2020: O risco vai compensar?

21 de junho de 2019

Efeito de segunda ordem



Ontem, com os mercados brasileiros fechados, as bolsas ao redor do mundo continuaram seu movimento de alta. O SP500 fechou na máxima histórica e agora espera o rompimento do nível de 2.955 para entrar novos compradores na festa. Nos últimos meses, com tantas notícias ameaçadoras, os investidores buscaram proteção para a bolsa comprando opções de venda. Esse mercado de derivativo se encontra distorcido e pode ser a mola propulsora de uma alta mais forte.

Todo esse movimento foi endossado pelo Fed que “garantiu” cortar os juros caso os dados não andem bem. O raciocínio do mercado é que, se a economia derrapar, o Fed entra em ação.

Os investidores estão prontos para o Federal Reserve reduzir as taxas, mas estariam eles prontos para más notícias que justificam esses cortes?

A declaração do Fed depois da reunião, disse que, com o aumento da incerteza sobre a direção da economia, o Fed “monitorará de perto as implicações das informações recebidas para as perspectivas econômicas e agirá como apropriado para sustentar a expansão”. Tradução: Está pronto para cortar taxas na reunião do próximo mês.

É isso que os investidores esperam. Os mercados de futuros refletem um corte da taxa em julho sendo totalmente precificado, com a probabilidade de favorecer mais dois cortes de taxa no final do ano.


Mas, para flexibilização em julho pelo Fed, ainda depende das notícias que receberem entre agora e a próxima reunião. Se as tensões comerciais se mantiverem após a reunião entre o presidente Trump e o presidente chinês, Xi Jinpingin, na semana que vem, e os dados econômicos no próximo mês ficarem do lado forte das expectativas, um corte nas taxas pode não se concretizar.

De fato, projeções econômicas divulgadas na quarta-feira mostram que uma pequena maioria dos participantes da reunião do Fed não espera um corte nas taxas este ano. A maior parte restante espera dois cortes. É uma divisão que pode refletir uma diferença nas avaliações de risco dos formuladores de políticas, tanto quanto qualquer outra coisa, com alguns prevendo que as preocupações comerciais e as preocupações sobre a economia global diminuirão e outras esperam que elas se deteriorem.

Se esse campo mais pessimista se mostrar certo - se os problemas comerciais continuarem a apodrecer e os problemas mundiais aumentarem - então a economia pode estar em teste. Os lucros corporativos, que os analistas esperam que voltem a crescer fortemente até o final do ano, vão fraquejar, e o risco de a economia entrar em recessão vai aumentar.

Um futuro em que, o Fed decide que não precisa cortar as taxas, seria melhor do que aquele em que acha que deve!

Políticos e analistas gastam muito tempo falando sobre como gerar crescimento econômico mais rápido nos EUA. Mas as ações do Federal Reserve nesta semana e nos últimos seis meses mostram que, em vez disso, está respondendo silenciosamente às preocupações globais. Os banqueiros centrais sabem que o mundo não pode lidar com uma economia mais forte dos EUA, e no momento é mais do interesse do mundo se concentrar em fraqueza em outros lugares, em vez de se preocupar com o potencial de superaquecimento americano.

A verdade é que, no mundo atual, as economias se encontram mais entrelaçadas que nunca. As grandes empresas possuem fábricas ao redor do mundo, e os seus consumidores são globais. Vejam por exemplo o que acontece com a taxa de juros cujo fluxo de recursos funciona como um liquido, tende a fluir onde existe a melhor remuneração, ainda mais agora que, a grande maioria dos países desenvolvidos tem juros negativos.

Não é de se estranhar a indecisão observada no Fed, qualquer movimento precipitado pode ter um impacto indesejado no futuro. Dificilmente, daqui a 40 dias, nova data que o FOMC se reúne, tudo estará mais claro, a dúvida deve perdurar por mais tempo.

No post quando-o-ego-comanda, fiz os seguintes comentários sobre o Ibovespa: ... “ caso a bolsa ultrapasse o nível de 100.500, vou sugerir um trade de compra com stoploss a 98.000” ... E foi o que acabou acontecendo. Esse rompimento abre a possibilidade de um mercado promissor para o futuro. Vão existir períodos de correção, dos quais, visiono ocorra ao redor de 110 mil. Mas como dizia Keynes “no longo prazo todos estaremos mortos” vamos passo a passo.

O gráfico a seguir é longo prazo e aponta para o nível de 110 mil por dois critérios, o que lhe dá maior credibilidade. Caso ultrapasse, o novo nível que surge é 135 mil. Em todo caso, prefiro aguardar as próximas semanas para avaliar melhor.


No post o-motivo-real, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ... “ A conjectura nesse ativo está extremamente delicada. Como notei acima, abaixo se 2,05%, o negócio fica feio”. Nesse post tracei dois cenários para eventuais alta dos juros. Mas por enquanto, o maior risco ainda é de queda. O gráfico a seguir mostra a tentativa do rompimento do nível crucial de 2%. Acho que foi de tanto o Mosca alertar, que o pessoal que estava vendido resolveu zerar parte de suas posições! Hahaha ...


Não tenho nada a recomendar no momento nesse mercado. Só posso dizer que, depois da reunião do Fed, o mercado está totalmente convencido que a autoridade monetária vai baixar os juros, e não é pouca coisa, seriam de 3 a 4 cortes de 0,25% somente para esse ano. Os dados ainda não corroboram esse movimento, por exemplo, como apontado no gráfico a seguir, no passado, somente quando o ISM estava bem abaixo do que está hoje, o Fed baixou os juros. Let’s see!



No post os-sem-escritório, comentei sobre a forma como a GitLab gere sua empresa. Este startup de desenvolvimento de software tem 600 funcionários em 54 países e não tem nenhum escritório. Seu CEO diz que quer que seus funcionários fiquem livre da sede, dando flexibilidade para cortar custos e contratar pessoas em todo mundo.

A primeira vista esse modelo parece bem estranho, talvez pelo fato que não foi desse jeito que nós estamos acostumados. Uma estatística recente pode ter sido um fator decisivo nesse sentido. Vejam o que mais distrai os funcionários no trabalho. A maior parcela é o papo no café, seguido do barulho, não sendo de menor importância as reuniões, que sabemos não se resolve nada e se perde muito tempo. Gostei!



O SP500 fechou a 2.950, com queda de 0,13%; o USDBRL a R$ 3,8232, com queda de 0,40%; o EURUSD a 1,1368, com alta de 0,68%; e o ouro a U$ 1.398, com alta de 0,81%.

Fique ligado!

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