2018: Vestibular Político

6 de março de 2018

Os ovos estão na mesma cesta



Um velho ditado aconselha a não se colocar toda sua poupança no mesmo investimento, a frase mais usada neste contexto diz para não colocar todos os ovos numa cesta. Várias teorias e modelos existem para auxiliar nessa tarefa mais conhecida como otimização de portfólio.

O conceito básico é estabelecer uma carteira de investimento contendo ativos que não possuem correlação entre si, dessa forma, quando algum deles é afetado negativamente não impacta os outros, criando uma estabilidade maior para o portfólio.

Recentemente, as principais classes de ativos têm oscilações na mesma direção, a níveis raramente vistos na última década e, na maioria das vezes, essa tendência é de queda. Os investidores que se aproveitaram de ganhos fáceis à medida que os mercados subiram nos últimos seis meses estão lutando para encontrar títulos que se movem em oposição, deixando-os expostos a perdas, mesmo que sejam diversificados.

Uma vez imune à geopolítica, as propostas de elevação das tarifas pelo EUA, levaram os mercados de ações globais para baixo. Mas os papéis de renda fixa não estão oferecendo uma grande opção de retorno, pois as ameaças de bancos centrais mais ativos retornaram.  Talvez, o mercado de commodities proporcionam um refúgio? Não! Os futuros de petróleo e cobre estão elevando as perdas, após um forte declínio de fevereiro.



"Não parece que ideias que ajudaram no passado, como o ouro ou os títulos, serão um refúgio seguro", disse Colin McLean, fundador e diretor executivo da SVM Asset. "Muitas instituições não conseguem acumular muito caixa ao liquidar sua carteira, tendem assim, a implementar a diversificação como uma estratégia defensiva".

No mês passado, a correlação entre ativos registrou o quarto salto, em meio a uma queda generalizada de todo o mercado. O índice de contágio cruzado do mercado, compilado pelo Credit Suisse, situa-se no décimo quartil superior em seus 10 anos de história.

Um efeito colateral das correlações crescentes: os modelos tradicionais de alocação de ativos 60/40 (*) "estão condenados", de acordo com corretora Sanford C Bernstein. A Carteira de Afiliação Global 60/40 caiu 2,8% no mês passado, o mais abrupto declínio em mais de dois anos. Antes de fevereiro, o fundo obteve retornos positivos por 15 meses consecutivos, a maior série desde o início em 2003.

(*) é muito comum nos EUA a recomendação de uma carteira composta por 60% em ações e 40% em títulos de renda fixa. Vários estudos mostraram que essa composição tem resultados melhores que a alocação integral em um dessas classes de ativo.

"Os investidores, se eles percebem ou não, conseguiram uma diversificação fácil nos últimos anos, já que os títulos e ações foram mais negativamente correlacionados em 250 anos", comentou Inigo Fraser-Jenkins, responsável pela empresa de pesquisa quantitativa. "É improvável que isso persista. As correlações devem aumentar e os investidores terão que trabalhar mais para alcançar a diversificação ".



O índice de ações do MSCI World, um índice de títulos da Bloomberg Barclays Global Agregado e os futuros do petróleo bruto e de cobre, todos tiveram queda de 4,5% no mês passado.

"Há coisas que podem ser feitas - a diversificação simples em ativos não listadas ou uma boa carteira de hedge funds". Eu não acho que você deveria se preocupar que, as carteiras não serão tão diversificadas como já foram no passado", acredita Peter Sleep, gestor da Seven Investment Mangement.

Para os alocadores de ativos incapazes de se aventurar em mercados ilíquidos, estarão lidando com a falta de hedges naturais durante períodos de rotações de mercado. A perspectiva de correlações elevadas e rendimentos ruins empurrou os gestores de recursos para se adequarem mais aos seus benchmarks.

Essas opiniões de diversificação em mercados ilíquidos não é uma solução, na minha opinião, primeiro que somente poucos investidores tem acesso a esse tipo de alocação, e segundo que seu retorno não está imune ao mesmo tipo de problema, a única diferença que você não fica sabendo na hora, pois não tem cotação diária. Investir em hedge funds vocês já sabem minha opinião, não considero uma solução.

A verdade é que, esse é um problema importante que ronda os mercados financeiros há um bom tempo. Quando tudo está valorizando, as pessoas não pensam nele, somente quando ocorrem as quedas é que assunto como esse são levados à tona. Só existe um único ativo que pode resolver esse problema, caixa! É mesmo esse, é importante saber em qual moeda. Bem-vindo ao mundo da incerteza.

No post 200000!, fiz os seguintes comentários sobre o SP500: ...” Do ponto de vista técnico, enquanto o SP500 estiver entre 2.870 e 2.530 (13%), se pode esperar qualquer coisa. É natural que, com uma visão mais curta, algumas pistas poderão surgir” ...


E essas pistas surgiram. No gráfico a seguir as linhas em verde indicam movimentos direcionais e em preto correções. Como podem notar espero mais uma pequena alta até o nível de 2.800 onde sugiro uma operação de venda do índice. O Stoploss vou fixar em 2.875. Assim, estamos arriscando 2,7% para buscar no mínimo 10% ~ 2.550.


Se eu estiver certo, essa queda que se aproxima, será tão fulminante quanto a que ocorreu no início de fevereiro. O Target calculado mais “corretamente” deveria levar o SP500 ao nível de 2.450, o que significa uma queda nada desprezível de aproximadamente 15%.

Mas será a partir desse nível que será muito importante acompanha, pois, o esperado é que o SP500 comece a subir a partir daí, onde deveria conquistar novas altas acima de 2.870, atingida no final de janeiro último.

- David, e se não reverter naquele ponto?
Aí a situação passa a ser mais complicada, pois a queda mais expressiva que estou esperando, poderá estar se iniciando, indicando um longo período de queda, onde o SP500 atingiria ao redor de 2.000 (a ser melhor calculado).

- Puxa, uma queda e tanto! Mas o que poderia dar de tão errado?
Primeiro quero deixar claro que esse não é o meu cenário preferido. Como apontei, estou trabalhando com uma correção mais profunda, tipo média; segundo que, com um Presidente como Trump, que está mais preocupado com suas ideias malucas que com os fundamentos econômicos, tudo é possível, ele inventa problemas onde não existem para satisfazer seu ego.

O SP500 fechou a 2.728, com alta de 0,28%; o USDBRL a R$ 3,2102, com queda de 1,03%; o EURUSD a 1,2402, com alta de 0,54%; e o ouro a U$ 1.334, com alta de 1,06%.

Fique ligado!


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