Fed agrada a torcida #eurusd

 


Os resultados anunciados pelo Fed após o encerramento do Comitê de política monetária agradaram aos analistas, isso é um fato — principalmente pela reação dos mercados. Mas os argumentos dados pela imprensa, em sua maioria, não estão de acordo com a percepção do Mosca. O que mais se observa hoje nos noticiários é que o Fed foi agressivo — Hawkish. Entendo que sempre é preciso uma explicação (grande Nietzsche!), mas se isso tivesse acontecido, os mercados, e principalmente a bolsa, teriam recuado.

No meu entender, as principais mudanças propostas pela autoridade monetária — a de antecipar o enxugamento e prever 3 altas de juros no próximo ano, que já estavam precificadas nos mercados, além de fazer parte de grande parte das análises — significam que o Fed garantiu que não vai bobear nem ficar torcendo para a inflação cair. Essa garantia tranquilizou o mercado.

Um artigo de Matthew Boesler e outro na Bloomberg relata as principais alterações dessa reunião.

Os executivos do Federal Reserve intensificaram sua batalha contra a inflação mais intensa em uma geração, mudando para o término de seu programa de compra de ativos mais cedo e sinalizando que eles favorecem o aumento das taxas de juros em 2022 em um ritmo mais rápido do que o esperado.‎

‎Exibindo uma das viradas mais agressivas em anos, o banco central ‎disse quarta-feira que dobrará o ritmo em que está diminuindo as compras de Treasuries e títulos lastreados em hipotecas para US $ 30 bilhões por mês, colocando-o no caminho certo para concluir o programa no início de 2022, em vez de meados do ano, como planejado inicialmente.‎

‎Projeções publicadas ao lado do comunicado mostraram que os funcionários esperam que três aumentos trimestrais na taxa de referência dos fundos federais sejam apropriados no próximo ano, de acordo com a estimativa mediana, depois de manter os custos de empréstimos perto de zero desde março de 2020.‎

‎"Desenvolvimentos econômicos e mudanças nas perspectivas justificam essa evolução da política monetária", disse a repórteres o presidente do Fed, Jerome Powell, durante uma coletiva de imprensa pós-reunião. "A economia tem feito progressos rápidos em direção ao pleno emprego."‎

‎O recuo mais rápido coloca Powell em posição de elevar as taxas mais cedo do que o previsto para combater as pressões de preços, se necessário, mesmo que a pandemia represente um desafio contínuo à recuperação econômica. O Fed sinalizou preocupações sobre a nova cepa ômicron, dizendo que "os riscos para as perspectivas econômicas permanecem, inclusive de novas variantes do vírus".‎



Notem que a projeção do mercado está abaixo da projeção do Fed. No post uma-explicação-simples fiz um relato dos motivos que devem deixar os juros mais baixos do que se esperaria. Depois dessa constatação, fico menos perplexo quando isso ocorre.

‎As novas projeções de taxa marcam uma grande mudança em relação à última vez que as previsões foram atualizadas em setembro, quando os funcionários ficaram igualmente divididos quanto à necessidade de qualquer aumento de taxa em 2022. As novas projeções também mostraram que os formuladores de políticas consideram apropriados outros três aumentos em 2023 e mais dois em 2024, elevando a taxa dos fundos para 2,1% até o final de 24.‎

‎A mudança abrupta no enxugamento reflete "a evolução da inflação e a melhora adicional no mercado de trabalho", disse em um comunicado o Comitê Federal de Mercado Aberto após uma reunião de dois dias. O Fed reiterou que "está preparado para ajustar o ritmo das compras se isso se justificar por mudanças nas perspectivas econômicas".‎

‎"A atividade econômica está no caminho certo para expandir-se a um ritmo robusto este ano", disse Powell, acrescentando que "a economia tem feito progressos rápidos em direção ao pleno emprego".‎

‎"Você está vendo um pouco mais de pânico em vez de paciência dentro das fileiras do FOMC", disse Diane Swonk, economista-chefe da Grant Thornton LLP. "É a primeira vez em décadas que vemos o Federal Reserve correndo atrás da inflação."‎

Sobre as taxas, "Com a inflação superior a 2% há algum tempo, o comitê espera que seja apropriado manter essa faixa-alvo até que as condições do mercado de trabalho alcancem níveis consistentes com as avaliações do comitê sobre o pleno emprego ".‎

‎A votação do FOMC foi unânime. ‎

‎"Os desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia e à reabertura da economia continuaram contribuindo para níveis elevados de inflação", disse o FOMC.‎

‎Embora o enxugamento acelerado estivesse em linha com as expectativas da maioria dos economistas ‎‎pesquisados‎‎ pela Bloomberg News, o caminho da taxa de juros foi mais íngreme do que os analistas previam em geral.‎

‎Os investidores esperavam um aumento da taxa até meados do ano, de acordo com a negociação de contratos futuros, com alguma chance de um movimento logo em março.‎

Powell, que o presidente Joe Biden recentemente renomeou para um segundo mandato de quatro anos à frente do banco central, tem enfrentado crescente pressão de democratas e republicanos para tomar medidas mais agressivas sobre a inflação. ‎

‎Os funcionários do Fed foram pegos de surpresa pelas pressões de preços, que eles argumentaram que desapareceriam à medida que o mundo se ajustasse ao Covid-19. Em vez disso, a pandemia continuou e a inflação disparou, impulsionada por gargalos da cadeia de suprimentos e forte demanda em meio ao estímulo maciço da política fiscal e monetária.‎

‎No comunicado do FOMC, os funcionários removeram uma referência prévia à inflação que refletia fatores que "esperavam ser transitórios". Powell disse aos legisladores no mês passado que era hora de "eliminar" a descrição do Fed de alta inflação como "transitória", uma postura que manteve durante a maior parte de 2021.‎

Os preços ao consumidor subiram 6,8% no ano até novembro, marcando o ritmo de aumento mais rápido desde 1982. Nos últimos meses, o aumento dos preços de alimentos e energia e a aceleração da inflação do aluguel contribuíram mais para a inflação global do que no início do ano, quando os aumentos de preços de tamanho superior se concentraram em grande parte no mercado de carros usados e um setor de reabertura de lazer e hospitalidade.‎



O desemprego caiu para 4,2% em novembro, de 4,6% em outubro, um ritmo mais rápido de recuperação do que haviam previsto. Ainda assim, a diferença entre as taxas de desemprego entre brancos e negros permanece ampla — em 3,7% e 6,7%, respectivamente — e as autoridades do Fed disseram que levarão essas disparidades em conta, sob uma nova abordagem "ampla e inclusiva" para avaliar o pleno emprego, que anunciaram no ano passado.‎

‎A projeção mediana do FOMC para a inflação de 2022 foi revisada para 2,6%, de 2,2% em setembro. E agora projeta que a taxa de desemprego no final do próximo ano será de 3,5%, contra 3,8% em setembro.‎

‎Biden ainda tem mais três vagas abertas para ocupar o Conselho de Governadores do Banco Central em Washington e deve anunciar suas escolhas nos próximos dias. Suas seleções, bem como quem os bancos do Fed de Dallas e Boston escolherem para serem seus próximos presidentes, poderiam desempenhar um papel significativo na direção do FOMC no ano que vem. ‎

‎Essas mudanças também significam que as projeções de taxa divulgadas quarta-feira refletem as opiniões de vários funcionários que não farão parte do processo de tomada de decisão à medida que o Fed navega na próxima fase da recuperação econômica da pandemia.‎

Outro fator importante que se encontra nas entrelinhas é o fato de o mercado ter aceitado o argumento que a inflação foi temporária nesse ano e que em breve irá retornar ao patamar desejado ao redor de 2% a.a. Se assim não fosse, os juros dos títulos do governo teriam subido e a bolsa caído.

No post tema-para-2022-inflacao-2.0 fiz os seguintes comentários sobre o euro: ...”  Observe a seguir o gráfico com janela de 1 dia, o movimento que eu observava ser 5 ondas ( na janela de 1 hora) pode ser de 3 ondas (i,ii,iii em verde), e 3 ondas não é direcional e sim correção, sendo assim, na dúvida não se deve entrar. Tudo está levando a crer que um triangulo está se formando (em laranja), o que pré-anuncia novas quedas” ...



Ainda não existe uma definição para a moeda única, o que podemos eliminar no momento é a formação de um triangulo mencionado acima. A correção em que o euro se meteu tem se mostrado bem complexa, sua formação não é de livro texto. Quando isso ocorre eu tendo a me guiar pelos parâmetros de prazo mais longo e ajustar os de curto prazo conforme as ondas se formam.



O que posso estabelecer? Primeiro que a área denotada no retângulo é indicação de correção por enquanto, só mudaria de opinião caso se forme no curto prazo um movimento de 5 ondas e o nível de € 1,1420 seja suplantado; segundo o objetivo visto de hoje seria € 1,0986 conforme destacado em amarelo; e por último só mudo minha visão de alta do euro no longo prazo caso o patamar de € 1,0635 seja superado. Por enquanto é o máximo que posso inferir.

O SP500 fechou a 4.668, com queda de 0,87%; o USDBRL a R$ 5,6874, com alta de 0,12%; o EURUSD a € 1,1332, com alta de 0,42%; e o ouro a U$ 1.798, com alta de 1,20%.

Fique ligado!

Comentários

  1. Eu acho que a estratégia do FED, de deixar o tempo passar para ver se o mercado se ajusta, arriscada. Achar que vai controlar a inflação sem derrubar os ativos me parece um pouco ingênuo. Lembra um pouco o BC brasileiro que, depois de um discurso para lá de dúbio ou de quem estava com receio de produzir uma queda da bolsa, decidiu tardiamente endurecer o discurso e a prática no combate a inflação.

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  2. Desculpe pela demora na resposta. Desde então muita coisa mudou, o Fed resolveu tirar o atraso e agora anunciou que vai subir os juros. Hoje o mercado até arrisca 5 altas. No post que estou escrevendo hoje a ser publicado no final da tarde te recomendo dar uma olhada, lá elaboro esse assunto.

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