2018: Vestibular Político

9 de março de 2018

Robôs High Tech



Muito se tem discutido sobre a destruição de empregos ocasionada com a substituição de humanos por robôs. Naturalmente, isso passa a ser uma ameaça a sociedade como um todo.

Porém um estudo publicado por David Autor, professor do Massachusetts Institute of Technology, comprova uma realidade que parece mais consistente com os resultados econômicos, aparentemente distorcidos. Ele refuta a noção de que a automação está eliminando empregos amplamente na economia, mas conclui que o avanço tecnológico não recompensa muito os trabalhadores com renda adicional.

Ao longo das cinco décadas anteriores, a automação não reduziu o número de empregos disponíveis em 18 economias avançadas, incluindo os EUA - de fato, ajudou a aumentar o emprego total, segundo o artigo acadêmico publicado por David Autor.

Mas o estudo do economista também descobriu que a automação e os aprimoramentos de produtividade que ele conduz, resultaram com que os trabalhadores levaassem para casa, uma fatia menor do resultado obtido pela economia em expansão.



O estudo descobriu que, nas indústrias onde a automação gerava grandes melhorias de produtividade, o número de empregos nesses setores caiu, ou na melhor das hipóteses, manteve-se estável em quase 50 anos. Esses campos incluíam produção têxtil, processamento químico e fabricação de automóveis.

Mas a capacidade da economia de produzir produtos de forma mais eficiente ajudou a reduzir os preços, melhorando o poder de compra, gerando mais demanda e, finalmente, criando empregos em outras indústrias.

O documento abordou que o "efeito Walmart", contribuiu para uma diminuição muito pequena do desemprego, de 1970 a 2007. Mas esses novos empregos nem sempre foram bons empregos, bem remunerados.

"O grande crescimento do emprego nos EUA tem ocupado empregos com salários baixos, como vagas em restaurantes, serviços de limpeza, guardas de segurança e trabalhadores de saúde em casa". "Você precisa desses empregos em uma economia em expansão, mas eles não exigem salários altos".

A renda total nas 28 indústrias em 18 países subiu cerca de 20% em 2007, quando comparado a 1970. Portanto, a renda do trabalho avançou 13,5% menos, que a renda não lucrativa incluindo lucros corporativos, dividendos e a distribuição de lucros aos donos de empresas, que aumentaram 32%.

E essa mudança tornou-se mais pronunciada ao longo do tempo.

Na década de 1970, quando a produtividade melhorou - tipicamente através de melhorias tecnológicas - a participação da renda total produzida na economia se moveu um pouco mais para os trabalhadores. Isso é consistente com a teoria de que, quando a produtividade dos trabalhadores melhora, os salários também devem melhorar.

Mas a relação foi quebrada desde a década de 1980. Ao longo de um período de 37 anos, cada unidade de melhoria na produtividade resultou em uma parcela menor do crescimento da renda que se transferiu ao trabalho. A mudança mais substancial para os detentores de capital, incluindo os empresários, ocorreu na década de 2000.

Isso é consistente com a ideia de que a automação não está ajudando os trabalhadores a realizar de forma mais eficiente, mas em vez disso, está cada vez mais a deslocá-los para diferentes indústrias. Por exemplo, a produção de carros, caminhões e aviões aumentou desde a década de 1970, porque a produtividade no setor cresceu fortemente, enquanto o emprego foi essencialmente estável. Mas há muitos trabalhadores mais empregados hoje em dia do que durante a administração Nixon.

As descobertas ajudam a explicar por que o crescimento salarial tem sido modesto em relação aos ganhos de produtividade nas últimas quatro décadas e por que a desigualdade entre os trabalhadores mais ricos do mundo aumentou.

Coincidentemente os dados de emprego oficial foram publicados hoje. Foram criadas 313 mil novas vagas, muito acima de qualquer previsão. Para melhorar, os dados de dezembro e janeiro foram revistos para cima em 54 mil postos.

Isso foi possível sem a queda da taxa de desemprego, dado que 800 mil trabalhadores que estavam fora do mercado de trabalho, voltaram ao mercado. Desta forma, o desemprego ficou estável em 4,1%.

Com essa criação de empregos e com uma taxa de 4,1%, considerada de pleno emprego pelo livro texto de economia, se esperaria uma elevação dos salários. Mas não foi o que aconteceu, a remuneração foi de 2,6% em 12 meses, ficando abaixo do mês anterior (2,8%).

Os dados de emprego reforçam a tese do trabalho elaborado por David Autor. O fato de o mercado de trabalho estar apertado não deve necessariamente significar uma elevação dos salários, pois os trabalhos mais especializados sendo efetuados por robô, tem oferta infinita, e só depende de investimentos, enquanto os empregos menos qualificados, esse sim, estão sujeitos a pressões salariais. Em termos de estatísticos, o impacto dessa eventual pressão é pequeno, pois compreende os baixos salários.

Agora o que isso significa em termos sociais, no longo prazo, e outra questão. Por essa e outras razões se nota a intensificação da radicalização de direita, observada em todas partes no mundo. Mina o conceito de classe média tão almejado pelos governantes.

No post fala-sério, fiz os seguintes comentários sobre os juros de 10 anos: ...” o movimento dos juros vai depender da algum catalizador, e me parece o mais plausível a inflação. A publicação desse indicador só acontece na metade do mês. Essa semana teremos os dados de emprego a serem divulgados na sexta-feira, que poderá revelar uma eventual pressão nos salários. A verdade é que os juros de 10 anos estão indecisos por enquanto” ...


Só para lembrar os leitores, minha expectativa é de uma alta entre 3,04 % - 3,08%. Como mencionei acima é necessário um rompimento acima de 2,95% para que essa indefinição fique resolvida. O gráfico a seguir tem uma janela de mais longo prazo, nele pode ser visto as oscilações dos juros nos últimos 7 anos. Notem como é demorado, um eventual rompimento, de uma tendência de queda existente nos últimos 30 anos.


Em 2012 e 2016, a tendência de queda foi testada, mas os juros não conseguiram romper, para baixo, a barreira de 1,5% a.a. Em 2014 e agora, o jogo se alterou, pois, nessas ocasiões, o mercado tenta romper para cima. Por esta razão eu insisto a importância em termos técnicos do nível de 3% a.a., não deverá ser fácil romper. Mas se romper, poderá ser explosivo, atingindo rapidamente 3,4% e em seguida 3,7% a.a., sem que muita coisa aconteça do lado real.

Se o leitor deseja uma visão para os próximos anos, caso o nível de 3% seja rompido, recomendo a leitura do post inflação-nos-eua-retorno-ou-inexistente, publicado no final de 2017.



O SP500 fechou a 2.786, com alta de 1,74%; o USDBRL a R$ 3,2548, com queda de 0,36%; o EURUSD a 1,2308, sem variação; e o ouro a U$ 1.323, com alta de 0,10%.

Fique ligado!

Nenhum comentário:

Postar um comentário