Início de verão


Nesse período do ano, quando o verão se aproxima do Hemisfério Norte, os mercados tendem a ser menos voláteis. Mesmo nos dias de hoje, com um presidente americano imprevisível, essa tônica tende a prevalecer, pois esperamos que o Trump também tire férias – o ideal seria desconectar seu Twitter.

No Brasil, o assunto da vez são os juros, acredito que agora existe um consenso que deverá cair. Mas o banco central quer esperar a aprovação da Reforma da Previdência, o que deve acontecer nos próximos 30/45 dias.

Quando Paulo Guedes foi escolhido para ser o mago da economia, comentei no Mosca sobre suas características pessoais, um homem explosivo. Nesses seis meses à frente do Ministério da Economia e outros, presenciamos cenas que justificam esse comportamento.

Mas tem mais, como operador que é, quando for aprovada a tão esperada reforma, acredito que irá surpreender. Mas por que essa ênfase? Um bom operador sabe que enquanto está posicionado não canta vitória, no máximo ataca verbalmente dizendo para quem está contra, se mantiver a posição, vai quebrar. Num mercado cuja a soma é zero, quando sua estratégia de mostra vencedora, se destrói o inimigo.

Para quem notou em seus discursos passados, sempre mostrou sua indignação com o nível de juros praticados no Brasil. Limpado o front da Previdência, vai atacar a Reforma Tributária e as Privatizações.

Num mundo de taxas negativas, o campo para queda de juros aqui é enorme, e ele sabe bem disso. Se tudo der certo, vai fundo nesse tema, e do jeito que está a economia, onde o BCB baixou sua previsão de crescimento de 2% para 0,8%, não vou me surpreender se daqui a 2 anos, a taxa SELIC estiver em 3% a 3,5%.

- Hahahaha .... Essa você delirou!
Dúvida? Fica o desafio para 2021. Outra coisa que não entendo é porque o mercado de juros trabalha com queda na SELIC para os próximos 12 meses de aproximadamente 0,75%, e nos 12 meses seguintes uma alta de mesma magnitude. Será que nossos traders só sabem operar com juros subindo?

Melhor para nós, a aposta no pré-fixado longo ainda é a melhor, seguido dos títulos indexados ao IPCA, pois mesmo com a queda dos últimos meses, que colocaram as taxas ao redor de IPCA + 3,5% a.a., se eu estiver certo, quanto a inflação e SELIC, não faz sentido um título pagar a inflação ao quadrado! No meu cenário benigno, deveriam estar ao redor de IPCA + 2% a.a.

Chega de otimismo, vamos cair na real!

Os leitores do Mosca são testemunhas da quantidade de vezes que alertei que, os movimentos do dólar contra o real, tinham muito pouco a ver com os acontecimentos internos. Pouco a pouco, o noticiário foi percebendo que não ocorria esse fenômeno de causa efeito. Para provar minha tese, vejam o que aconteceu nos últimos 30 dias, com as principais moedas frente ao dólar.

Ao ver essa tabela, imagino que los hermanos devem estar mais titubeantes ainda, pois não aconteceu nenhuma notícia tão boa que justificasse a liderança do peso argentino. Nem sua seleção, que por sorte, não foi desclassificada! Hahaha ...




Muito investidores estão perplexos com a performance da bolsa americana. Como poderia estar subindo com tantas notícias ruins. O quadro abaixo, que deve ter sido preparado por um desses analistas, mostra o fiel da balança.



Um parâmetro que todo investidor de ações conhece é o P/L – preço sobre o lucro. Sob esse ponto de vista, a ilustração a seguir aponta para um valor normal para o SP500 tendo com métrica as projeções de lucro. P/L = 17 não é caro nem barato, mas longe de ser uma bolha.




Nós nos consideramos um povo “esperto”, mas os chineses nos colocam no bolso. Tanto em termos de competitividade como em maneiras não ortodoxas de fazer negócios, são muito melhores. Com a elevação de tarifas que os americanos impuseram à China, os empresários chineses fizeram as contas e chegaram à conclusão que seus produtos poderiam dar uma “passeada” no Vietnam, e de lá exportados para os EUA, ou alguém acredita que do dia para a noite transferiram suas fábricas para esse país?

No post efeito-de-segunda-ordem fiz os seguintes comentários sobre os juros: ... “A conjectura nesse ativo está extremamente delicada. Como notei, abaixo se 2,05%, o negócio fica feio” ... Não aconteceu nenhuma grande alteração nos níveis dos juros, o mesmo se encontra próximo da linha crítica de 2% a.a.

Paralelamente a política monetária do Fed, existem dois fatores que pressionam os juros para baixo. Primeiro de ordem política, as ameaças de demissão do presidente do Fed feitas por Trump, caso ela não baixe os juros; e segundo e muito mais importante, o desespero dos investidores de bonds por falta de alternativas de títulos com algum rendimento. Hoje existem U$ 13 trilhões de papeis com juros negativos. A frase popular diz que, qualquer coisa é melhor que zero, nos dias de hoje é muito melhor.




O gráfico de longo prazo a seguir, contempla as várias possibilidades para os juros:


A grande questão de médio e longo prazo, seria responder se os juros ficarão dentro da caixa, significando um intervalo de variação a grosso modo entre 1,5% - 3%, ou fora dela. Se for fora, muitíssimo importante é saber se será para cima ou para baixo.

Desde 2011, os juros se encontram contidos nesse intervalo, e no final do ano passado tudo indicava que iria romper para cima, mais foi um autêntico false break. Na situação que o mundo se encontra hoje, parece que a parte inferior é mais vulnerável, e do ponto de vista técnico é para onde está se dirigindo (linhas paralelas em cinza).

O grau de incerteza é tão elevado que eu consigo elencar argumentos para qualquer das 3 situações expostas. Mas tudo seria de pequena valia, pois não é possível alocar probabilidades a cada uma delas. Sendo assim, em que apostar?

Afortunadamente, temos a análise técnica para nos orientar e evitar “comprar” um cenário que poderá não se concretizar, e pior, ter que mudar 180º. Não precisa ficar tenso, siga o Mosca! Hahaha ...


O SP500 fechou a 2.940, com alta de 0,54%; o USDBRL a R$ 3,8398, com alta de 0,53%; o EURUSD a 1,1369, sem variação; e o ouro a U$ 1.410, com alta de 0,11%.

Fique ligado!

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