas mais velhas consomem menos e poupam mais; segundo a disrupção causada pelos startups, cujo resultado final é oferecer produtos e serviços mais baratos.

Se essas ideias fizerem sentido qual é o problema em receber um juro negativo de -0,2% a.a., se a inflação é negativa em – 1% a.a.? Nesse caso, o juro real é de 0,8%, positivo. Mas as finanças não são assim simples, primeiro que não estamos vivendo numa deflação – que nesse caso não seria a deflação ruim, pois existe crescimento econômico, depois que tem o fator psicológico, como pode ser bom receber juros negativos? Deixo o dinheiro debaixo do colchão!

Estamos vivendo nos últimos anos uma mudança extraordinária oriunda da penetração da tecnologia em nossas vidas. Ainda é cedo para imaginar tudo que terá que ser revisto nos livros texto de economia, finanças e marketing. Por outro lado, teremos que ficar muito atentos para não sermos levados a conclusões errôneas ao se fazer comparações com o passado.

No post um-dia-alta-termina, fiz os seguintes comentários sobre o dólar: ... ““Com a queda que ocorrerem nos últimos dias, é bem provável que a onda B tenha terminado e agora a onda C está em curso. Se for isso mesmo, poderemos ver as cotações do dólar chegar a R$ 3,50” .... No post também fiz algumas considerações sobre o nível para entrar num trade de venda de dólares – sugiro uma visita para entender os dois cenários que visiono.

De lá para cá, as cotações tiveram leve queda não alterando de forma importante minhas premissas.

O gráfico a seguir aloca os pontos onde poderia ocorrer uma mudança de direção do dólar, passando de queda para alta.


O primeiro intervalo seria ao redor de R$ 3,75 (azul) – Caso exista uma mudança de rumo a partir de aí, é bem provável que um triângulo possa estar se formando. Nesta situação, ainda haverá um tempo para que a alta ocorra (ultrapassar R$ 4,20).

O segundo intervalo ao redor de R$ 3,65 (verde) – Neste caso, seria pouco provável assumir que seja um triângulo, o mais factível é que uma alta mais importante estaria para acontecer.

E por último, o próximo intervalo ao redor de R$ 3,50 (vermelho) – Uma outra formação denominada de zig zag, deve dar subsidio para uma alta a partir daí.

Por último, não posso deixar de comentar, a hipótese de as cotações continuarem a cair abaixo de R$ 3,50. Nessa situação, posso imaginar que o dólar recue até R$ 3,10. Mas notem, esse não é a hipótese que trabalho, pois imaginem o que deveria acontecer com o dólar em relação as outras moedas nessa situação.

O SP500 fechou a 2.945, com queda de 0,17%; o USDBRL a R$ 3,8245, com alta de 0,14%; o EURUSD a 1,1397, com alta de 0,27%; e o ouro a U$ 1.419, com alta de 1,47%.

Fique ligado!

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