2020: O risco vai compensar?

19 de junho de 2019

Fed e BCB day


Coincidentemente, hoje será reportado as decisões do banco central americano e brasileiro. O primeiro tem uma tarefa bem mais difícil no meu entender que o segundo. Enquanto a economia americana está com resultados sólidos a brasileira vai de mal a pior. Além disso, os juros entre ambos nem se compara, a folga no Brasil é enorme.

Depois de alguns meses em que o Mosca enfatizava a falta de inflação e que, portanto, não haveria motivo para juros tão elevados, finalmente o mercado resolveu assumir uma postura no sentido da queda. Essa mudança pode ser vista nos relatórios dos bancos bem como no noticiário. O que o leitor que não é do mercado financeiro não sabe, é que os agentes econômicos esperam uma queda de 0,75% em 2019, mas para 2020 uma elevação dos juros da mesma magnitude da queda, um round trip.

Acredito que essa atitude se deve a nossa história, onde sempre que os juros caíram a níveis considerado baixos, depois de algum tempo subiam. Mas esse pode não ser mais o caso brasileiro, nem dizer o internacional. Só para que vocês tenham uma ideia, abaixo elaborei um popurri de países, com a evolução dos juros, implícitas nos títulos de governo de 10 anos.


Pois bem, acredito que os juros locais devem encontrar um novo patamar ao redor de 5% a 5,5%, e ficar por aí por um tempo. Que bom seria se, o BCB tivesse que subir os juros, porque a atividade econômica estaria aquecida!

Já nos EUA é um pouco diferente, existem alguns pontos favoráveis a uma queda e outros a manutenção. Entretanto, o mercado se encontra visivelmente mais inclinado ao primeiro. Por essa razão, o Fed não pode brincar hoje, se quiser ser um pouco mais conservador, não altera os juros mais indica que estaria pronto para fazê-lo em breve – não serve deixar de forma vaga.

Dentro das disparidades que nos acostumamos aos dias de hoje, uma que salta os olhos é a comparação entre a volatilidade espelhada no mercado de bolsa (VIX) e no mercado de juros (MOVE). Como se pode verificar abaixo, no passado moviam em conjunto. Porém, mais recentemente, resolveram se separar, enquanto o MOVE reflete a insegurança nos juros, a bolsa se mantem tranquila, acreditando que, o Fed irá agir caso a bolsa ameace cair. Será que é um divórcio definitivo, ou irão se encontrar de novo algum dia?




Além dessas dúvidas, existe ainda a pendência sobre as tarifas impostas à China. O presidente Trump, postou ontem num Tweet, dizendo que se encontrará com o líder Chinês, Xi Jinping, na reunião do G-20, a se realizar na próxima semana no Japão. Acho que nem ele mais acredita no que diz. Mas mesmo assim, o mercado se animou com o anuncio.

Eu adoro as receitas e bolo que os analistas criam para cenários alternativos, como se investir fosse uma escolha pronta em função da correlação dos ativos em determinadas situações. O valor para mim é mais como um indicador de tendência, e só. Para quem gosta, a seguir uma dessas receitas associando as alternativas da reunião do FOMC em conjunto com as possibilidades da reunião do G-20.




E por último, antes do término da reunião do Fed, fui verificar o GDP projetado pelo Fed de Atlanta e quase tomei um susto. Da última vez que havia consultado, se esperava para o 2º trimestre um PIB inferior a 1,5%. Agora, a projeção está ao redor de 2%, o que não é nada mal para tantos problemas que aconteceram nesse trimestre – imposição de tarifas adicionais à China, ameaça feita ao México.



Como largamente esperado, o Fed manteve seu nível de juros, porém abriu a porta para cortes no decorrer de 2019. Dos 17 membros, 8 acreditam nessa possibilidade com uma queda de 0,50%, enquanto apenas um em 0,25%.


Assisti a secção de perguntas e respostas com Jerome Powell. Posso dizer que nunca vi um presidente tão inseguro e preocupado com as palavras que usava. Nem preciso dizer que não esclareceu as dúvidas, não que não quisesse, mas realmente não sabia. Minha impressão pela forma como organizou algumas respostas, se depender dele, não mexe nos juros, mas provavelmente deve ter ficado preocupado com as consequências da guerra comercial com a China.

Como até a próxima reunião alguma clareza se poderá ter sobre o eventual acordo entre os dois países, terá melhor condições de decidir o que fazer. Nessa reunião especificamente, fizeram o que era esperado, daqui em diante, vai depender dos dados ir no sentido do corte, ou não.

No post inflação-congelada, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ... “gostaria de lembrar as 3 hipóteses de mais longo prazo que eu estou trabalhando. No post sempre-tem-um-culpado, eu publiquei o gráfico abaixo, que já foi comentado em diversos posts: Continuidade; Triângulo e Mais preocupante” ...


Nesta semana o SP500 rompeu o nível estabelecido que coloca a opção continuidade em vigor. As recomendações foram: ... “Continuidade (a): Se minha interrupção do trade foi prematura, vou ficar sabendo caso o índice feche acima de 2.915 e principalmente 2.955. Acima do primeiro, já pode valer uma compra com stoploss a 2.870” .... Desta forma, nos posicionamos nesse nível.

Depois do resultado do FOMC, a bolsa continuou sua trajetória de alta e se encontra bastante próxima da máxima histórica de 2.955. Até que esse nível seja ultrapassado, sempre existe a possibilidade de retorno ao movimento de correção. Vamos acompanhar os próximos dias como o índice se comporta.

Outro mercado que está próximo de acionar uma compra é o Ibovespa que hoje está “namorando” o nível 100 mil. Como amanhã é feriado, provavelmente, vou postar sobre esse indicie na sexta-feira.

O SP500 fechou a 2.926, com alta de 0,30%; o USDBRL a R$ 3,8490, com queda de 0,29%; o EURUSD a 1,1227, com alta de 0,31%; e o ouro a U$ 1.354, com alta de 0,64%.

Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário